Com 97% das urnas apuradas, Raquel Lyra (PSD) atinge votação matemática no primeiro turno e garante a reeleição ao Governo de Pernambuco.
por Cynara Maíra
Publicado em 04/10/2026, às 20h59
Raquel Lyra (PSD) atingiu a margem matemática de votos no primeiro turno e garantiu a reeleição ao Governo de Pernambuco.
O resultado confirmou a permanência da gestora no Palácio do Campo das Princesas ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
A disputa foi marcada pela rivalidade histórica entre os grupos políticos de Arraes e Lyra, com embates sobre bets e representações judiciais.
João Campos (PSB) terminou a apuração em segundo lugar após ter renunciado ao comando da Prefeitura do Recife para a corrida estadual.
Com 97% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera matematicamente reeleita a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). A gestora superou o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e encerrou a disputa estadual no primeiro turno.
O resultado da apuração confirmou a vitória de Raquel Lyra com 52,92% dos votos válidos. O ex-prefeito do Recife ficou em segundo lugar, registrando 44,95% dos votos válidos.
Confira a votação dos candidatos ao Governo de Pernambuco:
A corrida pelo Palácio do Campo das Princesas em 2026 colocou em confronto os grupos políticos das famílias Arraes e Lyra, antigos aliados no estado que romperam relações em 2014.
O rompimento iniciou quando o ex-governador Eduardo Campos (PSB) escolheu Paulo Câmara como candidato à sua sucessão, preterindo o então vice-governador João Lyra Neto, pai de Raquel Lyra. Apesar do início do atrito, Raquel saiu do PSB apenas quando o partido não permitiu que ela concorresse à Prefeitura de Caruaru. Após o impasse, a gestora se filiou ao PSDB, sigla pela qual foi eleita e reeleita da cidade do Agreste.
Para a disputa de 2026, os dois principais palanques montaram coalizões amplas e disputaram apoios de legendas de centro e centro-direita:
No início de 2026, João Campos tinha ampla vantagem nas pesquisas, com possibilidade de vitória em primeiro turno. Por volta do mês de abril, Raquel conseguiu converter parte de sua aprovação positiva em voto, iniciando o processo de empate técnico. Apesar de ter conseguido virar numericamente, a maioria dos levantamentos manteve João e a governadora em empate, com alta possibilidade de vitória em primeiro turno para ambos.
Apenas ao fim da campanha, a partir da vinda do presidente Lula (PT) em Pernambuco e uma intensificação das mobilizações socialistas, João conseguiu virar numericamente em algumas pesquisas, mas ainda em amplo empate com a governadora. A pesquisa Quaest de terça-feira (29), por exemplo, colocou João e Raquel com 42% dos votos, cada.
O nome de Lula, inclusive, foi foco de ambas as campanhas em Pernambuco. Por ser um estado que majoritariamente vota no petista, tanto João quanto Raquel gostariam de se conectar com esse eleitorado. Para evitar prejudicar o apoio dos grupos mais à direita, a governadora preferiu a neutralidade, chamando-se de "pernambuquista", mas adicionando Túlio Gadelha em sua chapa ao Senado e elogiando Lula para manter uma conexão com o presidente.
Enquanto Raquel preferiu maior neutralidade, João Campos decidiu abraçar o eleitorado mais à esquerda, com uma chapa lulista e a demarcação de território em relação ao petista, a partir de vídeos de apoio do presidente e um grande ato no Marco Zero, às vésperas da eleição.
Com diversas ações judiciais e acusações mútuas de operação de "gabinetes do ódio" nas redes sociais, a corrida eleitoral registrou diversos ataques e contraataques com revelações na imprensa e na justiça.
Nos debates em emissoras de rádio e televisão, o tema das empresas de apostas eletrônicas (bets) concentrou os principais embates. Raquel Lyra acusou a gestão de João Campos na Prefeitura do Recife de ter concedido incentivos fiscais e reduzido impostos para empresas do segmento. O ex-prefeito rebateu que a legislação recifense formalizou o setor e elevou a arrecadação do município, além de apontar a presença de anúncios de casas de apostas nos transportes geridos pelo governo estadual.
Na reta final, o principal ponto contra a gestora foi a gravação de uma declaração de Raquel em 2025, quando citou que deveria ser feita uma laqueadura sem a paciente saber, por ela já ter sete filhos. A governadora pediu desculpas sobre o tema e defendeu ações ao público feminino, mas a pauta acabou sendo foco da campanha de João Campos no restante da eleição.
O candidato do PSOL, Ivan Moraes, adotou linha crítica às duas candidaturas majoritárias, apontando a dependência dos dois grupos em relação a acordos tradicionais no interior e defendendo propostas como tarifa zero no transporte metropolitano e o uso de câmeras corporais nas polícias.
Formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Raquel Lyra tem 47 anos, é viúva e mãe de dois filhos. Antes da vida pública partidária, atuou no Banco do Nordeste, foi delegada da Polícia Federal entre 2002 e 2005 e ingressou na Procuradoria-Geral do Estado (PGE-PE), onde chefiou o Apoio Jurídico e Legislativo no governo Eduardo Campos.
Sua primeira disputa eleitoral ocorreu em 2010, elegendo-se deputada estadual pelo PSB e assumindo a Secretaria da Criança e da Juventude de 2011 a 2012. Reelegeu-se para a Alepe em 2014, quando presidiu a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ).
Em 2016, após o PSB negar legenda para sua candidatura em Caruaru, filiou-se ao PSDB e venceu a disputa pela prefeitura municipal, sendo reeleita em 2020 no primeiro turno. Desincompatibilizou-se do cargo em abril de 2022 para concorrer ao Governo de Pernambuco, tornando-se a primeira governadora mulher eleita na história do estado ao vencer Marília Arraes no segundo turno.
Filiada ao PSD, disputou a reeleição ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD). Declarou patrimônio de R$ 359.498,33 à Justiça Eleitoral. O plano de governo para o segundo mandato foca na entrega de 250 creches públicas, ampliação da rede de ensino integral, expansão de leitos hospitalares, manutenção da Tarifa Única na Região Metropolitana, conclusão da duplicação da BR-232, implantação do Arco Metropolitano e contratação de policiais para a segurança pública.