Cynara Maíra | Publicado em 09/10/2026, às 11h31 - Atualizado às 12h58
O deputado estadual eleito Vini Castello (PCdoB) afirmou que o seu mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) terá foco na defesa dos trabalhadores e das periferias. Em entrevista ao jornalista Jamildo Melo, no PodJá, o advogado avaliou o resultado das urnas de 2026, comentou a relação com a governadora Raquel Lyra (PSD) e analisou o cenário político do município de Olinda.
Castello obteve 49.899 votos na disputa estadual, com mais da metade da votação do colégio eleitoral olindense. O resultado ocorreu dois anos após o parlamentar disputar o segundo turno da eleição para a Prefeitura de Olinda, quando alcançou mais de 105 mil votos.
O episódio completo com Vini Castello vai ao ar neste sábado, às 14h, no canal do Jamildo.com no YouTube e nas plataformas de áudio.
Questionado se adotará postura de oposição formal ao governo de Raquel Lyra, Castello afirmou que a definição passará por conversas internas na federação partidária, formada por PT, PCdoB e PV. O parlamentar pontuou que não atuará de forma isolada e que manterá diálogo com a direção partidária e com a ministra Luciana Santos.
"Eu não estou dizendo que não serei oposição, mas entendo que existe um diálogo para fazer dentro da federação. Eu acho natural ser oposição, mas não concordo que uma postura oposicionista seja esquecer a população. O que eu sou regido é pela defesa do direito do povo trabalhador. Qualquer diálogo com a governadora que beneficie o povo pernambucano, eu não vejo com olhar ruim se for para trazer avanços", declarou o deputado.
O deputado eleito afirmou que a fiscalização sobre os atos do Poder Executivo é atribuição legal do Legislativo e cobrou maturidade institucional na liberação de emendas parlamentares.
Castello fez críticas à atual administração da prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), sua ex-adversária na disputa para Olinda em 2024, apontando deficiências na conservação urbana, na coleta de resíduos e na rede de postos de saúde da cidade. O parlamentar declarou que a derrota do grupo ligado ao ex-prefeito Professor Lupércio na disputa proporcional de 2026 refletiu o descontentamento da população com a gestão municipal.
Sobre a possibilidade de concorrer novamente à Prefeitura de Olinda em 2028, o deputado não descartou a hipótese de deixar a cadeira na Alepe no meio do mandato.
"Eu acho que tem essa possibilidade, mas a gente vai precisar dialogar bem para poder amadurecer essa ideia. Isso depende de tantas coisas. Eu sou uma pessoa que não subestima as pessoas. É um time que resolve, são pessoas que realmente têm capacidade e vontade, porque eu tenho responsabilidade com a cidade de Olinda", respondeu Castello.
O deputado eleito também tratou da aliança com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Castello afirmou que o socialista foi parceiro direto na campanha de 2024 e relembrou que a Frente Popular saiu vitoriosa na votação de Olinda no primeiro turno da eleição estadual.
"João Campos ganhou em três municípios da Região Metropolitana e um deles foi na cidade de Olinda. Foi o resultado de uma campanha que fez defesa dele na cidade contra a máquina e saindo vitorioso. Eu acho que João ainda vai se tornar governador de Pernambuco. É um quadro novo, tem a minha idade, e a gente tem muito a construir para o futuro", avaliou.
Entre as propostas para o primeiro ano de mandato na Alepe, Vini Castello elencou saúde, educação, infraestrutura urbana e fomento cultural como diretrizes de atuação. Ele mencionou a discussão sobre o acesso às praias e o combate à ocupação irregular na orla litorânea do estado.
Sobre o orçamento da Alepe, o parlamentar garantiu que dará publicidade à aplicação das emendas parlamentares individuais e citou a destinação de verbas para manifestações populares, como grupos tradicionais de maracatu na Zona da Mata Norte.