Plantão Jamildo.com | Publicado em 19/06/2026, às 15h28
O Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, iniciada em 2016. Dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 4,9% da população com 15 anos ou mais de idade não sabia ler nem escrever, o equivalente a 8,4 milhões de pessoas.
Em comparação com 2024, a taxa recuou 0,4 ponto percentual, representando uma redução de aproximadamente 592 mil pessoas analfabetas. Ao longo dos últimos nove anos, o índice caiu de 6,7% para 4,9%, uma diminuição de 1,8 ponto percentual.
Apesar da melhora nos indicadores nacionais, o Nordeste continua concentrando a maior parcela da população analfabeta do país. A região reúne 4,8 milhões de pessoas nessa condição, o que corresponde a 57,4% do total registrado no Brasil.
O levantamento mostra que o analfabetismo permanece mais presente entre a população idosa. Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, havia 4,8 milhões de analfabetos em 2025, representando uma taxa de 14,9%. Esse grupo responde por 58% de todos os analfabetos do país.
Entre os idosos, as desigualdades raciais permanecem evidentes. A taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas alcançou 20,6%, enquanto entre brancos ficou em 7,3%.
Quando considerados grupos etários mais amplos, os índices diminuem progressivamente. A taxa de analfabetismo foi de 8,3% entre pessoas com 40 anos ou mais, de 5,8% entre aquelas com 25 anos ou mais e de 4,9% na população de 15 anos ou mais.
Segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 a 59 anos foi de 2,6%, resultado que indica maior acesso das gerações mais jovens à escolarização durante a infância. Para o instituto, a diferença entre os grupos etários reforça a importância de políticas voltadas tanto à permanência de crianças e adolescentes na escola quanto à alfabetização de adultos e idosos.
Os dados também mostram diferenças entre homens e mulheres. Entre a população com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo foi de 4,6% para as mulheres e de 5,2% para os homens. Em relação a 2024, ambos os grupos registraram redução de 0,4 ponto percentual.
Na faixa etária de 60 anos ou mais, as mulheres passaram a apresentar índice inferior ao dos homens. A taxa foi de 13,7% entre elas e de 14,1% entre eles. De acordo com o IBGE, o resultado sugere avanços na escolarização feminina ao longo das últimas décadas.
O estudo também analisou a conclusão da educação básica obrigatória. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, 59,4% das mulheres haviam concluído essa etapa de ensino, ante 55,2% dos homens. Os dois grupos registraram crescimento em relação ao ano anterior.
As diferenças também aparecem quando observada a variável raça ou cor. Entre as pessoas brancas, 64,9% haviam concluído a educação básica obrigatória. Entre pretos e pardos, o percentual foi de 51,3%, uma diferença de 13,6 pontos percentuais. Embora menor que a registrada em 2016, quando alcançava 16,4 pontos percentuais, a desigualdade permanece praticamente estável em comparação com 2024.
Os dados sobre educação infantil mostram que a decisão dos pais ou responsáveis segue como principal motivo para que crianças pequenas não frequentem creches. Em 2025, entre as crianças de até um ano fora da creche, 64,1% estavam nessa condição por opção familiar. Entre as crianças de 2 a 3 anos, o percentual foi de 57,1%.
A segunda justificativa mais frequente foi a ausência de unidade de ensino na localidade, a falta de vagas ou a recusa de matrícula em razão da idade da criança. Esse motivo foi apontado por 28,1% dos responsáveis por crianças de até um ano e por 33,4% daqueles com filhos entre 2 e 3 anos.
A pesquisa também revelou que 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não haviam concluído o ensino médio em 2025, seja por abandono escolar ou por nunca terem frequentado essa etapa de ensino. Desse total, 59,8% eram homens e 40,2% mulheres. Em relação à raça ou cor, 72,8% eram pretos ou pardos, enquanto 26,4% eram brancos.
A necessidade de trabalhar foi apontada como o principal motivo para o abandono escolar ou para a não frequência à escola, sendo mencionada por 43% dos jovens entrevistados. Em seguida aparece a falta de interesse pelos estudos, citada por 25,6%.
Outros fatores apontados foram gravidez, com 9,9%; problemas permanentes de saúde, com 4,4%; realização de afazeres domésticos ou cuidados com outras pessoas, com 3,9%; e falta de escola, vaga ou turno adequado, com 2,8%.
O levantamento ainda identificou que o Brasil possuía 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos em 2025. Desse total, 17,5% não trabalhavam, não estudavam no ensino regular nem frequentavam cursos de qualificação profissional. O percentual representa uma redução de 4,9 pontos percentuais em relação a 2019, quando essa parcela correspondia a 22,4% da população jovem.
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