Douglas Nóbrega revela novos investimentos na Compesa e aposta em tecnologias contra furto de água

Cynara Maíra | Publicado em 30/05/2026, às 07h54 - Atualizado às 08h35

Douglas Nóbrega é o convidado do PodJá desta semana - Aluísio Moreira/Compesa
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Convidado do PodJá- O Podcast do Jamildo desta semana, o presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, falou sobre as mudanças na gestão da Compesa para acelerar a entrega de obras hídricas e ampliar o investimento no setor de saneamento em Pernambuco. 

Douglas destacou que a companhia gerencia atualmente um portfólio de 4,5 bilhões de reais em ações e defendeu a concessão parcial dos serviços como o único caminho viável para atingir as metas do Marco Legal do Saneamento.

Presidente da Compesa desde setembro de 2025, o engenheiro assumiu o comando do órgão após passar pela diretoria de Engenharia e Sustentabilidade da própria companhia e acumular duas décadas de experiência na Chesf. Segundo ele, o foco atual é erradicar a descontinuidade de projetos que travavam o desenvolvimento do estado.

O episódio completo com Douglas Nóbrega estará disponível neste sábado (30), às 14h, no canal do Jamildo.com no YouTube.

Um dos eixos da gestão de Nóbrega é o combate às perdas, que giram em torno de 45% em Pernambuco. O executivo apontou que a recuperação de volumes desviados ilegalmente é mais rápida e barata do que a construção de novos sistemas produtores.

Para isso, a Compesa montou uma estrutura que envolve a inteligência policial e o monitoramento via satélite das instalações. Uma das inovações é o Projeto Nautilus, que utiliza sondas acústicas lançadas dentro das tubulações.

"A gente está lançando um trabalho piloto, onde só tem dois trabalhos desse no Brasil hoje, na Sabesp e na Sanepar, no Paraná. É um pig, uma bolinha acústica que a gente lança dentro de uma grande adutora e, pela variação no som, ela detecta vazamento", revelou o presidente.

Nóbrega também relatou uma operação de combate ao furto de água em uma propriedade privada, que exigiu o uso de imagens de satélite e equipes especializadas.

"Eu tive que contratar um mergulhador para a gente desmontar todo o sistema que tem lá embaixo, numa profundidade de quase 7 metros de profundidade no barreiro. E resolvemos", afirmou o gestor, destacando a necessidade de análises químicas para comprovar a origem da água tratada.

Investimentos nos Morros e Parceria com Suape

Na Região Metropolitana do Recife, as atenções da companhia se voltam para a infraestrutura das áreas de relevo acentuado, onde a topografia e a densidade demográfica dificultam o abastecimento regular. Nóbrega informou que a duplicação da Alça Norte deve reforçar o sistema nos próximos meses. A empresa também realiza um plano de otimização hidráulica com a instalação de novos boosters para regular as pressões da rede.

O presidente da Compesa também anunciou uma agenda com a diretoria da Coca-Cola para viabilizar um investimento de 700 milhões de reais na ampliação de sua planta industrial. A operação depende de obras de duplicação da rede de abastecimento na região de Suape.

"A Coca-Cola vai duplicar a fábrica, vai duplicar a produção dela nos próximos anos. Eles vão investir no estado 700 milhões de reais", adiantou.

O modelo de Concessão Parcial

Nóbrega rebateu as críticas políticas sobre o modelo de desestatização parcial da companhia e assegurou que o processo foi validado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e pelo BNDES. Ele explicou que a Compesa permanece pública e responsável pela captação e pelo tratamento da água no atacado, enquanto os consórcios parceiros assumem a distribuição e a expansão das redes de esgoto.

O engenheiro também garantiu que o equilíbrio regional e os investimentos nos municípios menores estão assegurados por amarras contratuais rígidas. O leilão gerou repasses que variam entre 4,5 milhões e 120 milhões de reais para as prefeituras aplicarem em infraestrutura. O executivo relembrou o deságio obtido no certame para afastar o risco de aumentos nas contas.

"Inicialmente, até no leilão, na verdade ocorreu o inverso. As concessionárias vencedoras ofereceram deságio de 5% na conta", pontuou Nóbrega.

Críticas a atrasos anteriores em investimentos na Compesa

Além de citar as ações do atual governo, Douglas criticou a escassez de investimentos em administrações anteriores e justificou que a resolução de problemas já existentes na estatal causaram maior demora em alguns projetos. 

O presidente citou o caso da Adutora do Agreste, a maior obra do tipo na América Latina, que permaneceu paralisada por 12 anos antes de ser retomada.

"Gestões passadas deixaram muito tempo o estado com pouquíssimo ou nenhum investimento na parte de infraestrutura hídrica. Naturalmente, ficam passivos e não se resolve de uma hora para outra. As obras de água e esgoto são obras complexas, caras e demoradas", afirmou.

Segundo o gestor, a companhia encontrou 58 obras paradas e uma dívida acumulada de 60 milhões de reais ao assumir o controle do órgão, cenário que exigiu uma reformulação completa do cronograma técnico para que nenhuma intervenção fosse novamente interrompida por entraves burocráticos.

"A governadora bateu forte nisso, a gente recebe verba do governo federal, mas eventualmente, tem um atraso no repasse, alguma demora por alguma questão de burocracia, de trâmite. E ela já tinha dito, ' não para'. Se faltar o dinheiro por um tempo, a gente injeta dinheiro do estado, depois a gente recebe o ressarcimento, não tem problema. Então, a gente começou a trabalhar muito nessa filosofia de não parar nada. A gente retornou, para você ter uma ideia, há 3 anos, mais ou menos, a Compesa tinha 58 obras paradas e 60 milhões em dívidas", citou Douglas. 

Compesa podjá

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