Copa de 2026 pode empurrar brasileiros para dívidas e apostas, aponta pesquisa

Jamildo Melo | Publicado em 20/05/2026, às 13h05 - Atualizado às 13h14

Paixão pelo Hexa pesa no bolso: 20% dos brasileiros aceitariam se endividar para ver o Brasil campeão do mundo, enquanto bets avançam entre jovens e endividados - Bruno Peres / Agência Brasil
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A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar não apenas a paixão do torcedor, mas também o orçamento dos brasileiros. Pesquisa inédita da Creditas em parceria com a Opinion Box aponta que o torneio funciona como um forte gatilho de consumo, apostas esportivas e maior tolerância ao endividamento.

O tema do endividamento com bets é tão grave que o novo programa Desenrola, do governo Lula, criou um bloqueio de bets e acesso parcial ao FGTS.

O levantamento “Placar das Finanças: como o futebol mexe no bolso e na dívida dos brasileiros” revela que 20% dos brasileiros aceitariam se endividar para ver a Seleção conquistar o hexacampeonato na Copa do Mundo de 2026. Entre os jovens de 18 a 24 anos, que não acompanharam um título mundial do Brasil, o percentual sobe para 30%.

O impacto é ainda maior entre quem já enfrenta dificuldades financeiras. Segundo a pesquisa, 37% dos brasileiros endividados afirmam que aceitariam aumentar as dívidas em troca do título mundial.

O estudo mostra ainda que a Copa deve impulsionar gastos em diferentes áreas. Cerca de 74% dos entrevistados pretendem gastar dinheiro durante o torneio e, entre eles, 80% admitem que poderiam fazer isso sem planejamento financeiro para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.

O clima de confraternização também pesa no bolso. Para 49% dos entrevistados, assistir às partidas com amigos e familiares justifica gastos acima do previsto.

A percepção financeira do brasileiro também aparece em comparação com o desempenho da Seleção. Enquanto 41% acreditam ser mais fácil terminar 2026 sem dívidas do que ver o Brasil campeão do mundo, outros 39% consideram mais provável a conquista do Hexa do que fechar o ano com as contas no azul.

“O ambiente emocional criado pela Copa tende a flexibilizar decisões financeiras que normalmente seriam mais racionais. O problema surge quando consumo por impulso e falta de planejamento pressionam ainda mais um orçamento já fragilizado”, afirmou Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas.

A pesquisa também aponta avanço significativo das apostas esportivas durante o torneio. Mais da metade dos brasileiros, 56%, pretende participar de bolões ou apostas esportivas na Copa de 2026. Entre jovens de 18 a 24 anos, o índice sobe para 69%.

Embora 54% afirmem apostar por diversão, parte dos entrevistados associa as bets à tentativa de melhorar a situação financeira. Entre os que consideram apostar, 31% dizem buscar uma forma de complementar os gastos do mês e 15% enxergam as apostas como alternativa para pagar dívidas.

O estudo mostra ainda que o hábito é mais forte entre pessoas endividadas: 79% afirmam considerar apostar durante a Copa, contra 48% entre quem não possui dívidas.

Para Casagrande, o crescimento das apostas exige atenção. “Quando o entretenimento passa a ser acompanhado por comportamento de risco financeiro, cresce a necessidade de ampliar o debate sobre educação financeira, principalmente em períodos de maior exposição ao consumo”, avaliou, em informe ao site Jamildo.com.

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