O antipetismo segue no jogo das eleições 2026: Flávio Bolsonaro encosta em Lula e aposta na força da rejeição ao PT para crescer na atual campanha
por Jamildo Melo
Publicado em 25/08/2026, às 15h20 - Atualizado às 15h38
O Datafolha mostra que a rejeição ao PT continua relevante na disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Lula lidera por 39% a 33%, enquanto Flávio tenta preservar nos maiores colégios eleitorais o desempenho obtido pelo pai em 2022.
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro aparecem como territórios decisivos para o candidato do PL encurtar a distância.
A rejeição ao PT continua sendo um componente relevante da disputa presidencial de 2026 e ajuda a explicar parte do apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que indica um recorte da pesquisa Datafolha, divulgada após o início oficial da campanha.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 35% afirmam que a principal razão para escolhê-lo é impedir a eleição de outro candidato. Outros 56% dizem votar no senador por considerá-lo mais preparado e com as melhores propostas.
O percentual de voto motivado pela rejeição ao adversário é significativo em uma eleição marcada novamente pela polarização entre o campo petista e o bolsonarista. No conjunto do eleitorado, 30% dizem escolher um candidato principalmente para evitar a vitória de outro.
Entre os eleitores de Lula, a motivação positiva aparece com peso maior: 68% afirmam escolher o presidente por suas propostas e por considerá-lo mais preparado.
Os números não permitem afirmar que todo voto destinado a impedir um adversário seja necessariamente antipetista. No caso de Flávio Bolsonaro, porém, a predominância de Lula como principal adversário e a polarização entre PT e bolsonarismo indicam que a rejeição ao petismo permanece como um dos fatores relevantes na consolidação de sua candidatura.
O peso da polarização também aparece nas intenções de voto. No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha, Lula registra 39%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%.
A distância entre os dois principais candidatos diminuiu em relação às rodadas anteriores. Em eventual segundo turno, o cenário também é competitivo: Lula aparece com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa ouviu 2.058 eleitores em 128 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, como mostrou o site Jamildo.com.
Outro dado reforça o grau de divisão do eleitorado. Lula e Flávio apresentam índices semelhantes de rejeição: 45% dizem que não votariam no petista de jeito nenhum, enquanto 46% afirmam o mesmo sobre o candidato do PL.
Além de manter mobilizado o eleitorado contrário ao PT, Flávio Bolsonaro enfrenta outro desafio para ameaçar a liderança de Lula: preservar nos maiores colégios eleitorais do país o desempenho alcançado pelo pai, Jair Bolsonaro, no segundo turno da eleição presidencial de 2022.
A comparação entre os números atuais e o resultado das urnas mostra que Flávio está próximo do desempenho de Jair Bolsonaro em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, embora ainda existam diferenças importantes.
No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro obteve 55,3% dos votos válidos em São Paulo, contra 44,7% de Lula. No cenário atual apresentado pelo Datafolha, Flávio Bolsonaro aparece com 53% dos votos válidos, enquanto Lula tem 47%.
Em 2022, Lula venceu por margem estreita: 50,2% contra 49,8% de Jair Bolsonaro. Na pesquisa de 2026, considerando os votos válidos, Lula aparece com 52% e Flávio Bolsonaro, com 48%.
Jair Bolsonaro venceu no estado em 2022 com 56,5% dos votos válidos, ante 43,5% de Lula. No Datafolha de 2026, Flávio aparece com 55%, enquanto o presidente registra 45%.
Os três estados concentram uma parcela decisiva do eleitorado brasileiro. Os números indicam que Flávio Bolsonaro mantém competitividade elevada justamente onde o bolsonarismo apresentou alguns de seus melhores resultados em 2022.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a disputa não depende apenas da transferência do eleitorado de Jair Bolsonaro para o filho. A capacidade de transformar a rejeição ao PT em voto, preservar vantagem nos principais estados do Sudeste e conquistar eleitores além do núcleo bolsonarista será determinante para a tentativa de reduzir a vantagem de Lula até outubro.
Para o presidente, o desafio é inverso: ampliar a vantagem nos territórios em que lidera e evitar que a eleição se transforme predominantemente em um plebiscito sobre o PT.
A combinação entre rejeição, propostas e identificação política indica que, apesar da mudança de nomes na candidatura da direita, a polarização que marcou as últimas eleições presidenciais continua no centro da disputa de 2026.