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Acervo PodJá: há 2 anos Luciano Bivar mostrava ruptura com Bolsonaro antes de suplência com Humberto

Cynara Maíra | Publicado em 02/11/2026, às 07h00

O primeiro entrevistado de Jamildo Melo foi o deputado federal Luciano Bivar (União Brasil) - Foto: Cynara Maíra / Jamildo.com
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No dia 2 de novembro de 2024, o site Jamildo.com publicou o primeiro episódio de seu podcast. Com o nome de PodJá- O Podcast do Jamildo, o episódio já conta com 92 episódios. Entre ministros, deputados, senadores e até candidatos a presidente, o videocast está disponível no Youtube, Spotify, Apple Podcasts, Deezer, Audible e Amazon Music. 

Para celebrar os dois anos de existência, o site Jamildo.com irá compilar os podcasts anteriores com transcrição, fotos e cortes marcantes, começando com o primeiro, lançado dois anos atrás, com o agora suplente de senador Luciano Bivar (MDB). 

Na época, Luciano Bivar falou sobre o lançamento de seu livro, o atrito com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o desenvolvimento do Novotel Recife Marina. 

Cortes de Bivar

Bivar critica idolatria no bolsonarismo e relembra fala de Zambelli: "Meu partido é Bolsonaro"

Durante a conversa, Luciano Bivar relembrou os atritos internos no antigo PSL e criticou a postura de parlamentares alinhados ao que considera "cegamente" ao ex-presidente Jair Bolsonaro, citando nominalmente um episódio com a deputada federal Carla Zambelli.

Confira o trecho em vídeo:

Bivar relata que Bolsonaro planejava rasante de caças no STF para quebrar vidraças no 7 de Setembro

Em outro trecho de destaque da entrevista, Luciano Bivar relatou conversas de bastidores com generais e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a planejar uma ação intimidatória com aeronaves da FAB contra a sede do Supremo Tribunal Federal.

Confira abaixo a conversa na íntegra do Podcast publicado em 02 de novembro de 2026: 

[00:00] Abertura e o projeto do Novo Hotel Recife Marina

 

Luciano Bivar no PodJá
Luciano Bivar foi o primeiro convidado do podcast do Jamildo.com, o PodJá

 

Jamildo: Olá, internautas, sejam muito bem-vindos ao primeiro podcast do blog de Jamildo. É um prazer enorme, é uma honra receber aqui esse craque da política nacional e craque do empresariado nacional, Luciano Bivar. Bivar, muito obrigado pelo carinho, pela atenção de vir nos visitar. Seu recado inicial.

Luciano Bivar: Eu que agradeço, viu, Jamildo, essa oportunidade, também aqui essa bela instalação da Tempos. E todos vocês que formam aqui esse podcast, estou à tua disposição. É muito bom conversar com você.

Jamildo: Você já me deixou feliz de início que disse que seu primeiro podcast foi com o pessoal da Veja, né? Vamos ver se a gente mantém o nível, não deixa cair.

Luciano Bivar: É verdade. Quando eles fizeram o primeiro podcast, ligaram para mim que a gente seria o primeiro a fazer o podcast e eu aceitei com muito prazer.

Jamildo: Qual foi o tema?

Luciano Bivar: O tema foi genérico, como todo podcast. Coisas até pessoais e a política, naturalmente, que é o que mais interessa a revista.

Jamildo: Exato. Olha, eu queria começar falando sobre o belo presente que você deu à cidade, que é o Novo Hotel Recife Marina, né? É um equipamento fantástico, inclusive que já está amplamente engajado com a comunidade. Eu soube que estão servindo 200 refeições de café da manhã, que as pessoas estão frequentando, são os passantes, fora a ocupação que chegou a 50%. Como é que foi essa ideia de dotar o Recife com um equipamento dessa natureza, inclusive que está mudando a ambiência? Estão chegando outros hotéis para ali o Recife Antigo, que precisava tanto desse rejuvenescimento.

