Condomínios - Um mercado bilionário que exige gestão cada vez mais profissional

Volume de recursos movimentados pelo setor abre espaço para novos negócios, enquanto síndicos e administradores enfrentam o desafio permanente de racionalizar custos

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 02/10/2026, às 13h04

Priscila Welltem
Priscila Welltem, engenheira civil especializada em manutenção predial, um dos nichos mais buscados pelos condomínios a fim de preservar o patrimônio e garantir a segurança estrutural das edificações

Portaria, segurança, limpeza, elevadores, manutenção predial, energia, água, seguros, administração, assessoria jurídica, tecnologia e agora, para completar, a instalação de toda a estrutura requerida pelos carregadores de veículos elétricos.

A lista cresce à medida que os condomínios residenciais se tornam mais complexos e incorporam novos serviços e equipamentos. Por trás da rotina de milhares de edifícios existe uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços que encontrou nesse universo um mercado consumidor de grande dimensão.

Estimativa do Secovi-PE, aponta movimentação superior a R$ 300 bilhões por ano no mercado condominial brasileiro, descortinando um mercado de oportunidades e o desafio de síndicos e administradores de fazer mais com menos.

A dimensão desse mercado também pode ser observada pelo número de potenciais consumidores. Censo elaborado em 2025 com informações do IBGE, Receita Federal e da plataforma uCondo, contabilizou 327.248 condomínios ativos e cerca de 39 milhões de moradores no Brasil, além de aproximadamente 500 mil pessoas trabalhando no setor. É uma estrutura que gera demandas permanentes e, ao mesmo tempo, abre espaço para empresas capazes de desenvolver soluções específicas para as necessidades desses empreendimentos.

Há oportunidades em atividades tradicionais, como manutenção, conservação, segurança e gestão, mas também em mercados que avançam acompanhando mudanças tecnológicas e novos hábitos dos moradores. Automação, portaria remota, eficiência energética, gestão de dados, controle de acesso, aplicativos, inteligência artificial e soluções financeiras são exemplos de áreas que encontram nos condomínios um campo crescente de aplicação.

Mas existe outro lado dessa equação. Se para as empresas os condomínios representam um importante janela de negócios, para quem os administra, cada nova contratação precisa caber em um orçamento financiado essencialmente pelos próprios moradores.

E esse orçamento está sob pressão. Segundo o Censo Condominial, a taxa média no país passou de R$ 413 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516 no primeiro semestre de 2025, crescimento de 24,9%. No mesmo período, a inadimplência superior a 30 dias alcançou 11,95%.

Um mercado que exige escolhas

É nesse ponto que a gestão condominial se aproxima cada vez mais de uma verdadeira engenharia financeira. Não se trata simplesmente de cortar despesas. É preciso identificar onde economizar sem comprometer segurança, conservação e qualidade dos serviços; planejar investimentos; negociar contratos; estabelecer prioridades e avaliar quando uma despesa presente pode representar economia futura.

Esse universo econômico e os desafios de quem precisa administrá-lo estarão no centro das discussões nesta sexta-feira, 02 de outubro, no V Congresso de Gestão Condominial, promovido pelo Secovi-PE no Teatro RioMar, em Recife. A programação traduz diferentes aspectos de uma atividade na qual decisões técnicas, jurídicas, financeiras e humanas estão cada vez mais interligadas.

A discussão sobre inspeção e laudo predial, conduzida pela engenheira Priscila Welltem, é um bom exemplo. Manutenção preventiva exige recursos, mas pode evitar deterioração e intervenções emergenciais de maior impacto financeiro.

Da mesma forma, a inteligência artificial aplicada à gestão condominial, tema de Rafael Bernardes, coloca em pauta o potencial da tecnologia para automatizar tarefas, organizar informações e buscar maior eficiência operacional.

A programação avança sobre outra variável decisiva: quem responde pelas escolhas. Vander Andrade abordará a blindagem jurídica da gestão, enquanto Márcio Miranda, Érika Lócio e André Luiz Junqueira discutirão a responsabilidade civil do síndico. Vanessa Munis tratará do síndico do futuro, e Jairo Martiniano, da liderança positiva.

São abordagens diferentes para uma mesma realidade: administrar recursos coletivos requer conhecimento, capacidade de decisão e responsabilidade.

Para o mercado empresarial, compreender esse movimento significa perceber que o condomínio residencial não é apenas um conjunto de unidades habitacionais, mas um consumidor coletivo com demandas muito particulares.

As melhores oportunidades tendem a surgir não apenas da oferta de novos produtos, mas de soluções capazes de responder a uma pergunta cada vez mais presente na mesa dos gestores: como melhorar serviços, preservar patrimônio e incorporar inovação sem tornar a conta insustentável para o morador?

Talvez esteja justamente aí uma das principais transformações desse mercado. De um lado, uma cadeia empresarial encontra nos condomínios espaço para inovação e novos negócios. Do outro, gestores precisam selecionar, negociar e racionalizar cada vez melhor o uso dos recursos disponíveis. Entre essas duas pontas existe um campo fértil para soluções que consigam demonstrar não apenas o que entregam, mas quanto valor efetivamente agregam ao condomínio.