Com investimento de R$ 310 milhões do Novo PAC, edital de Raquel Lyra prevê circulação dos veículos ainda em 2026 para melhorar transporte público
por Cynara Maíra
Publicado em 15/05/2026, às 08h32
Edital Publicado: O Governo de Pernambuco lançou a licitação de R$ 310 milhões, via Novo PAC e Caixa, para compra de 100 ônibus elétricos e 50 carregadores para a RMR.
Cronograma: As propostas serão recebidas a partir de 20 de maio, com a disputa de preços marcada para 25 de junho.
Incoerência de Prazos: Embora a gestão divulgue a circulação para este ano, o prazo restante até dezembro (189 dias) inviabiliza a entrega da segunda metade da frota, prevista em edital para até 270 dias.
Histórico: O Recife tenta pela quarta vez desde 2018 emplacar a tecnologia elétrica. A cidade operou trólebus entre 1960 e 2001, sistema extinto por sucateamento e riscos em alagamentos.
Crise do Setor: O investimento tenta conter a insatisfação de 68% dos usuários e a perda constante de passageiros do Grande Recife para motos e aplicativos de transporte.
O Governo de Pernambuco publicou, nesta sexta-feira (15), o edital de licitação para a compra de 100 ônibus elétricos e 50 carregadores rápidos para Região Metropolitana do Recife (RMR). As empresas interessadas podem enviar propostas a partir da quarta-feira, 20 de maio, às 14h. A disputa de preços ocorrem em 25 de junho.
O projeto prevê um investimento estimado em R$ 310 milhões, através de recursos federais do Novo PAC em um termo de compromisso com a Caixa Econômica Federal.
“A modernização do transporte público da Região Metropolitana do Recife é um compromisso do nosso governo com a população pernambucana. Estamos investindo em uma frota mais sustentável, confortável e eficiente, garantindo mais dignidade para as pessoas que utilizam diariamente", disse a governadora Raquel Lyra (PSD) sobre o tema.
O Grande Recife Consórcio de Transporte dividiu a concorrência eletrônica em seis lotes para ampliar a competitividade na indústria nacional.
Os lotes de 1 a 5 estipulam a aquisição dos coletivos da tipologia Padron, com comprimento de 12 a 13 metros e valor unitário de R$ 2,98 milhões. O lote 6 foca na compra dos carregadores de carga rápida em corrente contínua, com potência mínima de 240 kW, pelo valor estimado de R$ 240 mil a unidade. Os veículos precisam cumprir as regras de conteúdo local exigidas para o financiamento do BNDES.
De acordo com o edital, os novos ônibus devem oferecer autonomia mínima de 250 quilômetros por recarga, piso baixo para acessibilidade, sistema de videomonitoramento, tomadas USB e freios ABS com recuperação de energia.
A climatização interna dos veículos precisa reduzir a temperatura em até 7°C.
O secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Pedro Neves, afirmou que o processo deve ser concluído no início do segundo semestre. A entrega da frota ocorrerá de forma escalonada, com metade dos veículos prevista para 180 dias após a ordem de fornecimento e o restante em até 270 dias, com a expectativa de circulação ainda em 2026.
Como faltaria 189 dias na data da disputa de preços para dezembro de 2026, apenas uma das entregas poderia ocorrer ainda este ano.
Essa é a quarta tentativa de inserir a tecnologia de eletrificação na frota da RMR desde 2018.
O consórcio iniciou testes com um modelo articulado da marca Eletra no dia 5 de maio de 2026, mas as experiências passadas, como a operação da fabricante BYD na linha CDU/Caxangá/Boa Viagem em 2019, utilizavam apenas veículos emprestados por falta de orçamento para a compra.
Entre 1960 e 2001, a cidade operou um sistema de trólebus. No auge, a rede contava com 140 veículos, mas a obsolescência e o risco de choques elétricos em dias de alagamento motivaram a extinção do serviço.
A renovação da frota coincide com um período de desgaste na imagem do transporte público local. Uma pesquisa do Centro Universitário Frassinetti do Recife (Unifafire) apontou que 68% dos passageiros declaram insatisfação com o sistema, destacando problemas com lotação e falta de conforto.
Relatórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) comprovam uma perda de usuários para motocicletas e transporte por aplicativos devido ao preço das tarifas e ao tempo de viagem.
O diretor-presidente do Grande Recife, Matheus Freitas, declarou que o investimento em inovação busca reverter esse esvaziamento e devolver a confiabilidade ao sistema.