Jamildo Melo | Publicado em 04/06/2026, às 12h12 - Atualizado às 12h23
O agravamento da guerra tarifária promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu o debate sobre a dependência brasileira de poucos parceiros comerciais. Para especialistas, a principal saída para reduzir os impactos das novas barreiras impostas pelos norte-americanos é ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados.
Em artigo publicado pelo Estadão, o jornalista Alexandre Calais argumenta que a diversificação das exportações é hoje a estratégia mais eficaz para proteger a economia brasileira diante da instabilidade da política comercial dos Estados Unidos.
Nos últimos dias, o governo Trump anunciou uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, além de outra sobretaxa de 25% direcionada exclusivamente ao Brasil. As medidas se somam a uma série de tarifas aplicadas desde o ano passado, algumas posteriormente revistas pelo próprio governo americano ou pela Justiça dos EUA.
Apesar das restrições, as exportações brasileiras registraram crescimento. Segundo dados citados por Calais, as vendas externas do Brasil alcançaram US$ 348,7 bilhões no ano passado, alta de 3,5% e recorde histórico para o país.
Embora as exportações para os Estados Unidos tenham recuado 6,6%, o desempenho foi compensado pelo avanço das vendas para a China, que cresceram 6%, e para a Argentina, com aumento expressivo de 31,4%.
O artigo destaca que a ampliação de acordos comerciais tem sido fundamental nesse processo. Entre os principais avanços está o acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em maio e eliminou tarifas para mais de 5 mil produtos brasileiros. Também ganharam força as negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá.
No agronegócio, a estratégia de diversificação já apresenta resultados. De acordo com o Ministério da Agricultura, 58 novos mercados foram abertos para produtos brasileiros no último ano, gerando um acréscimo estimado de US$ 3,4 bilhões na balança comercial.
Além da busca por novos compradores, Calais defende que o Brasil precisa aumentar a participação de produtos com maior valor agregado em sua pauta exportadora. Segundo ele, isso permitiria elevar receitas e reduzir a vulnerabilidade da economia nacional diante de crises externas.
Para o autor, apesar das incertezas provocadas pelo tarifaço de Trump, a economia brasileira tem conseguido absorver os impactos graças à expansão de mercados alternativos e à capacidade de adaptação do setor exportador, como já mostrou o site Jamildo.com.
Com informações de Alexandre Calais, em artigo publicado no Estadão.
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