Luciano Bivar: É, olha, a ideia realmente partiu da nossa empresa, mas graças aos colegas, amigos e empresários investidores, feito Romero Maranhão, feito Gerson Lucena, feito Wilson Macedo, feito André Maranhão. Todos eles nos ajudaram a gente a executar aquilo ali, porque a gente não podia só contar com dinheiro de financiamento. Então, a gente tinha que fazer o projeto de toda sorte. Mas veio muito de que no passado, não muito recente, o governador Eduardo Campos colocou em licitação a área não operacional do Porto do Recife e nós participamos dessa licitação e ganhamos com esse projeto de fazer uma marina, fazer um centro de convenções, um hotel e restaurar e recuperar alguns daqueles armazéns. Eduardo na época me falou que queria um armazém, queria tirar fora para fazer um museu do Estado, o Cais do Sertão.

Jamildo: Perfeito. Agora, é uma espécie de Puerto Madero. Você com certeza conhece Puerto Madero, mas no seu caso parece que teve uma inspiração americana. Você gosta de barcos, gosta de marina, você queria se sentir um pouco assim Miami?

Luciano Bivar: Com relação à Marina, sim. Agora, você falou bem Puerto Madero, porque na época eu lembro que eu e Julião Konrad compramos uma parte do armazém lá e fizemos um restaurante. Imagina eu me meter num negócio de carne, que eu não sei nem qual é a diferença de uma costela para um filé. Mas Julião era o grande capitão desse negócio. Fizemos uma sociedade e na época Menem era o presidente da Argentina, nos mandou brindes belíssimos. Aquilo ali me empolgou muito também de, da área não operacional do porto lá de Buenos Aires, a gente fazer em Recife.

Jamildo: Quero confessar a você que tive a oportunidade de conhecer. Era um belíssimo restaurante e fui numa época que o peso estava lá embaixo e o nosso real tinha vantagem. Além de comer bem, o câmbio era muito favorável aos brasileiros. Mas demorou um bocado. É difícil para o empresariado investir? Demorou um monte, inclusive tem também o problema ali do Estelita. Como você viu esse movimento? Atrapalhou muito a cidade, permitiu que o cronograma do crescimento atrasasse, perdemos imposto, perdemos emprego? A cidade podia já ter avançado mais?

Luciano Bivar: É, eu acho que o poder público pode ter mais celeridade sobre essas coisas. Mas eu acho que principalmente o Iphan tem muitas razões para preservar esse grande patrimônio histórico que a gente tem no Recife Antigo. Eu tenho um amigo que foi arquiteto de um daqueles prédios onde fez a sede do João Santos. Ele disse: "Luciano, quando vejo aquilo, dá vontade de explodir, fui eu que projetei aquilo". No presente, as coisas são muito mais. Eu tenho um filho que gosta muito do Recife Antigo, é ele que mais investe nos prédios. Hoje onde está dando o prédio da CasaCor, que é o Palácio Itália, é um prédio nosso da companhia. A restauração não é fácil. Às vezes seria mais barato você demolir e construir um prédio novo do que restaurá-lo. E isso realmente o governo tem feito com muita sabedoria para preservar o patrimônio histórico.

Jamildo: Verdade. A gente tem conhecimento de projetos que vão fazer o chamado retrofit, né? O governo federal criou um programa para financiar esse tipo de coisa, que fora do país acontece com frequência para dar novo uso.

Luciano Bivar: É verdade. O armazém 14, que era um frigorífico antigo, a gente gastou tanto dinheiro para recuperar que os economistas e engenheiros práticos disseram: "Não sei por que não explode aquilo e faz um novo prédio". Não, vamos obedecer o que determina o Iphan.

Jamildo: Mas seria o seu objetivo criar um espigão? Era possível?

Luciano Bivar: Não, não é possível, porque aquilo é uma concessão de 50 anos. A concessão começou há pouco tempo este ano, porque era até o último licenciamento. E eu estou preocupado com a renovação desse contrato.

[07:13] Carreira política e os 80 anos

Jamildo: Vamos falar de política, que você é um craque. Você vai fazer agora 80 anos em novembro. Que lição você traz desse tempo todinho? O que você aprendeu que guarda para a vida e deixa de legado?

Luciano Bivar: Jamildo, vou te falar uma coisa de coração: acho que a coisa mais rica que a gente tem na vida é o nosso patrimônio moral. Se você não tiver isso na vida, viveu como um animal irracional.

