Raquel x João: o que mudará em abril com governadora e prefeito do Recife candidatos

Lei eleitoral muda cenário político de Pernambuco e do Recife para que João Campos e Raquel Lyra possam disputar Palácio

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 29/01/2026, às 07h40 - Atualizado às 07h52

Da vista de baixo para cima, a imagem de um prédio
Palácio do Campo das Princesas, no centro da capital pernambucana - Reprodução

Com a candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco em 2026, ele precisará renunciar à Prefeitura do Recife até abril, abrindo espaço para o vice Victor Marques assumir o cargo.

Há expectativa de que Victor migre do PCdoB para o PSB para manter a capital sob controle do partido.

João Campos seguirá como presidente nacional do PSB, enquanto o Recife ficará sem vice-prefeito durante o período eleitoral.

No Estado, Raquel Lyra pode disputar a reeleição sem renunciar, com restrições previstas na lei eleitoral.

As regras de sucessão podem levar a um cenário inédito, em que o presidente do TJPE seja chamado a substituir simultaneamente o governador e o prefeito do Recife.

Com a confirmação da candidatura de João Campos (PSB) para governador em 2026 e a candidatura de Raquel Lyra (PSD) à reeleição, o cenário político-administrativo necessariamente vai mudar a partir de abril.

As principais mudanças se darão na Prefeitura do Recife.

Para ser candidato, o prefeito João Campos (PSB) precisa renunciar até o início de abril, prazo de desincompatibilização da lei eleitoral.

Assumirá então como prefeito do Recife o atual vice-prefeito, Victor Marques (PCdoB).

Victor Marques é engenheiro civil e foi eleito para o cargo de vice-prefeito do Recife ao lado de João Campos, em 2024. Formado pela Universidade de Pernambuco (UPE), Victor Marques compartilha não apenas a mesma profissão que João Campos, mas também é seu amigo pessoal de total confiança.

Nas eleições de 2024, a escolha de Victor Marques pelo PCdoB foi apenas para reforçar a aliança eleitoral de João Campos.

Nos bastidores, há a expectativa de que Victor Marques anuncie a filiação ao PSB, para a legenda manter o espaço político de ocupar uma capital.

Fora do cargo de prefeito, João Campos não fica sem uma função política de destaque. João continua como presidente nacional do PSB, função que ocupa desde 2025.

Recife ficará sem vice-prefeito. Nas ausências do Recife, Victor Marques poderá ser substituído pelo presidente da Câmara do Recife, Romerinho Jatobá (PSB), que está na linha de sucessão.

Na ausência de Romerinho, a substituição caberá ao presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), conforme a atual Lei Orgânica do Recife.

Como Romerinho deve ser candidato a deputado estadual, o presidente do TJPE pode ser chamado a ser prefeito no período eleitoral.

No Estado, também haverão mudanças no período eleitoral, mas de menor impacto.

Segundo advogados eleitorais, a governadora Raquel Lyra (PSD) pode disputar a reeleição no cargo, sem renunciar, praticando quase todos os atos inerentes da função.

As únicas restrições são as previstas na lei eleitoral, como participar de inaugurações de obras e conceder aumentos aos servidores três meses antes das eleições.

Raquel poderá utilizar a estrutura de governadora para se deslocar pelo Estado em campanha, mediante ressarcimento financeiro do seu partido dos gastos, conforme autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A vice-governadora Priscila Krause poderá disputar qualquer cargo nas eleições de 2026, inclusive a reeleição como vice-governadora, desde que não assuma a titularidade interinamente seis meses antes da eleição. Nos bastidores, se fala que Priscila pode disputar para deputada federal, abrindo vaga na chapa para um partido aliado à Raquel.

O presidente da Assembleia, Álvaro Porto (PSDB), também não poderá assumir interinamente o Governo, caso seja candidato em 2026. Álvaro pode ser candidato a reeleição como deputado estadual ou até vice de João Campos.

Nos dois casos, Álvaro fica inelegível se assumir como governador seis meses antes da eleição. Caso Raquel viaje e passe o cargo, Álvaro também precisará se ausentar do Estado no período, segundo advogados eleitorais.

Assim, as ausências da governadora seis meses antes da eleição necessariamente precisaram ser supridas pelo presidente do Tribunal de Justiça, único nome na linha de sucessão que não disputará as eleições de 2026.

"Como o presidente do TJPE também está na linha de sucessão do prefeito do Recife, caso governadora e prefeito se licenciem ao mesmo tempo antes das eleições, teremos um inédito conflito constitucional do Brasil sobre que função o presidente do TJPE assume", arrisca um advogado eleitoral, ao analisar a situação, ao site Jamildo.com.

Assim, seis meses das eleições, teremos a governadora e o novo prefeito do Recife só podendo ser substituída, nas viagens, ambos pelo presidente do TJPE.