Plantão Jamildo.com | Publicado em 26/02/2026, às 14h23
O número de matrículas no ensino médio caiu 5,3% entre 2024 e 2025 e atingiu o menor patamar da última década. O dado integra o Censo Escolar divulgado nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação (MEC). A redução foi concentrada na rede pública, enquanto a rede privada registrou crescimento de 0,6% no período.
O país contabiliza atualmente 7,3 milhões de estudantes no ensino médio. Em 2024, 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados, segundo dados oficiais. Entre os 20% mais pobres, a taxa era de 72%, de acordo com levantamento do Todos pela Educação. As informações sobre evasão em 2025 ainda não foram consolidadas.
O Censo também aponta que o Brasil soma 46.018.380 matrículas em toda a educação básica em 2025, ante 47 milhões no ano anterior, redução próxima de 1 milhão de estudantes. Desse total, 9 milhões estão na rede privada e os demais na rede pública.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, dois fatores explicam a retração no ensino médio. “Um é a redução da população e o outro é a melhora no fluxo escolar, com menos retenção. No 3º ano do ensino médio, reduzimos em 61% a distorção idade-série”, afirmou.
A distorção idade-série mede o percentual de estudantes fora da série adequada à idade. Em 2021, 27,2% dos alunos do ensino médio estavam em atraso escolar. Em 2025, o índice caiu para 14%, segundo o Censo.
Para Fábio Bravin, da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, a diminuição da repetência contribui para o recuo das matrículas. “Quando o aluno é retido e não avança, o sistema fica inflado. Com menos repetência, o número total tende a diminuir”, disse.
O governo federal aponta ainda a transição demográfica como fator relevante. O país vem registrando redução no contingente de jovens de 0 a 19 anos, o que impacta diretamente o volume de estudantes na educação básica.
Os dados do Censo são declarados pelas secretarias estaduais e podem refletir mudanças administrativas ou de registro. Também há diferenças na contabilização de estudantes com baixa frequência que não formalizaram abandono.
Programas como o Pé-de-Meia, criado em 2024 para conceder incentivo financeiro a alunos do ensino médio, integram a estratégia federal de enfrentamento à evasão. A iniciativa tem custo estimado em R$ 12 bilhões.
Em sentido oposto à queda nas matrículas totais, o número de estudantes da rede pública em tempo integral cresceu 11% entre 2024 e 2025. O país passou de 4,7 milhões de alunos nessa modalidade, em 2020, para 8,8 milhões atualmente, o equivalente a 19% do total.
A ampliação do tempo integral é uma das prioridades do MEC. A meta do ministério é alcançar 3,6 milhões de novas matrículas até 2026, com apoio financeiro da União a estados e municípios.
Secretários estaduais, no entanto, relatam redução de recursos neste ano e afirmam que novas expansões dependerão de orçamento próprio das redes.
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