Plantão Jamildo.com | Publicado em 07/05/2026, às 14h50
O Governo de Pernambuco intensificou as ações de monitoramento e identificação de áreas críticas afetadas pelas chuvas dos últimos dias com o objetivo de executar intervenções emergenciais e reduzir os impactos de novos alagamentos e inundações. Técnicos da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento (SRHS), da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) estão realizando vistorias em rios, canais e comunidades ribeirinhas da Região Metropolitana do Recife e das zonas da Mata Norte e Sul.
As inspeções se concentram na identificação de pontos de estrangulamento em rios — locais onde há obstruções ou redução da calha — considerados fatores que dificultam o escoamento da água durante períodos de chuva intensa. Entre as medidas estudadas pelo governo estadual estão a retirada de sedimentos, pequenos alargamentos de trechos dos rios e ações de drenagem urbana.
Na Região Metropolitana do Recife, equipes da SRHS estiveram em áreas da bacia dos rios Beberibe e Tejipió, atingidas pelos temporais registrados desde a última sexta-feira (1º). As vistorias ocorreram em bairros como Santo Amaro, Arruda, Cajueiro, Porto da Madeira, Curado, Cavaleiro, Coqueiral, Sancho, Tejipió, Imbiribeira, Estância e Ipsep. Segundo o governo, em algumas localidades o nível da água chegou a alcançar até 1,5 metro dentro das residências, além de provocar interdições em vias e pontes.
De acordo com o secretário de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo, o Estado já trabalha na elaboração de projetos para obras emergenciais e estruturantes. “O Governo do Estado já está elaborando os projetos e buscando recursos para viabilizar as intervenções. A expectativa é implementar ações que reduzam os danos à população no curto e médio prazo. Nos próximos dias, algumas dessas intervenções já deverão começar”, afirmou.
Na Mata Norte, técnicos realizaram levantamentos nos municípios de Vicência e Aliança. Em Vicência, as equipes vistoriaram o Rio Sirigi para avaliar danos causados pelas chuvas e discutir alternativas de contenção e drenagem. O secretário executivo de Infraestruturas de Concessão do Saneamento da SRHS, Felipe Alves, informou que a análise inclui a avaliação da calha do rio e possíveis soluções de infraestrutura urbana. “Estamos apoiando o município na definição de ações de restauração e reconstrução, além de estudar medidas para reduzir os impactos das cheias”, declarou.
O prefeito de Vicência, Éder Waltter, acompanhou as inspeções e destacou a importância do suporte técnico estadual. “O município não dispõe dessa capacidade técnica, e esse apoio chega em um momento importante para orientar soluções mais eficazes”, afirmou.
Já na Mata Sul, a Apac realizou vistoria técnica em Vitória de Santo Antão para avaliar os efeitos hidrológicos das chuvas registradas nos dias 1º e 2 de maio. O levantamento identificou como área de maior vulnerabilidade a comunidade Campo do Treze, no bairro do Livramento, às margens do Rio Tapacurá.
Segundo o diagnóstico, o rio atingiu cota elevada durante as chuvas, aproximando-se das residências, mas sem registro de danos significativos nesta ocorrência. O estudo também apontou que o leito do rio apresenta condições consideradas regulares, sem grande acúmulo de sedimentos. Por outro lado, foram identificados obstáculos que reduzem a vazão da água, entre eles estruturas de pontes — especialmente na antiga BR-232 — e ocupações irregulares próximas à Ponte do Amparo.
A avaliação técnica do governo estadual indica que, a médio prazo, poderá ser necessária a remoção de famílias instaladas em áreas de risco, além da retirada de construções que comprometem o fluxo do rio. Entre as recomendações de longo prazo está a ampliação de pontes para melhorar a capacidade de escoamento.
O secretário Almir Cirilo afirmou ainda que o Estado segue mobilizado para obter recursos federais destinados a obras de contenção de enchentes, recuperação de rodovias, estabilização de encostas, macrodrenagem e habitação de interesse social. Segundo ele, o governo também atua para viabilizar medidas emergenciais para moradores afetados, como a liberação do saque do FGTS nos municípios atingidos.