Jamildo Melo | Publicado em 05/01/2026, às 16h55 - Atualizado às 17h03
O analista político Márcio Coimbra avalia que a queda do ex-presidente Nicolás Maduro representa apenas o primeiro passo de um processo complexo e arriscado de reconstrução institucional da Venezuela.
Em artigo enviado ao site Jamildo.com, nesta semana, Coimbra afirma que o regime chavista “esvaziou o Estado por dentro” e transformou suas instituições em instrumentos do crime transnacional.
Segundo o autor, a saída de Maduro do poder e sua transferência sob custódia para Nova York simbolizam o colapso de um sistema que, por quase três décadas, teria priorizado “o saque sistemático e a repressão, em parceria com máfias estrangeiras”.
Para Coimbra, o momento exige prudência. “O vácuo deixado por décadas de autoritarismo demanda cautela absoluta na estabilização interna e na reconstrução da economia”, afirma.
No texto, Coimbra ecoa denúncias feitas pela líder opositora Maria Corina Machado sobre a estatal petrolífera venezuelana.
“A PDVSA foi, na prática, privatizada por máfias e potências revisionistas”, escreve. Segundo ele, sob o amparo da Lei Antibloqueio, ativos estratégicos teriam sido transferidos de forma clandestina para operadores como Alex Saab e empresas sem capacidade técnica no setor.
O analista sustenta que conglomerados ligados à China, Irã e Rússia passaram a operar no setor petrolífero venezuelano, muitas vezes por meio de empresas de fachada.
“Entidades criadas para processamento de dados ou serviços financeiros passaram a explorar hidrocarbonetos, evidenciando que a prioridade era a lavagem de capitais, não a produção de energia”, afirma.
Como consequência direta desse modelo, Coimbra aponta um colapso produtivo sem precedentes. “A pilhagem reduziu a produção petrolífera a menos de 30% da capacidade histórica. É um déficit de 70% causado por corrupção e negligência”, escreve.
Para ele, a recuperação do setor só será possível com tecnologia, transparência e reintegração ao mercado internacional legítimo, liderado pelos Estados Unidos.
O autor também faz uma defesa contundente da intervenção internacional
. “Não há soberania legítima quando o Estado submete seu povo a uma ditadura brutal”, afirma, acrescentando que o discurso da não-ingerência teria servido para silenciar abusos cometidos por órgãos de repressão como o SEBIN e a DGCIM. Para Coimbra, a ação liderada pelos EUA deve ser vista como “um ato de responsabilidade internacional”.
Apesar da queda de Maduro, o analista alerta que o maior desafio está na permanência da cúpula militar ligada ao narcotráfico.
Ele cita nomes como Vladimir Padrino López e Diosdado Cabello como símbolos de uma estrutura que, segundo ele, ainda controla o Estado por dentro.
“É impossível reconstruir a Venezuela removendo apenas a cabeça do regime”, escreve Coimbra. “Sem desmantelar essa casta militar, qualquer mudança será apenas cosmética.” Para o autor, o sucesso da nova etapa política dependerá da coragem de promover uma limpeza institucional profunda, devolvendo ao povo venezuelano uma soberania que, segundo ele, foi sequestrada pela narcocorrupção.
Márcio Coimbra é CEO da Casa Política, presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia e especialista em relações institucionais e internacionais.
Após carta apelando paz à Casa Branca, Trump ameaça vice da Venezuela e outros países
Direita brasileira parabeniza e esquerda critica invasão dos EUA contra a Venezuela e captura de Maduro
O atoleiro venezuelano