Campanha de João Campos alega que Raquel Lyra recebeu salário que somaria mais de R$ 2 milhões; campanha governista nega irregularidades

Após João Campos afirmar que Raquel Lyra era "fura teto", campanha do socialista acusou governadora sobre salário. Equipe de Raquel nega irregularidades

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 11/09/2026, às 11h26 - Atualizado às 12h20

Governadora Raquel Lyra e prefeito do Recife, João Campos
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Após o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) chamar a governadora Raquel Lyra (PSD) de "fura teto" durante o debate da Rádio Cidade nesta sexta-feira (11), a campanha do socialista apresentou registros salariais da gestora para embasar a alegação do ex-prefeito do Recife. 

A declaração de João gerou um direito de resposta para governadora Raquel Lyra. Com um minuto para falar sobre o tema, Raquel disse que: 

"Dediquei a minha vida a servir ao povo e escolhi ser servidora pública. Estudei muito para isso. Todo mundo que me conhece sabe de perto o quanto eu me dediquei a minha vida inteira ao que eu faço. Eu me preparei para estar aqui, para cada cargo que exerci. Como deputada, como prefeita e como governadora, agora eu posso servir mais ao meu povo. De maneira honesta. Eu recebo o meu dinheiro de maneira honesta. Eu nunca fui sócia de negócio, não tenho investigações contra mim". 

Além da fala da governadora Raquel Lyra no próprio debate, o Jamildo.com procurou a assessoria da gestora para pedir uma posição. Em nota, a equipe da gestora negou que Raquel receba remuneração acima do teto constitucional. 

"Ao assumir o Governo de Pernambuco, Raquel optou por não receber o subsídio de governadora e manteve exclusivamente a remuneração do cargo efetivo de procuradora do Estado, conquistado por concurso público. Portanto, não há acúmulo de salários nem soma de remunerações.

A opção está prevista no art. 6º da Lei Estadual nº 18.139/2023, norma geral e impessoal, aprovada pela Assembleia Legislativa e atualmente em vigor.

A tentativa de apresentar uma única remuneração como acúmulo é falsa e busca confundir o eleitor.

Pernambuco precisa discutir o que realmente importa: creches, hospitais, segurança e resultados. A campanha da governadora está pronta para esse debate", conclui a nota

O confronto no estúdio começou durante a tréplica do quarto bloco do debate. Na ocasião, o ex-prefeito do Recife afirmou que a adversária recebe proventos acima do teto constitucional e pediu a restituição de valores aos cofres públicos.

"Você sabia que a candidata Raquel é fura teto? Você sabia que a candidata que declarou R$ 1 na sua conta corrente recebe três vezes mais do que o salário do governador, que isso tem indícios claros de inconstitucionalidade. Se colocar tudo que recebeu nesse período dá mais de R$ 1 milhão de reais de forma inconstitucional, enquanto você tá trabalhando, buscando um emprego para poder segurar a sua família. Eu queria fazer um apelo à candidata Raquel, que ela pudesse devolver ao povo de Pernambuco esses de R$ 1 milhão de reais que foram recebidos de forma inconstitucional, furando o teto e afrontando a nossa Constituição", disse João Campos.

A banca de advogados da OAB deferiu o direito de resposta a Raquel Lyra logo no início do bloco seguinte. Em sua fala, a governadora relembrou sua trajetória profissional no serviço público. "Para você que está nos ouvindo, sabe muito bem da minha história. Eu, por concurso público, sem fura-fila, fui advogada do Banco do Nordeste, fui delegada da Polícia Federal e sou procuradora do Estado de Pernambuco desde 2005", declarou a candidata à reeleição, defendendo a legalidade e a transparência de suas remunerações.

Em material divulgado durante o encontro de rádio, a coordenação da campanha do PSB detalhou a planilha com base em consultas ao Portal da Transparência do Estado.

De acordo com a equipe de João Campos, a governadora acumulou R$ 2.211.744,08 brutos entre janeiro de 2023 e junho de 2026.

A oposição aponta que, no começo do mandato, o governo enviou projeto à Assembleia Legislativa que estabeleceu o subsídio de governador em R$ 22 mil, mas a gestora optou por continuar a receber o salário de procuradora do Estado, cargo efetivo que ocupa desde 2005 na Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Conforme o documento, a folha de pagamento recente da PGE registra remuneração base de R$ 50,7 mil, além de cerca de R$ 10,1 mil em adicionais, totalizando R$ 60,8 mil mensais.

A coligação governista se ampara na Lei Estadual nº 18.139/2023, que incluiu permissão expressa para que servidores públicos estaduais em mandato eletivo escolham entre os vencimentos de origem e o subsídio do cargo político. A campanha de João Campos, no entanto, contesta a validade jurídica da regra local. A oposição argumenta que o artigo 38 da Constituição Federal autoriza a opção remuneratória apenas para prefeitos e vereadores, sem estender o mecanismo a governadores.

Cita também trecho do Estatuto dos Funcionários Públicos de Pernambuco (Lei nº 6.123/1968), alegando risco de processo por improbidade administrativa.

Os adversários usaram os dados da folha salarial para explorar o patrimônio de R$ 359 mil registrado por Raquel Lyra junto à Justiça Eleitoral na eleição de 2026.

A campanha socialista apontou contraste entre os R$ 2,2 milhões recebidos em três anos e meio e o acréscimo patrimonial declarado de R$ 19 mil na comparação com o pleito de 2022, quando os bens somavam R$ 340 mil, voltando a ironizar o registro de R$ 1 em conta corrente bancária apresentado pela governadora.