Ana Elisa ganha 1,9 milhão de seguidores e vira peça central na disputa digital de Lula no segundo turno

Bites aponta crescimento da deputada eleita Ana Elisa nas redes, mesmo após ataques. Afastamento da campanha de Lula pode custar mobilização digital

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 10/10/2026, às 12h51

Ana Elisa amplia presença digital e entra no debate sobre estratégia de Lula
Ana Elisa amplia presença digital e entra no debate sobre estratégia de Lula - Divulgação

Ana Elisa ganhou 1,9 milhão de seguidores após encontro com Lula e ampliou sua projeção nas redes sociais

Lula registrou 33,4 milhões de interações em sete dias, contra 12,2 milhões de Flávio Bolsonaro, mas ficou atrás na média por publicação.

Para Manoel Fernandes, diretor da Bites, um eventual distanciamento entre a campanha petista e a deputada pode representar um risco de comunicação na reta final

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) tornou-se um dos nomes de maior crescimento nas redes sociais durante a primeira semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Segundo levantamento da consultoria Bites, compartihado com o site Jamildo.com, a parlamentar conquistou 1,9 milhão de novos seguidores desde quarta-feira (7), quando participou de um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O avanço ocorreu mesmo após a circulação de publicações antigas da petista, recuperadas por adversários políticos, que provocaram uma onda de críticas nas plataformas digitais.

Para Manoel Fernandes, diretor da Bites, o desempenho de Ana Elisa coloca um problema para a estratégia de comunicação do presidente: como administrar o desgaste provocado pela repercussão negativa sem abrir mão de uma liderança que demonstrou capacidade de mobilização nas redes?

Na avaliação do analista, um eventual distanciamento entre a campanha de Lula e a deputada não seria uma decisão sem custos políticos e digitais.

Os números, entretanto, ainda não permitem estabelecer se a popularidade da parlamentar poderá ser convertida em votos para o presidente.

Lula cresce nas redes, mas Flávio Bolsonaro registra maior engajamento por publicação

O levantamento da Bites analisou o desempenho dos candidatos nas principais plataformas digitais, incluindo X, Instagram, Facebook, YouTube e TikTok.

Nos sete dias posteriores ao primeiro turno, Lula conquistou 1,2 milhão de novos seguidores em seus perfis oficiais.

No mesmo período, suas publicações acumularam 33,4 milhões de interações.

Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, ganhou 1,7 milhão de seguidores e registrou 12,2 milhões de interações.

Embora Lula tenha alcançado um volume total de interações quase três vezes superior ao do adversário, o desempenho médio por publicação apresentou uma situação diferente.

O senador registrou aproximadamente 261 mil interações por postagem, enquanto Lula alcançou 160 mil.

Isso significa que Flávio Bolsonaro obteve uma média cerca de 63% superior à do presidente.

A diferença precisa ser observada considerando o volume de conteúdo publicado. Lula fez aproximadamente 4,5 vezes mais postagens do que o candidato do PL.

Para Manoel Fernandes, os dados indicam que a campanha petista enfrenta um desafio relacionado não apenas à frequência das publicações, mas também ao formato e à capacidade de mobilização de cada conteúdo.

A quantidade de interações, contudo, não equivale necessariamente a apoio eleitoral. Curtidas, comentários e compartilhamentos podem incluir manifestações favoráveis e contrárias aos candidatos.

Ana Elisa supera outros parlamentares em crescimento de seguidores

O encontro promovido por Lula na quarta-feira reuniu jovens parlamentares eleitos e lideranças com atuação nas plataformas digitais.

A iniciativa ocorreu em meio à reorganização da comunicação da campanha presidencial para o segundo turno.

Entre os participantes analisados pela Bites, Ana Elisa apresentou o maior crescimento absoluto de seguidores após a reunião.

A parlamentar somou 1,9 milhão de novos seguidores, enquanto o deputado André Janones registrou aumento de 764 mil.

Janones também organizou no WhatsApp um grupo denominado "Exército de Lula", que, segundo o levantamento, reúne 3,1 milhões de participantes.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL) acrescentou 16 mil seguidores, enquanto a vereadora paulistana Luna Zaratini (PT) ganhou 27 mil.

