Deputado federal, oficializado como suplente de Humberto Costa, relembrou episódio da ditadura, defendeu a democracia e declarou apoio a Lula
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 21/07/2026, às 14h22
Luciano Bivar relembrou experiência durante a ditadura militar em discurso.
Deputado afirmou que jamais apoiaria o retorno ao autoritarismo.
Ex-presidente do PSL declarou apoio ao presidente Lula.
Bivar foi oficializado como primeiro suplente de Humberto Costa ao Senado.
O deputado federal Luciano Bivar (MDB-PE), confirmado como primeiro suplente do senador Humberto Costa (PT) na disputa ao Senado, utilizou o discurso durante a convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), realizada nesta segunda-feira (20), no Recife, para justificar seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defender a democracia.
Ex-presidente do PSL, partido que lançou Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018, Bivar afirmou que sua trajetória pessoal o levou a rejeitar qualquer possibilidade de retorno ao autoritarismo.
Em uma fala marcada por lembranças do período da ditadura militar, o parlamentar contou que, ainda estudante de Direito, foi convocado para prestar depoimento a um órgão de investigação do regime. Segundo ele, a experiência marcou sua visão sobre democracia e liberdade.
"Eu era um jovem estudante da Faculdade de Direito quando fui intimado para uma comissão geral, uma espécie de investigação do governo dos ditadores militares. Fui interrogado com perguntas que não tinham nada a ver com o assunto, mas eu já tinha a sensibilidade de que aquele homenzinho tinha poder de vida e morte sobre mim", relatou.
Bivar lembrou que, durante a vigência do Ato Institucional nº 5 (AI-5), o habeas corpus havia sido suspenso para crimes políticos, o que, segundo ele, ampliava o temor de perseguições.
"Se esse cara me botar ali no xilindró, o que é que eu vou fazer? Vou arranjar um advogado. Mas o AI-5 suspendeu o instituto do habeas corpus. Eu podia ficar ali eternamente. Desse dia em diante, jamais poderia imaginar dar oportunidade para que alguém pudesse voltar aos tempos do golpismo, da ditadura e do autoritarismo", afirmou.
A participação de Bivar na convenção chamou atenção pelo histórico político do deputado. Em 2018, como presidente nacional do PSL, foi responsável por abrir espaço para a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. A vitória eleitoral fortaleceu a legenda, que se tornou uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados.
A relação entre os dois, porém, se rompeu no ano seguinte, em meio a uma disputa pelo comando partidário. O conflito ganhou repercussão nacional quando Bolsonaro orientou um apoiador a não se filiar ao PSL, afirmando que Bivar estava "queimado para caramba". A partir dali, o embate evoluiu para uma crise interna envolvendo auditorias, acusações e a saída do então presidente da República da legenda.
Posteriormente, Bivar comandou o processo de fusão entre PSL e Democratas (DEM), que deu origem ao União Brasil. Mais tarde, deixou a sigla e se filiou ao MDB.
Durante o discurso, o deputado afirmou que o cenário político atual coloca o país diante de uma escolha entre democracia e autoritarismo. Segundo ele, essa avaliação explica sua decisão de apoiar Lula nas eleições. "Estamos hoje diante de algumas opções. Entre a soberania e a subserviência. Estamos entre a democracia e o autoritarismo. Estamos entre a boa política e o fisiologismo", declarou.
Na sequência, Bivar afirmou que nunca teve uma convicção tão forte de apoiar o atual presidente. "Jamais tive uma convicção tão grande de estar do lado de Lula. Tenho absoluta convicção de que resistiremos a qualquer coisa, porque as nossas opções são as melhores para o nosso país e para o nosso povo", disse.
Ao encerrar a fala, o parlamentar pediu votos para os candidatos da coligação e destacou a composição da chapa ao Senado. "Peço a vocês que votem em todos os candidatos dessa coligação. Também me sinto honrado por ter sido convidado pelo MDB e por fazer parte da chapa de Humberto Costa como primeiro suplente. Quero dar esse testemunho porque sou um radical democrata."
A Federação Brasil da Esperança realizou, na segunda-feira, a convenção que oficializou seus candidatos em Pernambuco para as eleições de outubro. O encontro homologou as chapas proporcionais e confirmou Humberto Costa como candidato à reeleição ao Senado.
Como parte da composição, Luciano Bivar foi oficializado como primeiro suplente da chapa. Caso Humberto Costa seja reeleito e se afaste do mandato durante a legislatura, caberá a Bivar assumir a vaga no Senado.