Lulinha e Lucsinger são alvos da PF na investigação dos descontos do INSS; já Flávio Bolsonaro seria suspeito por relações com Daniel Vorcaro e advogado alvo do STF
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 20/10/2026, às 08h14
A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), comunicou na segunda-feira (19) que vai assinar favoravelmente aos pedidos de abertura de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar possíveis irregularidades envolvendo o filho do presidente Lula (PT), Fábio Luís Lula da Silva, Roberta Luchsinger e o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
As investigações aos nomes, porém, tratam de processos diferentes. A possível comissão sobre Lulinha e Luchsinger trata do escândalo de descontos indevidos no INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). Já um eventual inquérito sobre o candidato do PL à presidência teria como foco os repasses financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
O processo sobre o caso do roubo aos aposentados também busca apurar possíveis envolvimentos de agentes públicos em benefício de interesses privados. A CPMI sobre Flávio e o Master, por outro lado, ainda investigaria supostas relações financeiras entre o senador e o advogado Willer Tomaz, alvo de inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro.
O anúncio da senadora acontece junto ao momento em que o presidente Lula confirmou publicamente que vai entregar, nesta terça-feira, autorização para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quebre seu sigilo telefônico e bancário dele e de seus familiares. A medida do petista já havia sido proposta durante o debate com o senador do PL no último domingo (18). Lula desafiou Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo, mas o senador ainda não deu posição final sobre se vai acatar a proposta.
"O governo do presidente Lula mantém compromisso permanente com a ética, a transparência e o combate à corrupção [...] Coerente com esses princípios, a base do governo no Congresso Nacional será orientada a apoiar a criação das duas CPMIs", afirmou Teresa Leitão.
Às vésperas do primeiro debate da eleição presidencial, a CNN entrevistou Roberta Luchsinger, diretora da RL Consultoria e Intermediações e alvo de investigações da Polícia Federal sobre o caso de descontos indevidos no INSS.
Entre vários pontos da entrevista, ela afirmou que o filho do presidente costumava se reunir com ministros para tratar de assuntos do governo e de negócios privados. Ambos, Luchsinger e Lulinha, são investigados por suposto tráfico de influência.
A defesa de Lulinha afirmou que o filho do presidente apenas mantinha relações pessoais com os membros do Governo Federal.