Relatório da Antaq aponta alta de 26,9% na movimentação de cargas do Porto de Suape até maio. Refinaria Abreu e Lima puxa alta de granéis líquidos
por Cynara Maíra
Publicado em 20/06/2026, às 12h09 - Atualizado às 12h34
No primeiro semestre de 2026, o Complexo Industrial Portuário de Suape registrou um crescimento de 26,9% em movimentação de cargas em relação ao ano de 2025, segundo o balanço da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Com a movimentação de 11.268.644 toneladas de cargas entre janeiro e maio de 2026, Suape ficou como quarto maior porto público do Brasil, segundo o balanço da agência nacional. No Estatístico Aquaviário da Antaq em 2025, o porto pernambucano estava em sexta posição, atrás do Porto de Santos (SP), de Paranaguá (PR), de Itaguaí (RJ) e de Itaqui (MA).
Sobre a mudança, o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, afirmou que os indicadores mostram a competitividade do parque industrial. José Constantino, diretor de Gestão Portuária, declarou que o porto precisa avançar em obras nos Píeres de Granéis Líquidos para elevar o atendimento da cadeia de combustíveis.
Segundo os responsáveis pelo Complexo Portuário de Suape, a expansão esteve vinculada com a retomada de investimentos na Refinaria Abreu e Lima (Rnest) por meio do Novo PAC. Atualmente, a unidade consegue processar 130 mil barris de petróleo por dia.
O refino de combustíveis impulsionou o setor de granéis líquidos, responsável por 66,2% das operações do terminal. O segmento somou 7.454.345 toneladas e teve alta de 41,9%.
As operações de contêineres atingiram 275.714 TEUs no Tecon Suape, em estabilidade. Já os granéis sólidos cresceram 43,6%, somando 658.642 toneladas com o desembarque de trigo e cimento. O fluxo de navios cargueiros subiu 14,7%, uma atracação de 693 embarcações.
Um dos principais impasses para acelerar o crescimento do Porto é a falta de infraestrutura ferroviária com o interior, que aguarda a resolução sobre o trecho pernambucano da Transnordestina.
A exclusão do trecho estadual no projeto original obriga o uso exclusivo de caminhões, o que eleva o preço do frete e diminui o lucro de produtores de grãos e gesso.
Além das perspectivas de crescimento, o grupo pretende se adequar ao processo de renovação energética. A administração de Suape tenta atrair usinas de hidrogênio verde para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Desde 2022, Pernambuco assina contratos e lança licitações sem precisar do aval de ministérios em Brasília.