Jamildo: E no seu caso em um único partido, né?

Luciano Bivar: Em um único partido. Seus comprometimentos de vida, pessoais, políticos, outros quaisquer que sejam, se você não tiver coerência com a sua forma de ser, com o seu caráter, com gratidão, nada vale. Então me considero nessa parte espiritual uma pessoa extremamente coerente com tudo o que fiz na minha vida.

Jamildo: O que você faria de diferente se pudesse?

Luciano Bivar: Os erros que a gente comete na vida é porque somos humanos. O setor emocional me travou de muitas coisas, mas fico muito feliz porque Jamildo liga para mim para fazer um podcast e eu não tenho repúdio do jornalista, da sociedade, de quem quer que seja, porque nunca fui desleal com ninguém na minha vida. Desculpe ser tão presunçoso, mas isso eu acho que faria tudo novamente.

Jamildo: Escreveria mais livros também? Você já vai no quarto.

Luciano Bivar: É o oitavo livro que eu escrevo.

Jamildo: Perdão, a produção me deixou na mão agora.

Luciano Bivar: São livros que escrevi mais porque tenho a ousadia não só de escrever, mas de publicar.

[09:50] Disputa pela presidência da Câmara dos Deputados

Jamildo: Queria falar sobre a Câmara dos Deputados. Tem uma eleição que se avizinha para a formação da Mesa. Quem é o candidato mais forte? Tem o Hugo Motta, apresentado pelo Arthur Lira, mas tem também dois baianos no páreo, Elmar Nascimento e Antonio Brito. O que pode acontecer com essa disputa?

Luciano Bivar: Jamildo, vou fazer talvez uma inconfidência: conversei com Valdemar Costa Neto e ele está apoiando o Hugo Motta. Conversei também com o Arthur Lira sobre isso e todos estão convergindo para ele. Não precisa dizer que Marcos Pereira, presidente do partido, cedeu o lugar para o Motta. Então não vejo como ser diferente a eleição do Hugo Motta. É natural que a esquerda não esteja ainda confortável, mas a esquerda não tem candidato à presidência da Câmara. Não vejo adversários se a esquerda efetivamente der a bênção a essa candidatura.

Jamildo: É um deputado bastante jovem, mas muito articulado, que transita do baixo clero às lideranças.

Luciano Bivar: Hugo é um cara muito gentil, educado, não é extremado. Tem várias características que podem fazer dele o candidato de consenso.

Jamildo: Como você explica essa predominância de candidatos do Nordeste nas lideranças do Congresso?

Luciano Bivar: O Nordeste como um todo tem um peso muito grande. E no Senado Federal, cada estado da federação tem três senadores. Agrupando os estados do Norte e Nordeste, você tem a maioria. É natural que você tenha próceres dessa região mais adensada no Congresso.

Jamildo: Você já sofreu preconceito por ser nordestino?

Luciano Bivar: Nunca sofri. Uma vez em São Paulo um cara me disse: "Você é deputado de onde?". Eu disse: "De Pernambuco". Ele falou: "Mas você não tem cara de Pernambuco". Eu perguntei como era cara de Pernambuco. Somos uma região miscigenada, temos holandeses, a raça negra que é formidável, todas as raças. Senti que ele era ignorante no sentido de não conhecer a cultura, a educação e a história de Pernambuco, que desde 1817 foi independente.

[15:24] Condicionamento de apoio à Anistia do 8 de Janeiro

Jamildo: Parlamentares colocam que votariam em quem desse apoio ao projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro. Misturar a eleição da Câmara com isso não é equivocado? Pode prosperar?

Luciano Bivar: Equivocadíssimo. Não acredito que prospere. Mesmo se na CCJ fosse aprovado, teria séria dificuldade no plenário da Câmara. Acredito nos meus pares. O crime que tentaram executar é inominável. Se fôssemos uma monarquia absolutista, aqueles que conspiraram contra o regime estariam enforcados, queimados ou fuzilados. O crime foi muito grande.

