Comércio, serviços e turismo pressionam Senado e pedem adiamento da votação da PEC 6x1

CNC e entidades do comércio, serviços e turismo alegam risco de aumento de custos, preços e informalidade com mudança na jornada de trabalho

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 31/08/2026, às 16h11 - Atualizado às 16h54

Imagem Comércio, serviços e turismo pressionam Senado e pedem adiamento da votação da PEC 6x1

CNC e entidades filiadas lançaram campanha contra a votação da PEC da escala 6x1 antes das eleições.

Setor produtivo aponta riscos de aumento de custos, preços e informalidade.

Entidades defendem que mudanças na jornada sejam negociadas entre trabalhadores e empregadores.

Fecomércio-PE pede cautela e avaliação dos impactos sobre empresas e empregos.

Entidades do setor terciário lançaram campanha nacional para pedir que mudanças na jornada de trabalho sejam discutidas após as eleições de 2026. A iniciativa é liderada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em conjunto com suas 34 federações e sindicatos filiados.

A mobilização foi realizada com o lema: “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não.”

O movimento ocorre diante do avanço, no Senado Federal, das discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. As entidades defendem que uma eventual alteração constitucional não seja votada antes das eleições e que o tema seja submetido a uma discussão mais ampla entre trabalhadores, empregadores e representantes do setor produtivo.

Setor aponta impacto sobre custos e empregos

A CNC afirma que uma mudança na jornada neste momento poderia elevar os custos operacionais das empresas e gerar efeitos sobre preços, contratação e informalidade. Segundo a entidade, mais de 90% dos trabalhadores do setor terciário estão atualmente submetidos à escala 6x1.

O setor também cita como fatores de pressão sobre a atividade econômica os juros elevados, o custo e a restrição do crédito, o endividamento das famílias, a inadimplência empresarial, a redução de investimentos e a saída de empresas estrangeiras do país.

Na avaliação da CNC, a elevação dos custos decorrente da alteração da jornada poderia ser repassada aos preços dos produtos e serviços, com impacto sobre a inflação. A entidade também prevê possíveis efeitos sobre a oferta de vagas formais e o nível de informalidade.

Outro ponto mencionado pela confederação é a chamada “Taxa das Blusinhas”, relacionada à tributação de compras internacionais de pequeno valor. A CNC sustenta que o modelo atual cria uma diferença de custos entre empresas nacionais e produtos importados diretamente por consumidores.

CNC defende negociação coletiva

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que o setor não é contrário à discussão sobre as condições de trabalho, mas defendeu que eventuais mudanças sejam precedidas por estudos e negociações.

“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais”, afirmou.

Tadros também criticou a possibilidade de uma mudança constitucional ser aprovada de forma acelerada durante o período que antecede as eleições.

“Votarmos esta alteração constitucional drástica nas relações de trabalho, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais de toda a cadeia produtiva”, disse.

Para o dirigente, a negociação coletiva seria o mecanismo mais adequado para estabelecer diferentes modelos de jornada de acordo com as características de cada atividade e região. “O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e setor. Agora é o momento de preservar a economia e garantir a segurança jurídica do País”, completou.

Fecomércio-PE também pede cautela

O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, Bernardo Peixoto, também defendeu que a discussão sobre a jornada seja conduzida de forma gradual e com participação de trabalhadores e empregadores. “É preciso discutir esse tema com muita cautela, porque qualquer mudança na jornada de trabalho provoca impactos diretos sobre os custos das empresas, a geração de empregos e os preços para o consumidor”, afirmou.

Segundo Peixoto, as particularidades de cada atividade econômica devem ser consideradas antes de uma eventual mudança nas regras. “Defendemos que esse debate seja conduzido com responsabilidade, ouvindo trabalhadores e empregadores e considerando as particularidades de cada atividade econômica. Uma decisão precipitada pode trazer consequências graves, sobretudo para as micro e pequenas empresas, que são responsáveis por grande parte dos empregos no País”, declarou.