Jamildo Melo | Publicado em 26/09/2026, às 14h04 - Atualizado às 14h50
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a retirada de peças de propaganda que associam o candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP), integrante da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), ao candidato ao Governo João Campos (PSB), adversário da governadora.
A decisão liminar foi tomada pelo desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, após representação apresentada pelo Partido Liberal (PL).
O processo questiona vídeos publicados no perfil do candidato a deputado estadual Júnior Matuto, além de banners instalados em seu comitê de campanha, em Paulista, e panfletos distribuídos em Jupi.
Segundo a decisão, as peças reuniam a imagem e o número de Eduardo da Fonte com João Campos e Marília Arraes (PDT), embora os três não façam parte da mesma coligação.
Eduardo da Fonte disputa uma das vagas para o Senado pela coligação Pernambuco de Coração, de Raquel Lyra. João Campos e Marília Arraes estão na Frente Popular de Pernambuco.
Na avaliação do TRE-PE, o uso das cores e da identidade visual da campanha de João Campos ao lado da imagem de um candidato pertencente a outra coligação tem “forte potencial para confundir o eleitorado”.
A configuração, segundo a decisão, poderia transmitir a impressão de que existe uma chapa ou aliança formal entre Eduardo da Fonte e João Campos.
O desembargador ressaltou que manifestações individuais de apoio político estão protegidas pela liberdade de expressão. Isso, porém, não autorizaria peças publicitárias capazes de alterar a percepção do eleitor sobre as coligações formalmente registradas.
O entendimento acrescenta mais um capítulo a uma campanha marcada por alianças locais que nem sempre reproduzem integralmente as composições majoritárias estaduais.
Com a liminar, o Facebook deverá remover, em até 24 horas, quatro publicações questionadas e veiculadas no Instagram. A multa diária em caso de descumprimento foi fixada em R$ 15 mil.
Júnior Matuto também deverá retirar ou cobrir, no mesmo prazo, banners instalados na fachada e no interior do comitê de campanha que apresentem a configuração considerada irregular.
A decisão ainda suspende a distribuição, entrega ou exposição dos panfletos e demais materiais gráficos citados no processo. Nesse caso, a multa diária prevista é de R$ 5 mil.
O magistrado citou precedente do próprio TRE-PE segundo o qual a apresentação conjunta de candidatos pertencentes a coligações distintas pode configurar propaganda irregular quando a composição visual induzir o eleitor a uma interpretação equivocada sobre a aliança eleitoral.
A representação apresentada pelo PL ocorre justamente quando Eduardo da Fonte e Mendonça Filho (PL) aumentaram o confronto pela disputa das duas vagas de Pernambuco no Senado.
Os dois candidatos vêm protagonizando uma batalha política que passa tanto pela aproximação com Raquel Lyra quanto pela busca do eleitorado conservador.
No PodJá, Eduardo da Fonte rebateu o discurso de Mendonça de proximidade histórica com Raquel. Dudu lembrou que, no primeiro turno de 2022, Mendonça apoiou Miguel Coelho para governador e somente aderiu à candidatura de Raquel no segundo turno.
O próprio Mendonça também já teve propaganda retirada por decisão do TRE-PE após vincular sua candidatura à governadora. Mesmo sem integrar oficialmente a chapa, o candidato do PL mantém apoio político à reeleição de Raquel.
O confronto ficou ainda mais explícito na reta final da campanha, como tem mostrado o site Jamildo.com.
Durante debate realizado em Petrolina, Mendonça acusou Eduardo da Fonte de fazer um “jogo nefasto” e citou articulações políticas do adversário tanto com Raquel Lyra quanto com João Campos.
Antes disso, durante ato com Flávio Bolsonaro no Recife, Mendonça havia pedido diretamente aos seus eleitores que não dessem o segundo voto a Eduardo da Fonte.
O candidato do PL chamou Dudu de “melancia”, numa referência à expressão “verde por fora e vermelho por dentro”, e passou a defender uma dobradinha para o Senado com Carlos Sant'Anna (Novo).
Eduardo da Fonte, por sua vez, intensificou a presença ao lado de Raquel Lyra nos últimos dias e também ampliou agendas voltadas ao eleitorado evangélico. Na quinta-feira (24), participou com a governadora e Priscila Krause de encontro com pastores e lideranças religiosas no Recife.
Datafolha mostra Mendonça com 13% e Dudu com 10%
O embate ocorre num cenário em que Mendonça Filho aparece numericamente à frente de Eduardo da Fonte nas pesquisas mais recentes.
No Datafolha divulgado na quinta-feira (24), Marília Arraes aparece com 19% das intenções de voto para o Senado, seguida por Humberto Costa (PT), com 17%. Mendonça Filho registra 13% e Eduardo da Fonte, 10%.
Túlio Gadêlha (PSD) aparece com 6% e Carlos Sant'Anna, com 2%. Como Pernambuco elege dois senadores em 2026, o entrevistado podia indicar até dois candidatos. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Na rodada anterior do Datafolha, divulgada em 11 de setembro, Mendonça tinha 12% e Eduardo da Fonte, 10%. Ou seja, entre os dois levantamentos, Mendonça oscilou um ponto para cima e Dudu permaneceu no mesmo patamar.
Outro levantamento, da Real Time Big Data, realizado entre 10 e 14 de setembro, registrou Marília com 27%, Mendonça com 21%, Humberto com 20% e Eduardo da Fonte com 13% no total consolidado das duas escolhas. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
A decisão do TRE-PE sobre a propaganda adiciona, assim, um novo elemento à disputa entre Dudu e Mendonça: enquanto Eduardo da Fonte busca reforçar sua condição de candidato oficial da chapa de Raquel Lyra, adversários questionam materiais e articulações locais que também aproximam sua candidatura do campo de João Campos.
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