André Naves defende agronegócio como projeto nacional e critica visão estigmatizada do setor

André Naves defende agronegócio como motor de desenvolvimento e critica visão estigmatizada que associa setor a impacto ambiental e social negativos

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 15/01/2026, às 09h02 - Atualizado às 09h22

foto do defensor púiblico federal André Naves
André Naves é defensor público federal - Divulgação

Em artigo enviado ao Jamildo.com, o defensor público federal André Naves critica a visão estigmatizada sobre o agronegócio brasileiro.

Ele afirma que o setor deve ser entendido como um projeto nacional, capaz de gerar desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade.

Naves reconhece a existência de crimes no campo, mas sustenta que são exceções e não definem a atividade como um todo.

O autor destaca que o agronegócio emprega mais de 28 milhões de pessoas e passa por forte modernização tecnológica.

Segundo o artigo, ciência, inovação e legislação ambiental rigorosa permitem conciliar produção, preservação e melhoria de indicadores sociais.

Em artigo enviado ao site Jamildo.com, o defensor público federal André Naves afirma que o Brasil ainda debate o agronegócio a partir de uma imagem “anacrônica e distorcida”, que impede uma discussão séria sobre o papel estratégico do setor no desenvolvimento do país.

O autor diz que o agro deve ser compreendido não como vilão ambiental ou social, mas como um verdadeiro “projeto de nação”.

Segundo Naves, embora existam crimes graves no campo — como casos de trabalho análogo à escravidão —, eles devem ser tratados como exceções e combatidos com rigor, sem generalizações

. “Esses são crimes e precisam ser punidos, mas não definem um setor inteiro”, sustenta.

O articulista argumenta que problemas dessa natureza são transversais à economia brasileira e não exclusivos do agronegócio.

O autor destaca dados da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) para reforçar a dimensão social do setor. Em 2024, o agronegócio empregou cerca de 28,2 milhões de pessoas, o equivalente a 26% das ocupações no país.

Para Naves, isso demonstra que o agro é fonte de renda, dignidade e fixação das famílias no campo, além de estar passando por uma transformação no perfil do trabalhador rural, cada vez mais qualificado e tecnológico.

No campo ambiental, o artigo rebate a ideia de que o agronegócio brasileiro seja inimigo da preservação. Naves lembra que o país possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, com o Código Florestal exigindo áreas de reserva legal e de preservação permanente dentro das propriedades rurais.

Ele cita estudos que apontam que cerca de 67% do território nacional ainda é coberto por vegetação nativa, grande parte em áreas privadas.

O texto também ressalta o papel da ciência e da tecnologia, com destaque para a Embrapa, na disseminação de práticas como integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e agricultura de precisão. Essas inovações, afirma o autor, permitem aumentar a produção sem ampliar o desmatamento.

Naves defende que o agronegócio vai além da produção primária, impulsionando a agroindustrialização, a inovação e a melhoria de indicadores sociais, como o IDH, em municípios fortemente ligados ao setor.  “O futuro do Brasil passa, inegavelmente, pelo campo, desde que aliado à ciência, à inclusão social e à sustentabilidade".