Plantão Jamildo.com | Publicado em 07/09/2026, às 07h20
A visita da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) à fazenda Normandia, sede do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, provocou reações entre grupos políticos de direita e de esquerda. O encontro ocorreu na última sexta-feira (4) e incluiu a entrega de uma carta-compromisso com propostas do movimento para a reforma agrária e políticas públicas voltadas a assentamentos e acampamentos.
A passagem de Raquel pelo espaço também chamou atenção pela ausência de registros do encontro nas redes sociais da governadora e, inicialmente, do próprio MST. Posteriormente, o movimento publicou imagens da entrega da carta a outros candidatos ao Governo de Pernambuco, entre eles João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL), mas não divulgou registros da agenda com Raquel.
A fazenda Normandia tem peso simbólico para o MST em Pernambuco e é considerada um marco da reforma agrária no Estado. Para Raquel, a visita também ocorreu em uma região de forte presença eleitoral. Natural de Caruaru, a governadora foi prefeita do município por sete anos e mantém uma base política no Agreste.
Raquel esteve no assentamento acompanhada dos candidatos ao Senado Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD). Durante a agenda, usou uma camisa com a bandeira de Pernambuco e recebeu do movimento uma cesta de alimentos produzidos pelos assentados. A governadora colocou a cesta sobre a cabeça, em referência à forma tradicional de transporte de água e balaios utilizada por sertanejos e trabalhadores nas feiras.
O coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, afirmou que o encontro teve como objetivo apresentar as reivindicações do movimento à candidata, seguindo uma iniciativa adotada também com outros postulantes. Segundo ele, a entrega da carta não representa apoio eleitoral a Raquel.
"Não nos queiram apenas como aliados. Nós vamos estar sempre do lado de cá do balcão fazendo a luta, a organização e entregando as pautas", afirmou Amorim à governadora durante o evento.
O MST defende publicamente a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em Pernambuco, o movimento também tem uma candidatura própria à Câmara dos Deputados: a deputada estadual Rosa Amorim (PT), filha de Jaime Amorim.
Durante o encontro em Normandia, Raquel discursou para os participantes e apresentou a agenda como parte de sua campanha pela renovação do mandato.
"Todo mundo quer uma comida sem agrotóxicos, energia limpa, e isso é o que nós temos. Pernambuco está pronto para viver os melhores quatro anos da sua história. E eu estou pronta para ser a governadora dos pernambucanos nos próximos quatro anos", declarou, sob aplausos.
Em outro momento, a governadora pediu apoio eleitoral para sua candidatura e para os nomes que integram sua chapa. "Eu vim aqui [no MST] não só pedir a renovação da confiança de vocês, mas pedir que vocês possam multiplicar esse voto, que vocês possam ajudar a eleger nossos senadores e deputados comprometidos com o desenvolvimento de Pernambuco", afirmou.
Ao final do ato, vídeos registraram a execução do jingle da campanha de Raquel para os participantes.
A presença da governadora na sede do MST ganhou repercussão entre as diferentes bases políticas que disputam espaço na eleição estadual. Raquel não declarou voto para a disputa presidencial e, em Pernambuco, recebe apoio de setores do bolsonarismo, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto João Campos integra uma aliança que reúne PSB e PT e conta com o apoio de Lula.
Entre os grupos de direita, as críticas se concentraram na participação de Raquel em um espaço identificado historicamente com o MST. Nas redes sociais, eleitores questionaram o posicionamento político da governadora e perguntaram de que lado ela estaria diante do apoio recebido de nomes ligados ao bolsonarismo.
Do outro lado, setores ligados ao campo lulista criticaram a receptividade do MST a uma candidata que mantém posição de neutralidade na eleição presidencial e que também recebe apoio de aliados de Jair Bolsonaro. Parte das críticas ainda apontou problemas nas políticas destinadas à reforma agrária e ao setor rural durante os três anos e oito meses de gestão de Raquel.
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