Trabalhadores do Frevo: Operários da alegria e da resistência pernambucana

No 1º de Maio, os verdadeiros operários do Frevo — músicos, passistas e maestros — cobram valorização para manter viva a alma cultural de Pernambuco

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 04/05/2026, às 09h27 - Atualizado às 09h47

Caricatura do Maestro Formiga, realizada com ajuda de IA
Caricatura do Maestro Formiga, realizada com ajuda de IA - Divulgação

O Instituto Brasileiro do Frevo homenageia, no Dia do Trabalhador, os profissionais que mantêm viva essa expressão cultural pernambucana.

O texto destaca maestros, músicos, passistas e porta-estandartes como pilares da tradição reconhecida como patrimônio imaterial.

Ressalta o esforço coletivo e as dificuldades enfrentadas por quem atua no Frevo, muitas vezes em condições desafiadoras.

Também valoriza nomes históricos, como o Maestro Formiga, e a importância do trabalho artístico na identidade cultural.

Por fim, defende mais políticas públicas e valorização para garantir dignidade aos trabalhadores da cultura.

Por Ademir Araújo, Fabiano Medeiros, Júlio Vila Nova e Nilo Otaviano, em artigo enviado ao site Jamildo.com

Neste 1º de maio, o Instituto Brasileiro do Frevo (IBF) presta sua homenagem aos verdadeiros pilares da nossa cultura.

No dia em que o mundo celebra o Dia do Trabalhador, nós voltamos nossos olhos para os músicos, passistas, maestros, compositores e porta-estandartes — os operários que, com técnica, suor e resiliência, garantem que o Frevo não seja apenas uma lembrança, mas uma força viva.

O Frevo é, essencialmente, uma construção coletiva.

Ele nasce da dedicação de profissionais que enfrentam jornadas exaustivas e desafios constantes para manter a excelência que o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade exige.

As Mãos que Constroem o Som e o Movimento

- Maestros e Compositores

São os arquitetos da nossa sonoridade. Celebramos a garra de mestres como *Ademir Araújo (o nosso Maestro Formiga)*, que há quase 50 anos rege com maestria a Orquestra Popular do Recife, criada por Ariano Suassuna em 1975.

Honramos também a genialidade de Edson Rodrigues, que há seis décadas presenteou o mundo com o clássico "Duas Épocas", e do Maestro Duda, autor do lendário "Nino, o Pernambuquinho".

Suas batutas e canetas são ferramentas de um trabalho intelectual e artístico que define a identidade de um povo.

- Músicos e Passistas

O Frevo exige o máximo. O músico de orquestra é um trabalhador de precisão, enquanto o passista é um atleta da arte. Cada passo riscado e cada nota soprada sob o sol do meio-dia representam o compromisso desses profissionais com a salvaguarda da nossa tradição.

- Porta-Estandartes e Comunidade

O zelo de quem carrega o pavilhão e a força daqueles que trabalham nos bastidores — costureiras, artesãos e técnicos — formam a base invisível, mas indispensável, dessa grande engrenagem cultural.

Valorização e Dignidade

A irreverência do boné e dos óculos escuros do Maestro Formiga não é apenas estética; é um símbolo de resistência.

Assim como ele utiliza sua voz para cobrar o respeito devido aos músicos e à valorização da nossa prata da casa, o IBF reafirma seu compromisso de lutar por políticas públicas que garantam dignidade a todos os trabalhadores do Frevo.

Trabalhar com cultura em Pernambuco é um ato de coragem. Nesta data, nosso aplauso é para quem faz do Frevo o seu ofício e da sua vida um instrumento de preservação da nossa história.

Ademir Araújo, Fabiano Medeiros, Júlio Vila Nova e Nilo Otaviano são diretores do Instituto Brasileiro do Frevo (IBF)