João Campos envia para Câmara projeto que institui política de prevenção à violência contra mulher

Prefeito João Campos enviou projeto para criação da Política Municipal de combate à violência contra mulher e garantia de autonomia econômica feminina

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 23/02/2026, às 13h20 - Atualizado às 13h51

Palaca do  Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida
João Campos enviou nesta segunda projeto que cria uma política de prevenção à violência contra mulher - Edson Holanda/PCR

O prefeito João Campos (PSB) enviou à Câmara Municipal o segundo Projeto de Lei de 2026, propondo a política municipal "Recife Pela Vida das Mulheres".

O projeto tramita em regime de urgência, o que permite a dispensa de prazos regimentais para acelerar a votação diante do aumento de casos de violência de gênero.

A proposta está alinhada ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo governo federal em fevereiro, e busca integrar as ações das secretarias municipais.

O texto prevê a criação de um Comitê Intersetorial e de um Sistema Municipal de Promoção dos Direitos da Mulher para coordenar as políticas públicas de proteção.

Entre as metas, destacam-se a autonomia financeira feminina, a prevenção por meio da educação e o atendimento humanizado para evitar a revitimização das vítimas.

A articulação da lei deve considerar as desigualdades de raça, classe social e territorial para garantir a efetividade das metas nos planos setoriais da prefeitura.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), enviou na manhã desta segunda-feira (23) para Câmara Municipal o segundo Projeto de Lei do Executivo de 2026. 

Após o aumento dos casos de feminicídio e próximo do Dia Internacional da Mulher, o socialista enviou em regime de urgência um projeto para criação de uma Política Municipal "Recife Pela Vida das Mulheres". João justificou o regime de urgência pela "relevância da matéria e seus impactos sociais". 

Com o pedido de urgência, os vereadores votarão se o projeto segue com o rito mais acelerado, com a dispensa de detalhes regimentais. Mesmo em urgência, o material ainda precisa da análise das comissões temáticas.

A ideia é definir conceitos-base, princípios e objetivos que auxiliem no processo de combate à violência doméstica, contra o feminicídio e pelo aumento da autonomia feminina. O projeto segue a linha do Pacto Nacional entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, lançado pelo presidente Lula (PT) no começo de fevereiro

O texto indica que, para garantir a efetividade do combate à violência contra as mulheres, será necessário a articulação entre órgãos do Executivo municipal, com metas nos planos setoriais de cada órgão e o reconhecimento de desigualdades de raça, classe social, orientação sexual, habilidades e territorial na vida das mulheres. 

A Política Municipal também criaria o Comitê Intersetorial de Políticas Públicas Integradas para a Mulher, em coordenação da Secretaria da Mulher, e o Sistema Municipal de Promoção dos Direitos da Mulher. 

Entre os objetivos do texto, constam: 

  • Prevenir a violência contra a mulher por meio de ações formativas e educativas
  • Reduzir os índices de violência doméstica, familiar, sexista e de feminicídio 
  • Promover autonomia financeira, geração de renda e inserção no mercado de trabalho 
  • Consolidar a governança de dados para monitoramento das políticas públicas
  • Assegurar atendimento humanizado e sem revitimização (trauma adicional de quando a vítima é forçada a reviver a situação traumática, como em interrogatórios invasivos ou repetitivos)