Pernambuco volta a monitorar tubarões após suspensão desde 2015

Plantão Jamildo.com | Publicado em 05/09/2026, às 08h00

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O Governo de Pernambuco retomou, nesta sexta-feira (4), o monitoramento de tubarões no litoral do estado, após 11 anos de suspensão. Interrompido desde 2015 por falta de recursos, o acompanhamento dos animais era realizado apenas em Fernando de Noronha. A nova etapa terá duração de 24 meses e prevê a marcação de até 50 tubarões com microchips.

O Projeto Ecotuba será executado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), instituição selecionada pelo governo estadual após edital lançado em janeiro. A pesquisa terá como foco o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), espécies associadas aos ataques registrados no litoral pernambucano.

A iniciativa pretende identificar as áreas de circulação dos animais, acompanhar padrões de comportamento e reunir dados que possam subsidiar medidas de prevenção de novos ataques. Somente em 2026, três pessoas foram atacadas por tubarões no Grande Recife.

O investimento total previsto para o projeto é de R$ 2,052 milhões. Segundo o governo estadual, R$ 1,052 milhão será aplicado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti), por meio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), enquanto R$ 1 milhão virá do Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).

O valor destinado pela Secti e pela Facepe é próximo da metade do montante que era aplicado anualmente no monitoramento na década passada, quando os investimentos chegavam a cerca de R$ 1 milhão por ano.

Como os tubarões são mapeados

A primeira expedição começou na sexta-feira (4) e será realizada até a próxima terça-feira (8). Durante o período, os pesquisadores utilizarão a pesca com espinhel para capturar os animais. A técnica emprega uma linha principal equipada com anzóis presos a cabos resistentes às mordidas de grandes predadores.

A equipe da UFRPE responsável pelo trabalho é formada por seis pesquisadores. Depois da captura, os tubarões serão submetidos a procedimentos de identificação, coleta de amostras e marcação. De acordo com o governo estadual, o manejo seguirá as normas estabelecidas pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua).

Para reduzir o estresse durante o procedimento, os olhos dos animais serão cobertos com um tecido escuro. Após a retirada do anzol, os pesquisadores vão medir o comprimento, identificar o sexo e, no caso das fêmeas, realizar exames de ultrassonografia para verificar o estágio reprodutivo.

Também serão coletadas amostras de sangue e tecido para análises genéticas e de biomonitoramento. Cada tubarão receberá uma marca externa, ou tag, instalada na base da primeira nadadeira dorsal e com informações de contato do projeto.

Além da identificação externa, os pesquisadores vão implantar um microchip na região ventral dos animais por meio de procedimento cirúrgico. Durante as expedições, também serão coletadas informações sobre as condições ambientais, como temperatura da superfície do mar, salinidade, turbidez da água e direção dos ventos e das correntes.

A partir da análise dos dados, a equipe pretende estabelecer padrões de comportamento e circulação dos tubarões. As informações deverão ser utilizadas na elaboração de orientações destinadas à população.

Ataques no litoral

Levantamento do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) registra 84 ataques em Pernambuco desde 1992, com 27 mortes. Do total, 70 ocorrências aconteceram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha.

Em 2026, três ataques foram registrados na Região Metropolitana do Recife. O primeiro ocorreu em janeiro, quando Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, morreu após ser mordido por um tubarão em Olinda.

Os outros dois casos aconteceram em um intervalo de pouco mais de 24 horas, entre os dias 31 de maio e 1º de junho.

Na primeira ocorrência, João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, próximo à faixa de areia. O menino permaneceu internado por mais de um mês e teve a perna esquerda amputada.

No dia seguinte, Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi atacada por um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ela teve a perna direita arrancada e foi encaminhada ao Hospital da Restauração, no bairro do Derby, onde permaneceu internada até 11 de julho, quando recebeu alta médica.

Recife Pernambuco Tubarão

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