Cynara Maíra | Publicado em 09/01/2026, às 07h31 - Atualizado às 08h06
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), confirmou que o governo federal irá intervir para evitar que o reajuste do piso salarial dos professores da educação básica seja de apenas R$ 18,10 neste ano.
Pela regra da legislação de 2008, o aumento automático seria de 0,37%. Para corrigir essa distorção, o presidente Lula (PT) editará uma Medida Provisória (MP) alterando a sistemática de cálculo.
O ministro classificou o índice de 0,37% como inadmissível e informou que o Governo anunciará o novo percentual de reajuste até o dia 15 de janeiro.
Entidades educacionais criticam desde 2020 a metodologia atual de cálculo para o Piso dos Professores. Segundo esses grupos, a falta de previsibilidade para gestores e profissionais prejudicaria o setor.
O índice é obtido por variáveis como o crescimento do valor aluno-ano do Fundeb e o número de matrículas na educação básica. Quando o número de alunos diminui, o indicador do reajuste cai.
Essa mecânica gera oscilações bruscas que dificultam o planejamento orçamentário de estados e municípios, bem como a programação financeira dos professores:
2022: O piso teve um reajuste expressivo de 33,2%.
2023: O índice ficou em 6,7%.
2024: A projeção atual pela lei de 2008 seria de apenas 0,37%.
A solução do Ministério da Educação (MEC) para o problema seria que o presidente Lula edite uma Medida Provisória (MP). Após a publicação, o Congresso Nacional terá até 120 dias para avaliar o texto e definir o novo cálculo que passará a valer permanentemente para os próximos anos.
Um grupo de trabalho do MEC com representantes de estados, municípios e professores já debatia o tema, mas não houve consenso.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Ivete Caetano, celebrou o anúncio em suas redes sociais, classificando a notícia como "muito boa e importante".
Mesmo com o elogio, a dirigente sindical criticou a postura do agrupamento de gestores estaduais sobre a aplicação prática da medida.
"Esperamos que o Consed, o Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação, não seja um impedimento para a proposta que a CNTE apresentou no Fórum Nacional do Piso", afirmou Ivete.
Ivete também defendeu que os profissionais da educação no estado mantenham a luta pela progressão do plano de carreira porque, segundo ela, "os governadores não entendem a vinculação do piso com o plano de carreira".
O Sintepe entende que o piso nacional dos professores deve afetar o salário de todos os profissionais da educação, ativos ou aposentados, não apenas aqueles que recebem o valor mínimo.
Ainda nesta semana, o presidente Lula sancionou na quarta-feira (07) a lei 15.326/26. A norma inclui oficialmente os professores da educação infantil (que atuam com crianças de zero a cinco anos em creches e pré-escolas) no quadro de profissionais do magistério público da educação básica.
A medida altera a Lei do Piso Nacional do Magistério (Lei 11.738/08) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Com isso, esses profissionais, desde que tenham formação exigida e sejam concursados, terão direito ao piso salarial nacional e ao enquadramento nos planos de carreira.
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