Ex-deputado é alvo de operação da Polícia Civil que investiga desvio milionário

Plantão Jamildo.com | Publicado em 15/04/2026, às 15h04

Cabe à Polícia Civil a emissão das carteiras de indentidade - Internet
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A Polícia Civil de Pernambuco apreendeu, na manhã desta quarta-feira (15), valores em moedas estrangeiras — como dólar, florim húngaro e dirham dos Emirados Árabes Unidos — além de barras de prata, durante a Operação Draft, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, peculato e concussão envolvendo ex-agentes públicos.

O principal alvo é um ex-deputado estadual que exerceu mandato até 2022. As investigações também apontam a participação de outro ex-parlamentar. Os nomes e partidos não foram divulgados.

De acordo com a Polícia Civil, a apuração indica a existência de um esquema de “rachadinha” e uso de funcionários fantasmas no gabinete do ex-deputado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Entre 2015 e 2019, ao menos R$ 2,8 milhões teriam sido desviados. A corporação não descarta que o valor tenha chegado a R$ 6 milhões, caso as irregularidades tenham se estendido até 2024.

O inquérito aponta que mais de 30 pessoas nomeadas no gabinete participariam do esquema. Os salários variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil mensais, mas, segundo a investigação, a maior parte dos valores era devolvida. “Tratava-se de um gabinete do crime para desvio de verbas públicas. Os funcionários fantasmas tinham que devolver quase a totalidade dos salários. Eles ficavam apenas com R$ 300”, afirmou o delegado Juliano Ferronato, da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado.

Ainda segundo o delegado, a organização criminosa tinha divisão estruturada de funções, com um núcleo composto por oito integrantes, incluindo lideranças políticas, operadores financeiros e executores responsáveis pela logística dos saques e repasses. “Verificou-se que o núcleo que operava o desvio era composto por oito membros, incluindo dois líderes políticos, operadores financeiros e operadores materiais”, disse.

A investigação também identificou a atuação de um operador financeiro que fazia a intermediação entre os líderes e os executores do esquema. “Para que o esquema fosse alimentado, havia um operador financeiro que movimentou valores extremamente relevantes, cerca de R$ 200 mil a R$ 2 milhões. Ele era o elo entre as lideranças e os executores materiais do esquema: escolhia as pessoas, cobrava, por vezes exigia [o dinheiro]”, declarou Ferronato.

As apurações tiveram início em dezembro de 2023, a partir do compartilhamento de provas de uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal sobre desvios em obras de requalificação da BR-101, no Grande Recife.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão no Recife, em Olinda e em Jaboatão dos Guararapes — a maioria em endereços na Avenida Boa Viagem. As ordens judiciais foram expedidas pela Diretoria Criminal do 2º grau do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que também determinou a indisponibilidade de bens dos investigados.

Durante a operação, houve resistência em um dos endereços. “Na residência de um dos alvos houve dificuldade porque havia uma porta blindada e recusa do investigado em atender a polícia, foi necessário o uso de meios para romper essa barreira e adentrar no local”, relatou o delegado.

Entre os itens apreendidos estão duas barras de prata, avaliadas em cerca de R$ 100 mil, e cédulas em moeda estrangeira que somam aproximadamente R$ 120 mil.

A operação mobiliza 60 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães, e conta com apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (DINTEL), do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB/LD), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco (GAECO/MPPE) e da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).

Não houve pedido de prisão preventiva até o momento. Os investigados podem responder por peculato, lavagem de dinheiro e concussão.

Polícia Civil de Pernambuco

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