Cynara Maíra | Publicado em 08/09/2026, às 10h19 - Atualizado às 10h40
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A medida alcança também o diretor de inteligência policial da corporação, Leandro Almada, após Mendonça relatar que servidores da instituição realizaram monitoramento contra ele durante mais de 30 dias.
Segundo o magistrado, a decisão visa garantir que membros do tribunal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e os próprios policiais federais trabalhem sem interferências ilegais.
Mendonça enviou a cautelar para referendo da Segunda Turma do STF e pediu ao presidente do colegiado, ministro Luiz Fux, a realização de uma sessão virtual extraordinária nesta terça-feira. Além de Fux e Mendonça, o grupo reúne os ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, que se declarou impedido nas ações do Banco Master.
Na decisão, o relator ordenou a suspensão imediata da produção, elaboração e repasse interno de relatórios de inteligência voltados a monitorar atividades jurisdicionais de magistrados, da advocacia pública e da polícia judiciária. Mendonça argumentou que a medida cautelar encontra respaldo na lei para frear riscos à colheita de provas e a inquéritos em andamento.
"A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais", escreveu o ministro. Para ele, a permanência dos dirigentes nos cargos poderia dificultar a atuação dos órgãos de controle e interferir nas apurações internas.
O despacho atende parcialmente a uma representação protocolada pelo partido Novo, que solicitou providências após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A legenda partidária chegou a requerer a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, mas o relator optou por aplicar apenas o afastamento temporário das funções públicas.
O caso se conecta ao envio de relatórios da PF sobre os contatos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
No aparelho apreendido durante a Operação Compliance Zero, o banqueiro citava a busca por interlocução com o diretor da PF e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na tentativa de postergar ações policiais em novembro de 2025.
Registros da apuração apontam ainda a presença de Andrei em evento fechado com Vorcaro em Londres, em 2024.
O afastamento é mais um episódio da crise entre os integrantes do Supremo. Além dos movimentos de André Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes utilizou documentos internos da Polícia Federal, sem timbre ou assinatura formal, para acusar Mendonça de abuso de poder e desvio na relatoria dos processos do Banco Master e de fraudes previdenciárias no INSS.
Um dos textos apócrifos recomendava "monitoramento e coleta dirigida" sobre a rotina de Mendonça e suas conversas com o chefe da AGU, Jorge Messias.
No Ministério Público, Paulo Gonet solicitou ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a apuração sobre a atuação de Mendonça e defendeu anular o relatório com os diálogos entre Vorcaro e Moraes. As menções ao próprio procurador-geral levaram a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) a protocolar no sábado (5) um pedido para que Gonet declare suspeição e deixe a análise dos processos em que tem o nome citado.
Diretor-geral da Polícia Federal desde 10 de janeiro de 2023, Andrei Rorigues foi anunciado para o cargo pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino, em 9 de dezembro de 2022.
Andrei é formado em Direito pela UFPEL e atua na PF por cerca de 20 anos, sendo já chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus, do Aeroporto Internacional de Brasília e da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Porto Alegre.
Durante as eleições de 2010, Andrei coordenou a segurança da ex-presidente Dilma Rousseff e assumiu a mesma função na campanha de Lula em 2022. Atuou na coordenação de segurança tanto da Copa do Mundo de 2014 quanto nas Olimpíadas do Rio em 2016.
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