Em sabatina com Jamildo Melo, João Campos defendeu participação direta do Estado na Transnordestina e estimou R$ 5 bilhões para duplicação de rodovias
por Jamildo Melo
Publicado em 22/09/2026, às 15h37
João Campos defendeu no PodJá que Pernambuco participe diretamente da execução da Transnordestina entre Salgueiro e Suape
O candidato estimou cerca de R$ 5 bilhões para duplicação de rodovias e apresentou propostas para saúde, educação, segurança e abastecimento de água
João também prometeu ampliar o Pé-de-Meia, interiorizar serviços de alta complexidade e realizar 10 mil intervenções em áreas de morro na Região Metropolitana
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) participou, nesta terça-feira (22), de sabatina no PodJá, com o jornalista Jamildo Melo.
Durante a entrevista, João detalhou propostas para infraestrutura, saúde, educação, segurança pública e abastecimento de água. Entre os principais pontos, defendeu que o Governo de Pernambuco participe diretamente da execução da Transnordestina e estimou investimentos de cerca de R$ 5 bilhões na duplicação de rodovias.
Um dos principais temas da sabatina foi a Transnordestina. João Campos defendeu que Pernambuco assuma papel direto na execução do trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape.
Segundo o candidato, o Estado deveria negociar com o Governo Federal um modelo no qual a União financiasse a maior parte da obra e Pernambuco participasse da execução e da contrapartida financeira.
“O modelo que tem que acontecer é Pernambuco pedir a Transnordestina ao Governo Federal para fazer a concessão. O Governo Federal pode bancar 80% ou 90% do valor da obra e o Estado entrar com a outra parte para executar”, afirmou.
João também defendeu duas frentes simultâneas de obras, partindo do Sertão e de Suape, além da definição de um operador para a ferrovia.
“A obra tem que acontecer em duas frentes, uma do Sertão para o Porto e outra do Porto para o Sertão. Ao mesmo tempo, precisamos modelar uma concessão para um operador ferroviário operar a ferrovia”, disse.
Para o candidato, a Transnordestina deve ser tratada como projeto estratégico para integrar as cadeias produtivas pernambucanas.
“Se ela vem para o Estado de Pernambuco, ela é uma obra de Pernambuco. É uma obra que todos os dias você tem que cuidar dela”, afirmou.
Na infraestrutura, João Campos estimou em cerca de R$ 5 bilhões os investimentos necessários para um programa de duplicação de rodovias e integração dos principais polos produtivos do Estado.
Segundo ele, a melhoria da infraestrutura será necessária para Pernambuco manter competitividade na atração de investimentos diante das mudanças provocadas pela reforma tributária.
“Pernambuco precisa correr mais rápido do que os seus concorrentes. Quando a gente perde o incentivo fiscal, precisa ter uma agenda de infraestrutura muito bem montada e rápida”, afirmou.
A proposta é melhorar as ligações entre o Litoral Norte, Zona da Mata, Agreste e Sertão.
Na educação, João defendeu a expansão da rede estadual de escolas técnicas e a interiorização da Universidade de Pernambuco (UPE).
O candidato relacionou a formação profissional à estratégia de atração de investimentos.
“Primeiro tem que ter uma estratégia de formação de capital humano. Sem escola técnica, não tem campo econômico. A gente precisa formar as pessoas para que elas possam ocupar os empregos que vão chegar”, disse.
João citou como referência o Embarque Digital, programa implantado no Recife para formação de jovens na área de tecnologia.
O candidato também voltou a defender novas modalidades do programa Pé-de-Meia em Pernambuco: Pé-de-Meia Férias, Pé-de-Meia Técnico e Pé-de-Meia Empreendedor.
Além disso, prometeu retomar o pagamento do 13º do Bolsa Família no Estado.
Para o interior, João citou a proposta de construção de um campus da UPE no Sertão de Itaparica e a requalificação do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), com foco em pesquisa, extensão e assistência aos pequenos produtores.
Na saúde, João Campos afirmou que pretende ampliar os serviços de alta complexidade no interior para reduzir o deslocamento de pacientes até o Recife.
“Hoje, quem está em Serra Talhada e precisa fazer quimioterapia pode passar oito horas em um ônibus para chegar ao Recife. A gente precisa mudar essa lógica”, afirmou.
A proposta, segundo ele, é estruturar hospitais de alta complexidade de forma que os pacientes possam encontrar atendimento a uma distância de até duas horas.
Entre as medidas citadas estão centros de oncologia em Serra Talhada e Araripina, além da expansão de serviços de hemodinâmica, cardiologia e oncologia no interior.
O abastecimento de água também entrou na lista de prioridades apresentadas pelo candidato.
João defendeu investimentos na produção hídrica, com construção de barragens, adutoras e outras obras destinadas a ampliar a disponibilidade de água.
“O maior problema de água em Pernambuco é a produção de água. Não adianta ter um cano na frente da casa se a água não chega”, afirmou.
Segundo ele, a expansão da rede de distribuição precisa ser acompanhada do aumento da capacidade de produção.
Na segurança pública, João Campos defendeu integração entre as forças estaduais e federais e maior foco no combate às organizações criminosas.
O candidato citou controle das divisas estaduais, rastreamento do dinheiro do crime, fortalecimento da investigação da Polícia Civil e atuação conjunta com Polícia Federal e Receita Federal.
“Não existe um botão que você aperta para fazer um Estado mais seguro. São ações integradas. Precisamos combater as facções, controlar as divisas, rastrear o dinheiro do crime com a Secretaria da Fazenda”, afirmou.
João também voltou a defender uma estrutura estadual especializada no combate aos crimes cibernéticos e a ampliação da presença policial no interior e nas periferias.
João Campos também afirmou que pretende levar para outros municípios da Região Metropolitana do Recife políticas de urbanização, drenagem e proteção de encostas adotadas durante sua gestão na Prefeitura do Recife.
Entre as propostas citadas estão 10 mil intervenções em áreas de morro e a implantação de mil ruas.
“Como governador, nosso compromisso é fazer 10 mil obras na Região Metropolitana na área de morro, levar a implantação de mil ruas e ampliar para outras cidades o programa de infraestrutura e resiliência urbana que fizemos no Recife”, afirmou.
Ao encerrar a sabatina, João Campos disse que pretende concentrar uma eventual gestão estadual na execução das propostas apresentadas.
“O governante não tem que ser um comentarista de problema. Ele tem que ser um resolvedor de problemas. Tem que diagnosticar, dizer qual é o problema, mas apresentar como vai resolver”, declarou.