Trump atentou contra o Brasil, mas exportações bateram recorde e a aposta agora é abrir novos mercados para escapar da guerra tarifária dos EUA
Ricardo Leitão | Publicado em 21/06/2026, às 18h18 - Atualizado às 18h42
Artigo do jornalista Ricardo Leitão levanta dúvidas sobre a saúde mental de Donald Trump, citando episódios públicos controversos e uma carta assinada por profissionais da área da saúde.
O texto relaciona essa suposta deterioração cognitiva aos desafios geopolíticos enfrentados pelos Estados Unidos, especialmente no Oriente Médio e na América Latina.
O autor alerta para os riscos de decisões imprevisíveis de uma potência global sob a liderança de um presidente considerado instável.
Por Ricardo Leitão, em artigo especial para o site Jamildo.com
Depois de deixar presidentes e primeiro-ministros lhe esperando por mais de uma hora, na reunião do G7 na França, Donald Trump irrompeu no salão e anunciou: “Chegou o chefe!”. Alguns riram, tentando disfarçar o visível constrangimento.
Pouco depois, em uma entrevista coletiva, o octogenário presidente dos Estados Unidos disse lamentar que “Bolsonaro Júnior tivesse sido preso”. Como se sabe, não existe no clã nenhum Bolsonaro Júnior, preso ou solto. Condenado foi Eduardo Bolsonaro, que vive foragido na Flórida, sob a proteção da direita norte-americana.
Não foram incidentes episódicos.
Outro exemplo: com níveis de aprovação de seu governo em queda, Trump escolheu a “imprensa esquerdista” como culpada por seus problemas. Os ataques se sucedem, atingindo todas as redes de televisão, à exceção da Fox, que apoia seu governo.
Ele criou, no site da Casa Branca, uma sessão intitulada “Infratores da mídia”, onde relaciona jornalistas que considera adversários de sua administração.
Em entrevista ao vivo à rede NBC, questionado sobre fraudes na eleição presidencial de 2020, ele chamou o canal de “parcial e desonesto”, arrancou o microfone da lapela, jogou-o no chão e abandonou o estúdio.
Há dúvidas sobre a saúde mental de Donald Trump.
“É nossa opinião profissional, baseada em avaliações anteriores e contínuas, que o estado mental do presidente dos Estados Unidos se deteriorou ainda mais desde a nossa declaração de 2024”.
É o primeiro parágrafo de uma carta que um grupo de médicos entregou ao Congresso no final do mês passado.
Os profissionais afirmam ter “o dever ético de alertar para o fato de que Donald Trump representa um perigo crescente para a população”.
O documento foi assinado por psiquiatras, neurologistas, psicólogos e especialistas em saúde mental, vinculados a universidades de renome como Harvard, Columbia e George Washington.
O documento dos médicos aponta ainda para “uma acentuada deterioração do funcionamento cognitivo (de Trump), evidenciada por fala descoordenada e tangencial, digressões prolixas, confusões factuais e mudanças súbitas e inexplicáveis de rumo em questões estratégicas”.
Os médicos também mencionam “episódios de aparente sonolência durante procedimentos públicos de grande relevância”.
Adversário de Trump, o governador da Califórnia, Gavin Newson, apelidou-o de Dom Dorminhoco.
A insegurança sobre a saúde mental do presidente dos Estados Unidos – o homem tido como o mais poderoso do mundo – dá combustível para o debate, nas redes sociais, a respeito da aplicação da 25ª Emenda da Constituição norte-americana.
A emenda permite que o vice-presidente ou a maioria dos membros do governo ou do Congresso retire o presidente do cargo, caso ele seja considerado inapto para cumprir sua função.
A conclusão das negociações diplomáticas para o fim da guerra entre os Estados Unidos e o Irã será um bom termômetro da saúde mental do presidente norte-americano. Ele vai enfrentar eleições legislativas em novembro, e as previsões são negativas para o seu partido, o Republicano.
Precisa produzir boas notícias e uma delas seria anunciar a derrota incontestável do Irã. No entanto, não são esses os fatos. Os objetivos de Trump na guerra eram derrubar o regime teocrático iraniano; impedir a fabricação de mísseis de longo alcance; suspender o programa nuclear e controlar o estreito de Ormuz.
Nada disso aconteceu: após três meses de bombardeios intensos, o Irã continua sendo a maior potência militar do Oriente Médio, inimiga radical de Israel, maior aliado dos Estados Unidos na região.
Ainda assim, Trump sustentará o discurso que vem reiterando, ou seja, de que “a guerra foi vencida facilmente pelos Estados Unidos”, que estão prontos “para combater quem ameaçar a paz dos cidadãos norte-americanos em qualquer lugar do mundo”.
Os delírios presidenciais devem aumentar o nível de alerta nos países – como o Brasil – da América do Sul e da América Central, em passado não tão distante considerados “um quintal” dos Estados Unidos. Nenhum deles tem condições de resistir a um ataque das Forças Armadas norte-americanas. O sequestro e prisão de Nicolás Maduro, fazendo da Venezuela um protetorado norte-americano, indicaram que ações cirúrgicas podem ser um caminho para a tomada do poder em países adversários. Ao lado de pressão econômica por meio de tarifaços, conjuntamente com o apoio a candidatos presidenciais da direita na região, descomprometidos com a democracia.
Donald Trump, de contestada saúde mental, precisa de uma vitória. No seu “quintal” o primeiro alvo é Cuba. Atravessando uma grave crise econômica e humanitária, decorrente do cerco de décadas dos Estados Unidos, o governo da ilha busca saídas.
A mais profunda já anunciada foi a aprovação, na semana passada, de reformas que garantem, ao capital privado internacional, possibilidade de investir em setores, como o turístico e o imobiliário, hoje sob exclusivo controle estatal. Não haveria alterações no regime socialista cubano. A pressão norte-americana é encabeçada por Marco Rubio, filho de cubanos exilados em Miami, secretário de Estado da administração Trump e candidato à Casa Branca em 2028. Vêm de assessores de Rubio as ameaças mais frequentes à estabilidade de Cuba.
Contudo, a ilha que foi governada por Fidel Castro não é a Venezuela que foi liderada por Hugo Cháves. Pode mobilizar apoios internacionais, como o do México, da Espanha e da China, na hipótese, no momento remota, de uma invasão dos Estados Unidos. Trata-se de um jogo complexo que envolve interesses estratégicos e articulações políticas, em torno do controle de uma área que abrange o Canal do Panamá, o Golfo do México e o Mar do Caribe.
Nesse jogo, Trump arrisca atuar como um elefante no meio da sala. Ele, de início, respeitaria os pratos de louça; no entanto, pode logo fazer da tromba um chicote, em mais um episódio de distúrbio mental.