Familiares de Ariano Suassuna estiveram presentes em homenagem assinada por Victor Marques e de autoria do vereador Rinaldo Júnior
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 24/09/2026, às 12h11
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), sancionou, nesta quinta-feira (24), lei que declara o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna como "Patrono da Cultura do Recife".
A homenagem é um requerimento do vereador Rinaldo Júnior (PSB). A proposta reconhece a trajetória, o legado e a importância de Ariano para a cultura brasileira.
"Eu jamais imaginei, quando criança e estudante de escola pública, que teria a oportunidade de ser vereador do Recife e estar ao lado da família de Ariano Suassuna, propondo uma lei e vendo o prefeito Victor sancioná-la. “Para mim, é motivo de satisfação, alegria e orgulho”, afirmou o vereador Rinaldo Júnior.
O parlamentar também ressaltou o histórico acadêmico do romancista, que ocupou cadeiras de número 32, 18 e 35 na Academia Brasileira de Letras, Academia Pernambucana de Letras e na Academia Paraibana de Letras, respectivamente.
"Este é um ato representativo, simbólico e formal de algo que a cidade já vive: Ariano é um grande nome da cultura e da literatura brasileira e recifense", disse o prefeito. "Fico feliz porque, como pernambucano, filho do Recife e cidadão de São José do Belmonte, pude, enquanto prefeito, assinar algo tão representativo para quem tanto contribuiu para a nossa cultura. É uma forma de fazermos um pouco por ele, depois de tudo o que ele já fez por nós”, completou Victor Marques.
Ariano Suassuna também foi um intelectual, poeta, professor, artista plástico e advogado. Ele também é considerado um dos mais celebrados defensores e narradores dos saberes e dizeres do Nordeste.
Familiares de Ariano estiveram presentes no momento e destacaram a relação do poeta com a capital pernambucana e celebraram a homenagem. “Ele era um apaixonado pela cidade. Defendia a cultura do Brasil, de Pernambuco e do Recife com muito amor”, disse Mariana Suassuna, neta de Ariano.
"Eu digo que o amor de Ariano pelo Recife é de ‘A a Zélia’. Ele veio estudar no Recife, conheceu Zélia — esposa do escritor — e sua vida foi transformada. Com essa lei, temos efetivamente sedimentado, não apenas no coração, mas também na alma do povo recifense, a figura de Ariano como Patrono da Cultura da cidade", disse João Suassuna, neto do ícone pernambucano.
Ariano Vilar Suassuna nasceu na Paraíba, em 16 de junho de 1927. Filho de João Suassuna e de Rita de Cássia Dantas Villar, Ariano foi o oitavo dos nove filhos do casal. Passou a primeira infância na cidade de Sousa e, durante a Revolução de 1930, seu pai, ex-governador da Paraíba, foi assassinado no Rio de Janeiro, por motivos políticos.
Ariano, então, muda-se com a família para Taperoá, no sertão da Paraíba, onde inicia seus estudos primários. Em 1938, chega ao Recife para recomeçar a vida. E para sempre.
Na capital pernambucana, estuda Direito e começa a carreira artística que o sagraria eterno. Além de grandes obras, como “O Auto da Compadecida”, livro que virou peça, filme e saga brasileira, Ariano escreveu e ajudou a escrever a história de importantes movimentos políticos, humanitários e culturais, como o Teatro de Estudante de Pernambuco (TEP), o Movimento de Cultura Popular (MCP) e o Movimento Armorial, ao lado de nomes como Hermilo Borba Filho, Paulo Freire e Francisco Brennand.
Atrás dos birôs da cultura pernambucana, não foi só escritor. Atuou ainda como gestor público cultural, chefiando as secretarias de Educação e Cultura, no Governo de Pernambuco e na Prefeitura do Recife.