[17:08] Eleição norte-americana e reflexos no extremismo

Jamildo: Nos Estados Unidos quem invadiu o Capitólio foi preso. Você viaja muito para lá. Qual sentimento você colhe? Trump volta ou Kamala Harris ganha?

Luciano Bivar: O sistema eleitoral americano é muito perverso. Se o candidato tem a maioria em um estado, leva todos os delegados. Hillary teve mais votos populares e perdeu a eleição. Eu arriscaria o palpite de que Kamala Harris deve ganhar. Sou muito a favor da democracia, e o fato de Donald Trump não ter reconhecido a eleição do Biden foi uma mácula muito grande.

Jamildo: Hugo Motta fala em evitar uma agenda de radicalização. Ele consegue lidar com direita e esquerda, ou a onda radical está perdendo força?

Luciano Bivar: As eleições municipais nos ensinaram muita coisa. O radicalismo não prosperou em determinados lugares; prevaleceu o bom senso e a sensatez. Diante de posições radicais, você teve opiniões mais centradas, o que traz a previsibilidade que a sociedade precisa.

[21:36] Executivo, Legislativo e o Orçamento Secreto

Jamildo: Com o orçamento secreto, o Legislativo acabou hipertrofiado. O STF vai conseguir colocar amarras para reequilibrar esses poderes?

Luciano Bivar: O Judiciário confere se está dentro das normas constitucionais e o Executivo faz valer. Na minha visão de economista, o Poder Legislativo avançou mais do que deveria, tirando do Executivo o planejamento do orçamento público. No momento em que você pulveriza recursos para centenas de parlamentares, não consegue fazer grandes obras estruturantes por carência de orçamento. O governo não pode viver de pires na mão para fazer obras estruturantes.

[24:51] Defesa do Imposto Único

Jamildo: Falando em economia, você sempre defendeu a simplificação com o Imposto Único.

Luciano Bivar: Cada vez estou mais convicto da minha ideia de simplificação tributária com o Imposto Único. Só no ano passado, dados do Banco Central apontam que a movimentação financeira só do Pix foi de 30 trilhões de reais. Se você cobra um milionésimo sobre as movimentações digitais, cobre toda a arrecadação do Brasil sem achacar empresas e simplifica a vida do empreendedor. No governo Bolsonaro, consegui indicar Marcos Cintra para a Receita Federal, mas quando ele deu a primeira declaração a favor do Imposto Único, cortaram a cabeça dele. A estrutura arrecadadora tradicional resiste.

[28:07] Revelações do livro "Democracia Acima de Tudo" e bastidores com Bolsonaro

Jamildo: Está no prelo Democracia Acima de Tudo, seu novo livro. O que esperar dessa publicação?

Luciano Bivar: É um livro onde relato como convivi perto do poder e algumas coisas que aconteceram. Quando começaram a me atemorizar aquelas iniciativas de um Estado totalitário, fiquei muito preocupado. Na minha juventude fui prestar depoimento na Comissão Geral de Inquérito na Avenida Guararapes, em plena época de AI-5, onde você não tinha a quem recorrer. Eu não queria que esse negócio voltasse agora.

Jamildo: Qual foi o momento em que você percebeu que aquilo daria errado?

Luciano Bivar: Teve um momento em que no 7 de Setembro, numa roda de generais, ele queria que caças supersônicos da FAB dessem um rasante no STF para quebrar as vidraças. Era uma coisa louca. Conversei na época com o Rodrigo Garcia, governador de São Paulo, para saber se a Polícia Militar paulista estava sob controle. Ele me garantiu que sim. Dormi menos preocupado sabendo que tínhamos uma trincheira contra arroubos de tanques de guerra. Falei também com jornais do mundo inteiro, como The Economist e El País, e com embaixadores sobre o risco que o país corria.

Jamildo: Olhando para trás, você foi ingênuo ao abrir o partido para o Bolsonaro em 2018?

Luciano Bivar: Fui muito cândido, porque achava que a gente podia fazer diferente. Ele assumiu com muito apoio popular, mas depois mudou o discurso sobre mandato e não avançou nas privatizações. Salim Mattar deixou o ministério exatamente por ver que o governo não facilitava o ambiente de negócios para o empresariado.

Jamildo: E a história do jantar em que você usou a sinusite como desculpa?

