Após aliança com o PT, João Campos segue defesa de Lula e alfineta para Raquel: "é inegociável ter lado"

João Campos defendeu o foco em governabilidade para Lula, citou perigos à democracia. Prefeito e aliados alfinetaram Raquel por suposta neutralidade

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 28/03/2026, às 18h18 - Atualizado às 19h12

Abraçados estão Carlos Veras, Humberto Costa, João Campos, Teresa Leitão, Marília Arraes, Carlos Costa. Todos sorriem
João Campos seguiu tese de defesa absoluta de Lula em evento do PT - Edson Holanda

O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco (PT-PE) oficializou na manhã deste sábado (28) o apoio à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado. O

encontro ocorreu no Teatro Beberibe, em Olinda, e registrou 90% de adesão à tese de aliança com os socialistas. Durante o evento, acompanhado de perto pelo jamildo.com, João Campos e seus aliados elevaram o tom contra a governadora Raquel Lyra (PSD) e reforçar sua identidade lulista.

A principal tese do evento foi de que o socialista estaria 100% ao lado de Lula e que teria um posicionamento de fidelidade a essa agenda. 

Em seu discurso, João Campos enfatizou que o projeto eleitoral de 2026 tem como prioridade garantir a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prefeito citou a necessidade de construir uma maioria democrática no Senado para enfrentar o avanço da extrema-direita. Ele defendeu que a política exige clareza e disparou críticas indiretas à gestão estadual. "É fundamental ter posição, mas é inegociável ter lado", afirmou o socialista.

João também relatou que ouviu questionamentos sobre sua chapa ser "muito lulista" no qual citou "ainda bem que a chapa é muito lulista, porque eu sou lulista". 

João Campos ainda utilizou uma metáfora para marcar o distanciamento da adversária. "Quem não sabe onde quer chegar todo caminho serve, mas esse time sabe onde quer chegar", disse o prefeito ao destacar que sua chapa é integralmente lulista.

Entre os aliados que falaram antes de João, a recém-chegada ao PT, deputada estadual Dani Portela (PT) afirmou que neutralidade na política não existe e que a história mostrará quem assumiu um lado.

Ela chegou a dizer que o PT não poderia estar no mesmo lado dos Collins e Tércio, famílias conservadoras que atualmente endossam o nome de Raquel Lyra. 

Marília Arraes critica Raquel Lyra e suposta neutralidade

As alfinetadas contra Raquel Lyra ganharam força com a participação de Marília Arraes (PDT). A ex-deputada, que agora integra a chapa para o Senado ao lado de Humberto Costa, ironizou a postura da governadora perante o cenário nacional. Marília afirmou que "quem fica em cima do muro é gato e neutro é sabonete de bebê", fala que já usou em outras ocasiões para criticar Raquel.

Marília também disse que "o outro lado" preferiria ficar em cima do mundo e acusou que uma possível declaração de apoio de Raquel a Lula seria "estelionato eleitoral" por interesse. 

O ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) reforçou esse coro ao revelar uma conversa recente com o presidente Lula. Segundo o ministro, Lula garantiu participação ativa na campanha pernambucana e enviou um recado direto: "Diga a João Campos que nós vamos estar junto e misturado".

Foco do PT é no Senado

A resolução aprovada pelo PT oficializa Humberto Costa como o nome prioritário da legenda para a disputa das duas vagas ao Senado. O partido também ratificou a convivência com Marília Arraes na mesma composição majoritária.

Segundo o PT, a estratégia seria barrar o avanço do bolsonarismo e garantir que Pernambuco eleja duas mulheres para o Senado pela primeira vez na história, em referência à chapa com Marília e à presença de Teresa Leitão.

João Campos renunciará ao cargo de prefeito do Recife no dia 2 de abril para iniciar a pré-campanha oficial pelo interior do estado. O evento contou com a presença de diversas lideranças, como a ministra Luciana Santos, o deputado federal Fernando Ferro e a senadora Teresa Leitão.