Otávio Gaudêncio | Publicado em 02/10/2026, às 10h02
De acordo com diretrizes da Justiça Eleitoral, as emissoras de rádio e TV já não podem mais fazer debates entre os candidatos do primeiro turno, sejam presidenciáveis, governadores ou demais cargos em disputa.
A TV Globo conduziria o último debate entre os candidatos à presidência na última quinta-feira (1), com a expectativa de ter a presença de Flávio Bolsonaro (PL) no momento. O senador é um dos dois concorrentes, junto com o presidente Lula (PT), com mais intenções de votos nas pesquisas eleitorais. Ambos agregam cerca de 84% dos votos do eleitorado nacional.
Lula já havia confirmado que não iria ao debate, com entrevista no Flow Podcast marcada para horário semelhante. Durante a conversa, transmitida em canais digitais da web, o petista justificou a ausência como uma discordância ao modelo como o debate é realizado, citando eleições de mais de 30 anos atrás.
A principal crítica do presidente fica sobre a quantidade de candidatos convidados, mesmo os que não têm boa pontuação nas pesquisas.
"Quando você tem 5 ou 6 candidatos, você fala 1 minuto e espera 10 minutos, fala 2 minutos e espera 10 minutos. Não tem sequência. Então, eu, sinceramente, acho que esses debates estão infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência. Eu preferia que fosse feito um debate em que uma televisão ou você mesmo fizesse a mesma pergunta para vários candidatos, e os candidatos mais ou menos em condição de disputar", declarou.
Lula citou, também, o debate do segundo turno, em 2002, contra o então candidato José Serra. "Foi um bom debate, que é o candidato tête-à-tête, cada um falando um contra o outro", disse.
Uma pesquisa da Nexus/BTG, divulgada em 23 de agosto deste ano, mostrou que 86% de 2.000 eleitores consultados pretendiam assistir a debates entre os candidatos a presidente. Metade do percentual indicou que acompanharia a programação ao vivo.
Já Flávio Bolsonaro comunicou que desistiu de ir ao debate por conta de "censura e interferência" do Poder Judiciário na programação. No lugar da transmissão da Globo, o candidato realizou live em redes próprias para apresentar propostas e plano de governo.
Na noite da quinta-feira, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), intimou a emissora a mudar regras do debate sobre candidatos ausentes. As normas ordenavam que o púlpito de Lula ficasse esvaziado durante o debate e que os demais candidatos pudessem direcionar perguntas ao presidente ausente em 30 segundos, durante o bloco livre do debate.
Segundo a Globo, o Partido dos Trabalhadores havia assinado documento concordando com as normas do debate, incluindo a norma derrubada pela decisão judicial da ministra do TSE.
A emissora ainda recebeu outra intimação, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a pedido do Solidariedade. A legenda solicitou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate. Outra decisão, do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ainda determinou participação de Romeu Zema (Novo) no debate.
A própria emissora ainda destacou que cancelou o debate por conta de insegurança jurídica em meio às ações judiciais.
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