Luciano Bivar: Foi em um jantar na casa de Arthur Lira em homenagem aos 20 anos de magistratura de Gilmar Mendes. Eu tinha dado declarações no Estadão criticando Bolsonaro, e de repente Bolsonaro chegou ao jantar. Fiquei constrangido e me levantei para ir embora, dizendo a Lira e a Gilmar que estava saindo por causa de uma crise de sinusite. Atrás de mim, uma voz disse: "Eu também estou com sinusite". Quando olhei, era o ministro Alexandre de Moraes. Ele deu uma risada.

Jamildo: E o clima interno na bancada com parlamentares que atacavam as instituições?

Luciano Bivar: Eu alertava em reuniões que não poderíamos caminhar para um sistema czarista. A deputada Carla Zambelli uma vez me disse abertamente: "Meu partido é Bolsonaro". Fiquei estupefato. Estávamos diante de pessoas radicais, que não compreendiam o sistema partidário nem a democracia, presas à idolatria individual.

[40:41] Relações exteriores e interlocução com diplomatas

Jamildo: Você acabou fazendo um papel de diplomacia paralela enquanto presidente de partido?

Luciano Bivar: Como presidente do partido do presidente da República e segundo vice-presidente da Câmara, muitos embaixadores procuravam conversar comigo. Recebi até o embaixador de Cuba. Ele foi ao gabinete pedir que o Brasil não votasse a favor do embargo contra Cuba na ONU. Expliquei que não era chanceler, mas levaria o ponto adiante. Quando chegou novembro, o Brasil votou a favor do boicote.

[43:19] Gabinete do ódio e contestação do sistema eleitoral

Jamildo: Por que o discurso de que a urna é fraudada perdeu força nesta eleição municipal?

Luciano Bivar: Na época do governo, a Joice Hasselmann me dizia que havia um grupo focado em produzir desinformação. Hoje as pessoas viram que disseminar mentiras contra as instituições é perigoso. Mais de 1.200 pessoas foram processadas pelos atos de 8 de janeiro. A responsabilização jurídica surtiu efeito.

[45:51] Intervenção no União Brasil no Recife

Jamildo: A direção nacional do União Brasil interveio no Recife e destituiu Marcos Amaral. Onde você fica diante do racha interno? Há risco do seu grupo sair do partido?

Luciano Bivar: Como dizia Eduardo Monteiro, "me inclua fora desta". O que fizeram em Pernambuco com a convenção lícita de Marcos Amaral foi uma violência e um ato absolutamente imoral. Cabe à Justiça Eleitoral decidir. Muitos correligionários se sentem órfãos de uma legenda construída ao longo de 20 anos. Tenho dialogado com outras forças políticas e no momento oportuno tomaremos nossa decisão.

[48:34] O futuro do bolsonarismo e Pablo Marçal

Jamildo: As urnas municipais mostraram derrotas de aliados de Bolsonaro. O que isso diz sobre o futuro político dele?

Luciano Bivar: O movimento da direita hoje é maior do que a figura individual de Jair Bolsonaro. Ele teve derrotas visíveis em diversas capitais e o discurso mostrou sinais de desgaste.

Jamildo: E o fenômeno Pablo Marçal em São Paulo?

Luciano Bivar: Marçal é especialista em comunicação e canalizou uma parcela de descontentamento com as opções tradicionais. A democracia permite que surjam vozes assim para alertar os governantes de que mandatos precisam de entrega real.

[53:50] Avaliação final das eleições municipais

Jamildo: Qual a principal lição dessas eleições municipais no Nordeste?

Luciano Bivar: O orçamento nas mãos do parlamento fez muita diferença nos municípios. Prefeitos que receberam suporte e emendas de seus deputados federais tiveram grande vantagem. Já para 2026, a dinâmica para a Câmara Federal será diferente e partidos que têm base ideológica, como o PT, tendem a recuperar espaço.

Luciano Bivar: Quero agradecer o convite e convidar a todos para o lançamento do meu livro, Democracia Acima de Tudo, no Novotel Recife Marina.

Jamildo: Estaremos presentes. Obrigado, Bivar, e até a próxima edição do PodJá!

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