Professores protestaram na Alepe por reajuste do piso em toda a carreira; governo afirmou que negociações seguem abertas e marcou reunião para sexta
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 10/03/2026, às 16h56
- Professores da rede estadual realizaram protesto em frente à Alepe.
- Sintepe cobra aplicação do reajuste do piso em toda a carreira.
- Governo afirma que negociação continua aberta com a categoria.
- Nova reunião entre Estado e representantes dos trabalhadores está marcada para sexta-feira.
Professores da rede estadual de Pernambuco realizaram manifestação, nesta terça-feira (10), em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), para cobrar do Governo do Estado a aplicação do reajuste do piso nacional do magistério em toda a carreira. O ato foi convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e reuniu também técnicos administrativos e profissionais aposentados da educação.
Segundo a entidade, a pauta da campanha salarial foi apresentada ao governo estadual em fevereiro, mas até o momento não houve apresentação de proposta considerada satisfatória. Entre as reivindicações estão a repercussão do reajuste do piso em todas as faixas da carreira, a realização de novos concursos públicos e a reformulação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR).
A presidenta do Sintepe, Ivete Caetano, afirmou que a categoria reivindica, todos os anos, que o percentual de atualização do piso do magistério seja aplicado em toda a carreira. Ela citou que o reajuste previsto nacionalmente para 2026 é de 5,4% e cobrou que o governo estadual não repita o modelo adotado em 2023, quando o aumento foi aplicado apenas na faixa inicial.
“Nós estamos reivindicando, como em toda campanha salarial educacional, a repercussão do piso em toda a carreira, além da valorização profissional, mais concurso público e a reformulação do nosso plano de carreira. Esperamos que o governo não faça como em 2023, quando aplicou o reajuste apenas para a faixa inicial e deixou mais de 52 mil trabalhadores da educação de fora”, afirmou.
Além das demandas salariais, a dirigente sindical também citou reivindicações relacionadas à infraestrutura das escolas da rede estadual. Entre os pontos apontados estão a climatização das salas de aula, melhorias na merenda escolar e reformas nas unidades.
“Temos uma pauta ampla de valorização profissional, mas também de defesa da escola pública. A governadora prometeu climatizar todas as salas de aula até o final do mandato. Há denúncias de que escolas receberam ar-condicionado que ainda não foi instalado ou foi instalado de forma inadequada”, declarou.
De acordo com o sindicato, o governo precisa encaminhar eventual proposta de reajuste à Assembleia Legislativa dentro de um prazo determinado pelas regras eleitorais. Ivete Caetano afirmou que projetos com impacto salarial precisam ser enviados ao Legislativo antes das restrições impostas pela legislação eleitoral.
“O governo precisa enviar um projeto de lei até o dia 20 para a Assembleia, porque depois de 4 de abril não se vota mais reajuste em ano eleitoral”, disse ao Jamildo.com.
A manifestação acontece no dia seguinte às críticas feitas pelo deputado estadual Renato Antunes (PL), presidente da Comissão de Educação da Alepe, que classificou o movimento como “oportunista” em discurso na tribuna da Casa. Durante o ato, Ivete Caetano reagiu às declarações do parlamentar. “Dizer que isso é oportunismo é um grave ataque a uma categoria que luta pela escola pública e pela valorização profissional”, afirmou.

Na Assembleia Legislativa, nesta terça (10) a líder do governo, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), afirmou que as negociações com a categoria continuam em andamento e que uma nova reunião está marcada para esta semana.
“As negociações com a categoria seguem abertas. O governo se reúne com esses profissionais nesta sexta-feira, dia 13 de março, para dar seguimento à negociação”, declarou.
A parlamentar também ressaltou que o governo estadual mantém o diálogo com os profissionais da educação e citou medidas adotadas no último acordo firmado com a categoria.
Segundo Socorro Pimentel, em junho de 2025 foi implantado reajuste salarial que alcançou cerca de 76 mil profissionais da educação. O acordo incluiu a aplicação de 6,27% referente ao piso salarial profissional nacional do magistério e mudanças no Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), com ganhos que chegaram a 8,38% para professores.

A deputada também mencionou que a negociação incluiu a realização do primeiro ciclo avaliativo de desempenho dos profissionais da educação, implantado em 2026 com efeitos retroativos a dezembro de 2025, além do reajuste de 6,27% na gratificação de função técnico-pedagógica destinada a servidores que atuam como analistas em gestão educacional.
“A mesa de negociação para a pauta salarial dos profissionais da educação segue aberta. A próxima reunião será no dia 13 de março”, concluiu.