Frente Popular pede que PF investigue origem, financiamento e alcance de mensagens contra João Campos enviadas por diferentes números no WhatsApp
por Jamildo Melo
Publicado em 25/09/2026, às 09h32 - Atualizado às 09h53
A Frente Popular acionou a Polícia Federal para investigar supostos disparos em massa contra João Campos pelo WhatsApp
A coligação aponta mensagens padronizadas com ataques e informações que classifica como falsas e pede identificação de responsáveis e financiadores
O caso é mais um capítulo da disputa jurídica entre as campanhas de João Campos e Raquel Lyra na reta final da eleição
A Frente Popular de Pernambuco, coligação do candidato ao Governo do Estado João Campos (PSB), acionou a Polícia Federal para pedir a investigação de supostos disparos em massa de propaganda eleitoral negativa pelo WhatsApp.
A representação foi protocolada nesta quinta-feira (24) e aponta o envio de mensagens padronizadas por diferentes números e perfis. Segundo a coligação, o conteúdo contém acusações e informações falsas sobre João Campos, inclusive sobre sua relação política com o presidente Lula (PT).
A campanha do socialista sustenta que o padrão das mensagens levanta suspeitas de uma ação coordenada, em vez de manifestações espontâneas de eleitores.
A denúncia também menciona reportagens publicadas durante a campanha sobre supostos pagamentos por Pix para estimular comentários e críticas nas redes sociais. A eventual relação entre esses episódios e as mensagens no WhatsApp é um dos pontos que a coligação pretende ver investigados.
Na representação, a Frente Popular pede que a Polícia Federal abra procedimento para identificar a origem dos disparos, os responsáveis pela produção e distribuição do conteúdo e eventuais financiadores.
A coligação também solicita que seja apurado o número de pessoas alcançadas e que sejam preservadas provas digitais junto às plataformas.
Conforme já informado por especialistas ao site Jamildo.com, a legislação eleitoral estabelece restrições ao disparo em massa de mensagens instantâneas e à contratação desse tipo de serviço sem consentimento dos destinatários.
As suspeitas apresentadas pela Frente Popular ainda dependem de investigação. O protocolo da representação não significa que a Polícia Federal tenha confirmado a existência de uma operação coordenada nem a responsabilidade de pessoas ou grupos específicos.
O novo pedido à PF ocorre em uma campanha marcada por sucessivos confrontos jurídicos entre os grupos de João Campos e da governadora Raquel Lyra (PSD).
No fim de agosto, o TRE-PE determinou a retirada de publicações que associavam João Campos e seu grupo à produção e distribuição de panfletos apócrifos contra Raquel Lyra. A Justiça Eleitoral considerou que não havia elementos suficientes para sustentar a atribuição de autoria.
No mesmo período, o tribunal também mandou retirar conteúdos que relacionavam Raquel a ataques contra João Campos. As decisões fizeram parte de uma sequência de processos envolvendo materiais anônimos, acusações de atuação digital coordenada e tentativas de responsabilizar os grupos adversários pela produção de propaganda negativa.
Já em setembro, a disputa avançou para o horário eleitoral. Raquel Lyra obteve direito de resposta após propaganda da Frente Popular sobre seu salário como procuradora e sua declaração de patrimônio. O TRE-PE apontou descontextualização de informações apresentadas na peça.
Nesta semana, foi a vez de João Campos conseguir decisão favorável. O TRE determinou que a campanha de Raquel concedesse ao socialista 195 inserções de 30 segundos no rádio e na televisão por causa de propaganda que o associava a supostas irregularidades em concurso público, no episódio chamado pela campanha adversária de "fura-fila".
O tribunal também já rejeitou pedidos apresentados durante a campanha. Em setembro, por exemplo, negou direito de resposta a João Campos contra uma propaganda que o associava à gestão do ex-governador Paulo Câmara, por entender que a peça estava dentro dos limites da crítica eleitoral.
Com a proximidade do primeiro turno, a disputa entre João Campos e Raquel Lyra passou, assim, a ocorrer simultaneamente nas ruas, no horário eleitoral, nas redes sociais e nos tribunais.
Na nova representação, a Frente Popular afirma que os supostos disparos pelo WhatsApp podem configurar infrações eleitorais e pede que a investigação identifique possíveis produtores, operadores e financiadores da estrutura.
O pedido foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco.
A coligação também solicita a preservação dos registros digitais relacionados às mensagens para permitir eventual responsabilização nas esferas eleitoral, cível ou criminal.
Até o momento, os elementos apresentados representam acusações da campanha de João Campos e precisarão ser submetidos à apuração das autoridades competentes.