A Bites também comparou o desempenho de Ana Elisa com o de parlamentares ligados à oposição.

O deputado Nikolas Ferreira, eleito com 3,1 milhões de votos, acrescentou 134 mil seguidores desde quarta-feira.

Já a deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Camponiano registrou crescimento de 382 mil seguidores.

As comparações consideram o aumento absoluto das audiências, e não a proporção de crescimento em relação à base anterior de cada perfil.

Publicações antigas provocam reação contra Ana Elisa

A expansão digital de Ana Elisa foi acompanhada pelo aumento das críticas à parlamentar.

Após o encontro com Lula, adversários políticos passaram a recuperar publicações antigas feitas pela deputada no X.

O levantamento da Bites identificou uma mudança na distribuição das menções positivas, negativas e neutras relacionadas à petista.

Nas primeiras 48 horas depois da divulgação da fotografia com o presidente, 47,8% das menções analisadas eram negativas, enquanto 21,1% eram positivas.

Outros 31% dos registros foram classificados como neutros.

Entre sexta-feira (9) e sábado (10), o percentual de menções negativas aumentou para 58,2%.

As positivas passaram para 20,8%, enquanto as neutras recuaram para aproximadamente 21%.

O resultado indica maior concentração das manifestações em avaliações favoráveis ou contrárias à parlamentar.

Apesar do crescimento da repercussão negativa, Ana Elisa continuou ampliando sua audiência digital.

Os indicadores, porém, medem dimensões diferentes: o crescimento de seguidores demonstra expansão do alcance potencial, enquanto a análise de menções procura identificar o teor das manifestações sobre a deputada.

Nenhum desses números, isoladamente, comprova aumento ou perda de apoio eleitoral.

Afastamento de Ana Elisa divide avaliações sobre a campanha de Lula

Segundo a análise apresentada por Manoel Fernandes, integrantes do círculo próximo ao presidente defendem um distanciamento entre a campanha e Ana Elisa diante da repercussão de suas publicações antigas.

A informação é atribuída à Bites e não representa uma decisão oficialmente anunciada pela coordenação eleitoral.

A discussão envolve duas questões distintas.

De um lado, a associação com uma liderança submetida a críticas crescentes pode ampliar a exposição da campanha a controvérsias nas redes.

De outro, o afastamento pode reduzir a participação de uma parlamentar que demonstrou capacidade de atrair seguidores e gerar repercussão em um período curto.

Para Fernandes, a segunda hipótese também precisa ser considerada na avaliação dos riscos.

O diretor da Bites observa que Ana Elisa pode desempenhar um papel de mobilização entre eleitores já identificados com Lula, mesmo que sua atuação não consiga necessariamente alcançar o eleitorado de centro ou os que votaram em Flávio Bolsonaro.

Essa distinção é relevante porque mobilizar apoiadores e conquistar novos eleitores são objetivos diferentes de uma campanha eleitoral.

O levantamento não apresenta evidências suficientes para concluir qual seria o efeito líquido de uma eventual aproximação ou afastamento da deputada.

Disputa digital ganha importância na reta final do segundo turno

O crescimento simultâneo de Lula e Flávio Bolsonaro nas redes ocorre em um momento de reorganização das duas campanhas após o primeiro turno de 4 de outubro.

A eleição presidencial será decidida em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre os dois candidatos.

Nesse cenário, a comunicação digital integra a disputa por atenção, circulação de mensagens e mobilização de apoiadores.

Os dados da Bites mostram estratégias e resultados diferentes.

Lula concentra maior volume de publicações e de interações totais. Flávio Bolsonaro apresenta maior crescimento de seguidores no período analisado e uma média superior de interações por postagem.

Ana Elisa, por sua vez, passou a concentrar atenção pela velocidade de expansão de seus perfis e pela repercussão das críticas dirigidas a ela.

Para Manoel Fernandes, diretor da Bites, o dilema da campanha petista está em avaliar os custos de manter a associação com a deputada diante do aumento das críticas e os possíveis efeitos de abrir mão de sua capacidade de mobilização.

A questão permanece em aberto. O desempenho nas redes mostra a dimensão da disputa pela comunicação, mas não permite antecipar o comportamento dos eleitores nas urnas.