Iniciada em junho de 2026, obra no Canal da Mauricéia deve ficar pronta em 2028. Projeto quer reduzir alagamentos no Ipsep
por Cynara Maíra
Publicado em 08/10/2026, às 12h07 - Atualizado às 13h03
O prefeito Victor Marques vistoriou nesta quinta-feira (08) as obras do Canal da Mauricéia, no Ipsep.
A intervenção integra um pacote de R$ 64 milhões em parceria com o Governo Federal e tem entrega prevista para 2028.
O canal terá 3,3 km requalificados, com alargamento de calha de até 37 metros para conexão com o Rio Tejipió.
O projeto urbano inclui um parque linear de 1,2 km com áreas de lazer, pavimentação na Rua Rio Oceânico e iluminação em LED.
O sistema funciona interligado aos reservatórios do ProMorar para retenção e escoamento de água na Zona Sul.
Nesta quinta-feira (08), o prefeito Victor Marques (PCdoB) vistoriou o canteiro das obras de drenagem e urbanização do Canal da Mauricéia, no bairro do Ipsep, Zona Sul do Recife.
Durante a vistoria, o prefeito afirmou que os operários trabalham na contenção das margens e em desapropriações no entorno.
"Estamos fazendo uma obra que é sonhada há muito tempo e que agora está se tornando realidade: a urbanização do Canal da Mauricéia. É um canal importante para esta região da cidade, que sofre historicamente com alagamentos. É uma obra lenta e trabalhosa, mas muito importante. Quando estiver concluída, vai ajudar a reduzir os alagamentos em toda essa área. Neste momento, já estamos executando as paredes do canal em alguns trechos. Em outros, precisamos realizar demolições e a remoção de ocupações irregulares", declarou o prefeito.
O projeto tem extensão de 3.365 metros, dividida em duas etapas de engenharia. Com o primeiro trecho com cerca de 900 metros, entre as ruas Tavares Correia e Jean Emile Favre, recebendo revestimento em peças pré-moldadas de concreto armado, com calha de nove metros de largura e profundidade que varia de 2,10 a 2,70 metros.
O segundo trecho tem 2.565 metros e segue ao ar livre até o encontro com o Rio Tejipió, onde as equipes executam serviços de desassoreamento e alargamento da seção hidráulica de 10 para até 37 metros. A intervenção inclui ainda 200 metros de enrocamento em alvenaria de pedra (que protege contra a erosão) às margens e o alargamento do pontilhão da Rua Pampulha.
A secretária de Infraestrutura do Recife, Beatriz Menezes, pontuou que o canal sofre impacto do regime de marés, o que exige mais detalhes para assegurar a eficácia da estrutura.
"Neste primeiro trecho, que tem cerca de 900 metros, estamos alargando o canal de 5 para 9 metros e também realizando a urbanização do seu entorno. Essa obra está 100% integrada às intervenções do ProMorar e faz parte do grande conjunto de obras que a Prefeitura do Recife vem realizando para solucionar os problemas de alagamento na Imbiribeira. São 24 meses de obra, e a expectativa é muito boa para sua conclusão", disse a secretária.
O projeto de urbanização prevê a criação de um parque linear com 1,2 quilômetro de extensão nas margens, cobrindo mais de 14 mil metros quadrados com pista de cooper, praças, quadras esportivas, brinquedos infantis, academia ao ar livre e calçadas com piso tátil. A obra contempla também a pavimentação dos dois lados da Rua Rio Oceânico, a instalação de duas novas passarelas para pedestres, iluminação em LED e uma via marginal para veículos de manutenção da URB.
Na bacia do Rio Tejipió, a administração municipal tem frentes de trabalho nos canais da Chesf, do Vietnã e do Sanbra, este último com orçamento de R$ 28 milhões para contenção de cheias entre Areias, Estância e Jardim São Paulo.
A iniciativa no canal faz parte de um investimento de R$ 64 milhões, vindo do Orçamento Geral da União (OGU), em parceria entre a Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) e o Governo Federal. O pacote também contempla as obras no Canal da Sanbra, na Estância. Do total, cerca de R$ 36 milhões focam no Canal da Mauricéia.
As ordens de serviço de parceria federal foram assinadas com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ainda em junho, com previsão de conclusão em 24 meses.
O Canal da Mauricéia tem o propósito de captar a água da chuva e direcioná-la para o Rio Tejipió. Anteriormente com ação improvisada, a ideia é ampliar a função para diminuir o impacto das chuvas na cidade.
O Canal da Mauricéia, conhecido popularmente como Canal da Malária, surgiu a partir da canalização e unificação de cursos d'água naturais e braços de mangue da bacia do Rio Tejipió.
A estrutura foi melhor desenvolvida entre as décadas de 1950 e 1960, durante o loteamento do Ipsep pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Pernambuco (IPSEP). Na época, as primeiras escavações serviram para drenar terrenos alagadiços e combater criadouros de mosquitos transmissores de doenças.
Historicamente, o curso d'água funcionava em leito natural de terra e com margens estranguladas por ocupações irregulares, o que impedia a entrada de maquinário pesado para a limpeza urbana. Sem contenções e sofrendo com o assoreamento crônico, a água acumulada nas chuvas encontrava a subida da maré alta vinda do Rio Tejipió, que a represava e transbordava para as vias do Ipsep e da Imbiribeira.
O novo modelo de engenharia substitui a vala aberta por um sistema articulado com os reservatórios subterrâneos do programa ProMorar, construídos sob o pavimento de ruas como Itacaré e Itamaracá. As caixas de amortecimento retêm o volume inicial e liberam a água por gravidade de maneira gradual.
Para controlar o refluxo marítimo, o projeto conta com comportas e válvulas flap instaladas na calha revestida. O mecanismo funciona de forma automática, fechando durante o pico da maré alta no Rio Tejipió para conter a entrada de água salgada nas galerias do bairro e abrindo no momento da maré baixa para escoar o fluxo acumulado pelas chuvas.