Aliados políticos de Humberto Costa, que é médico, deram pronunciamentos a favor da produção e distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 21/09/2026, às 09h35
Pós-graduado em Medicina, o senador Humberto Costa (PT) é a favor da distribuição de canetas emagrecedoras por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Recentemente, aliados políticos do parlamentar, como o presidente Lula (PT) e os candidatos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PDT), deram pronunciamentos a favor de que a União e o Estado de Pernambuco dedicassem investimentos no equipamento para combater a obesidade.
João e Marília prometeram viabilizar recursos na ordem de R$ 100 milhões para que o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco Governador Miguel Arraes (Lafepe) passasse a produzir os medicamentos, enquanto Lula falou sobre iniciar a distribuição das canetas emagrecedoras a pacientes do SUS.
Humberto Costa ainda não havia se pronunciado sobre o assunto. Por isso, o site Jamildo.com consultou o parlamentar, que se disse a favor da política de saúde, mas alertou para cuidados necessários.
Pós-graduado em Medicina Geral Comunitária, Clínica Médica e Psiquiatria, ele comenta que o medicamento foi inicialmente projetado para pessoas com diabetes tipo II e que a perda de gordura é uma consequência da medicação e não a finalidade principal.
"São medicamentos bons que protegem o coração, rim, fígado e diminuem a vontade de beber... Ele reduz gordura, mas também reduz massa magra... Ainda não há tempo suficiente para saber todos os efeitos colaterais dos medicamentos", pontuou.
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De acordo com ele, o Governo Federal vem desenvolvendo estudos sobre os possíveis impactos do equipamento antes de iniciar a distribuição. "O governo está na linha correta. Não vai sair distribuindo a todo custo... Se for aprovado e feito sob orientação médica, pode ser um grande avanço", disse.
A questão econômica também é fator importante no planejamento da União. Fatores como a queda de patentes possibilitam impacto financeiro menor em um possível investimento na medicação.
Em 2025, o Comitê de Medicamentos do Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) se posicionou contra a medida por conta do valor que custaria, apontando cerca de R$ 7 bilhões em cinco anos. A estimativa, porém, foi antes da queda de patentes, como a da Ozempic.
A caneta da Ozempic, segundo o=Humberto Costa, custava aproximadamente R$ 900, mas hoje, com diversos laboratórios produzindo no país, caiu para cerca de R$ 300, em média.
O cálculo ainda envolve a substituição da bariátrica, quando em casos de pacientes com obesidade mórbida. O senador afirmou que o Governo Federal estuda a relação de custo-benefício entre os dois medicamentos.
Sobre a produção própria das canetas, Humberto Costa disse não saber se a pauta é de interesse do Governo Federal.