Após Raquel Lyra captar mais um prefeito para o PSD, João Campos afirmou que monta a maior frente de oposição em uma eleição em Pernambuco
por Cynara Maíra
Publicado em 02/07/2026, às 07h48 - Atualizado às 09h24
Após a governadora Raquel Lyra (PSD) filiar ao seu partido o prefeito de Quipapá, Pité, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB) minimizou o volume de apoios de prefeitos da governadora.
O posicionamento ocorreu durante visita do socialista ao Sertão do Pajeú, região com a maior concentração de lideranças da Frente Popular no interior do estado. Na ocasião, João Campos minimizou a força dos cerca de 150 gestores municipais que declararam apoio à reeleição da governadora.
“Eu tenho muito respeito aos prefeitos, até porque eu fui prefeito, mas a gente sabe que não é isso que define eleição. O apoio de lideranças a um projeto político só é efetivo se tiver conexão com o sentimento real do povo. A própria governadora ganhou a eleição tendo o apoio de oito prefeitos em todo o estado. Quando meu pai foi candidato lá atrás e ganhou a eleição, eu acho que ele tinha algo em torno de 13 ou 15, e desses, 8 eu acho que eram do Pajeú. Ele praticamente não tinha prefeito fora do Pajeú e ganhou a eleição. Eu tenho certeza que a gente vai construir uma caminhada vitoriosa nessa eleição”, afirmou João Campos.
Segundo o levantamento do Jamildo.com sobre o apoio dos prefeitos, Raquel Lyra está com 142 prefeituras e João 40. Entre as cidades de maior porte do estado a situação é mais equilibrada: o socialista fica com seis prefeitos, Raquel com oito. Como o prefeito de Ipojuca ainda não se pronunciou, mas tende a ficar com João, a situação deve ficar oito contra sete, com vantagem para Raquel Lyra. Veja os índices:
Desde que se filiou ao PSD, Raquel conseguiu trazer ao longo de pouco mais de um ano 60 novos gestores para a legenda, incluindo 11 nomes do PSB.
Apesar de Raquel ter um maior volume de prefeitos, é importante ressaltar que é comum que gestores municipais se aliem ao atual administrador estadual, que detém a máquina pública. A influência do prefeito no voto do eleitor também depende do nível de aprovação do gestor e até do nível de dependência de um município aos empregos de gestão pública (locais mais dependentes de cargos em prefeituras tendem a votar mais alinhados com o político que lidera o local).
Um exemplo foi o próprio PSB, que tinha a maioria dos municípios em 2022 e não chegou ao segundo turno da eleição. O candidato do governador Paulo Câmara, o então deputado Danilo Cabral (PSB), ficou em quarta posição.
Desde que renunciou ao cargo de prefeito do Recife, em 2 de abril, o político faz andanças pelo estado, especialmente o interior. Os locais em que passa não são apenas cidades aliadas, mas também espaços majoritariamente aliados da governadora. A ideia seria fortalecer as bases de oposição nos municípios em que passa, além de garantir maior contato com o eleitorado.