Jamildo Melo | Publicado em 29/04/2026, às 12h55 - Atualizado às 13h57
No meio de um discurso de 21 minutos no 9 Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta segunda, a governadora do Estado, Raquel Lyra, que busca a reeleição, pediu aos seus correligionários que vestisse camisas com a bandeira de Pernambuco contra o PDB, que lançou o nome de João Campos pela oposição.
Sem citar diretamente o PSB, um dos motes principais do discurso foi "não vamos deixar eles nos dividirem". "Quantas creches foram inauguradas com recursos do Estado antes de nós", questionou em uma fala que pode ser interpretada como uma resposta às cobranças da oposição, pela promessa de campanha de 22. Sobre o tema, a governadora já mandou até os adversários criarem um crechômetro, garantindo que faria entregas ao longo de 26.
Na mesma fala, a governadora comparou-se a oposição citando o setor de habitação, com a entrega de 22 mil unidades de habitação. "Pegamos (um governo) com mato alto, sem projeto, sem perspectivas. Caminhamos muito até aqui", afirmou, em dado trecho.
Noutra referência aos governos do PSB, a governadora disse, no discurso, que viajava mais a Brasília, quando era prefeita, porque encontrava as portas fechadas no Campo das Princesas.
O leilão parcial da Compesa, realizado em dezembro do ano passado, e questionado pela oposição, como o deputado federal Pedro Campos, por exemplo, também entrou no discurso.
"(afirmar que) falta transparência? Questionar o processo (do leilão) não é questionar a mim, é tentar questionar o governo federal (Lula), o BNDES (sob a gestão Lula)... eu não estou aqui esquentando cadeira para o próximo chefe (de estado)", afirmou.
O pedido sobre as cores azul e branca foi feito no final da fala, segurando uma bandeira de Pernambuco.
"Quando eles apostarem na discórdia, vamos responder com amor. Quando eles apostarem na briga, vamos responder com a União", disse. "Quando eles chegarem, querendo nos dividir, mostrem (suas camisas) com as cores de Pernambuco", afirmou.
"Não mandem recado para mim... mandem ajuda (para governar-", pediu, registrando que havia começado o dia, em Toritama, em uma agenda com entrega de recursos hídricos. "Eles estavam há oito anos sem água. E não estavam interessados em sabe se a obra é do Estado, é federal, é publica ou privada. Só querem ter o direito de dar banho nos filhos".
Na abertura dos trabalhos, conforme constatou a reportagem do site Jamildo.com, Raquel já havia começado o discurso agradecendo por "acreditarem na força da união" aos prefeitos presentes.
O presidente da Alepe, Álvaro Porto, chegou a inverter a ordem de sua fala, para supostamente não ouvir o discurso da chefe do Executivo. O que não impediu a governadora de mencionar o Poder Legislativo.
"Vocês sabem que enfrentei desafios que nunca foram impostos antes de mim... (eles) não achavam que uma mulher prefeita pudesse governar... vivemos tempos de paralisia e querem que se resolva em 3 anos", declarou, agradecendo em especial a líder do governo, deputada Socorro Pimentel.
"Nós não estamos olhando para a próxima eleição... temos um compromisso geracional (citando mais oferta de água e recuperação de estradas)"... Vim aqui para fazer diferente, vim aqui para fazer a diferença. Vamos unir mais ainda nosso Estado com as obras da BR 232. Não tinha projeto, mas em breve vai começar", prometeu.
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