Senadora do PT comentou especulações sobre o debate de sucessão de Lula para 2030 e defendeu protagonismo do partido no campo da esquerda
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 16/05/2026, às 12h19
Teresa Leitão criticou debate antecipado sobre sucessão de Lula
Senadora citou João Campos e Guilherme Boulos no cenário político
Parlamentar afirmou que o PT precisa manter protagonismo nacional
Teresa relembrou papel de Eduardo Campos na política nacional
A senadora Teresa Leitão (PT) criticou as articulações antecipadas em torno da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o debate sobre nomes para 2030 representa, em parte, um desrespeito ao atual chefe do Executivo. A declaração foi dada durante entrevista ao PodJá, podcast do Jamildo.
Ao comentar especulações sobre possíveis herdeiros políticos de Lula, entre eles o ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, e o ministro Guilherme Boulos (PSOL), Teresa afirmou que existe no ambiente político uma pressão precoce em torno da sucessão presidencial.
“Existe na política um preconceito que é o mais cruel de todos: o etarismo. Eu mesma sofro disso. É como se a gente que está ficando mais velho tivesse que ter um tempo de aposentadoria da política. Quem aposenta a gente é a urna”, declarou.
Segundo a parlamentar, o debate sobre a sucessão ocorre antes mesmo da definição do cenário eleitoral de 2026. Ela ressaltou que Lula já indicou que a próxima disputa presidencial deve sua última candidatura, mas avaliou que setores políticos antecipam a discussão sobre quem assumirá a liderança do campo progressista após o petista.
“A pergunta que não quer calar é: quem vai suceder Lula? Daqui a quatro anos a gente vai ver”, afirmou. Teresa também citou o ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva ao defender que o protagonismo político do campo governista deve permanecer vinculado ao PT. “O sucessor de Lula é o PT. Quem será?”, disse.
Durante a entrevista, a senadora afirmou que o partido precisa manter organização interna, atualização programática e unidade para continuar ocupando posição central na política nacional no período pós-Lula. Segundo ela, o protagonismo petista não depende exclusivamente da disputa por cargos majoritários.
“As pessoas dizem que o PT não é protagonista em Pernambuco porque nunca mais disputou uma eleição majoritária. Não é só isso que faz protagonismo. Isso influi, mas protagonismo tem outras facetas”, declarou.
Teresa também comentou a possibilidade de filiação de Guilherme Boulos ao PT. Segundo ela, há discussões internas envolvendo integrantes do grupo político ligado ao parlamentar do PSOL após o processo eleitoral interno da legenda.
“Boulos pode vir para o PT, segundo eu soube. Depois da eleição, o grupo de Boulos, que foi derrotado na questão interna, pode vir para o PT”, afirmou.
Na entrevista, a senadora relacionou o movimento ao grupo político da vereadora do Recife Jô Cavalcanti e citou a atuação do mandato coletivo Juntas na Assembleia Legislativa de Pernambuco, entre 2018 e 2022. Segundo Teresa, a experiência teve impacto no ambiente político da Casa.
“Aquele mandato da Juntas rompeu barreiras na Alepe. Tanto do ponto de vista da performance quanto de romper com o conservadorismo”, afirmou.
Ao tratar da sucessão presidencial no campo da esquerda, Teresa Leitão também relembrou o papel do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos no cenário político nacional. Segundo ela, Eduardo chegou a ser considerado por setores do PT como possível sucessor de Lula, mas optou por seguir em outro caminho político diante de divergências com a então presidente Dilma Rousseff.
“Na proposta de setores majoritários do PT, Eduardo seria o vice de Dilma no segundo governo para depois ser o presidente. Como não havia uma confiança mútua, ele não aceitou e preferiu se lançar separadamente”, declarou.
A senadora concluiu afirmando que o PT não pretende permanecer indefinidamente no comando do país e defendeu o fortalecimento da democracia brasileira. “O PT não vai governar o Brasil a vida inteira. Ninguém faz isso, só em ditadura. E nós queremos que nossa democracia se aperfeiçoe cada vez mais”, disse.