Advogado de Amisadai aciona PF e apresenta defesa de ex-servidor sobre reportagem de suposto gabinete do ódio

Amisadai foi exonerado após ser citado em reportagem. Luiz Rocha pede perícia em mídia e nega envolvimento do cliente em suposto gabinete do ódio

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 01/09/2026, às 12h12 - Atualizado às 13h02

Luiz Rocha olha para frente de terno e olha em frente à sede da Polícia Federal
Luiz Rocha fez coletiva de imprensa para apresentar defesa de Amisadai - Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

Nesta terça-feira (01), a defesa do ex-servidor do Governo de Pernambuco e servidor federal Amisadai Andrade entrou com uma notícia-crime na Polícia Federal para pedir a abertura de uma investigação sobre as gravações que constam na reportagem da Record TV. 

Representante de Amisadai no caso, o juiz aposentado, advogado e candidato a deputado federal pelo Partido Novo, Luiz Rocha, apresentou os motivos para notícia-crime, que já inicia em sigilo. 

Em fala com a imprensa, Rocha explicou a versão do cliente e contestou as acusações de envolvimento em um suposto gabinete do ódio. 

Segundo o advogado, o pedido de sigilo ocorreria pelo volume de informações pessoais, como números de telefone, datas e registros de encontros, usadas como provas no material. 

Luiz Rocha sustenta que Amisadai teria sido alvo de uma armação política entre 2024 e 2025, período em que indica que o vídeo que consta na reportagem teria sido gravado. 

A defesa indica que um representante partidário de São Paulo, tratado sob o codinome fictício de "Ulisses", procurou o Portal de Prefeitura para propor parceria comercial e avaliar o alcance do site.

De acordo com o advogado, as conversas foram gravadas sem autorização e guardadas para divulgação na campanha eleitoral de 2026. A petição entregue à PF solicita perícia nas mídias e a requisição do material bruto à emissora para verificar possíveis cortes ou manipulações de áudio.

Tudo leva a crer que sim [que era uma armação], porque a conversa foi esticando ao longo dos meses e chegar a um ponto da pessoa exigir métrica, ela é uma pessoa do meio, porque quem exige métrica de um portal sabe o que é que está pedindo, afirmou. 

Luiz Rocha afirmou que o ex-servidor reconhece excessos nas conversas ao tentar demonstrar uma proximidade com o governo estadual para viabilizar negócios, mas nega parte das declarações veiculadas.

"Amisadai reconhece que usou termos impróprios, fez afirmações que não tinha, tentou parecer maior e ter influência e trânsito no governo, que ele de fato nunca teve. Mas ele não reconhece todas as falas que foram colocadas e não aceita responder por crimes que não cometeu", declarou o advogado.

A defesa também negou qualquer reunião de Amisadai com a governadora Raquel Lyra (PSD) para combinar ataques a adversários políticos. O advogado afirmou que as visitas do ex-servidor ao Palácio do Campo das Princesas ocorreram para tratar de contratos de mídia com a Secretaria de Comunicação (Secom) e para os trâmites de sua nomeação na Arena de Pernambuco, em abril de 2025. 

Amisadai rejeita a declaração sobre controle de 300 perfis, Luiz Rocha relembrou que o cliente deixou a sociedade do veículo em setembro de 2024. 

Para contrapor as acusações da oposição, o advogado apontou que o site também prestou serviços de publicidade institucional à Prefeitura do Recife. A defesa mencionou o vídeo em que o ex-prefeito João Campos (PSB) parabeniza Amisadai pelo nascimento da filha em 2022, declarando que a atuação com agentes públicos sempre teve caráter profissional.