Raquel Lyra aproveita sabatina para se desculpar sobre fala de laqueadura: "me indignei comigo mesma"

Cynara Maíra | Publicado em 21/09/2026, às 12h26 - Atualizado às 13h47

Raquel Lyra esteve em sabatina do SindHospe nesta segunda, 21 de setembro - Reprodução Instagram/Raquel Lyra
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A governadora Raquel Lyra (PSD) abriu sua participação na sabatina do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Demais Estabelecimentos de Saúde de Pernambuco (Sindhospe), nesta segunda-feira (21), com um novo pedido de desculpas sobre a fala em que sugeriu a realização de uma laqueadura sem o consentimento de uma paciente.

O episódio ocorreu em maio de 2025, durante a entrega de leitos no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns.

Antes de responder às perguntas dos representantes do setor de saúde, a candidata à reeleição afirmou ter ficado indignada com a própria declaração ao rever o conteúdo divulgado no domingo pelo portal Metrópoles.

"De maneira alguma aquilo se trata de quem sou ou de que faço ou pratico. Fiz uma fala equivocada, errada e, quando vi o vídeo gravado há alguns anos na cidade de Garanhuns, eu me indignei comigo mesma e peço desculpas. Por isso quero aqui registrar que todo o meu trabalho e minha luta política tem sido, ao longo da minha vida, permitir que as mulheres possam ter independência, autonomia e que possam ter a oportunidade de guiar os seus próprios passos", declarou a gestora.

Raquel já tinha pedido desculpas pelo vídeo, um material no qual sugere realizar uma laqueadura em uma paciente sem ela saber. A governadora citou o procedimento sem consentimento após ouvir o relato de uma mulher grávida que já era mãe de sete filhos. Ao ouvir a situação da família, a gestora cita: "Ai, meu Deus! Aí tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer". Em seguida, após uma frase inaudível da interlocutora, a governadora afirma: "Mas faz sem ela saber, vai !". 

A gravação ganhou repercussão nacional no fim de semana e provocou reações dos principais adversários ao Palácio do Campo das Princesas.

O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) classificou a atitude como crime e violência à integridade física da mulher; Ivan Moraes (PSOL) cobrou explicações sobre a garantia da autonomia das pacientes na rede estadual de saúde e a divulgação de dados de violência obstétrica. A declaração da gestora também foi pauta entre mulheres na política, como a deputada estadual Dani Portela (PT) e a candidata à vice-governadora Alice Gabino (Rede), que repudiaram a declaração. 

Para contrapor o desgaste político, Raquel listou iniciativas voltadas à saúde feminina executadas em seus mandatos.

A governadora destacou ter sido autora da lei do parto humanizado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), além de ter implantado o programa de atenção materno-infantil e a Clínica da Mulher durante a gestão na Prefeitura de Caruaru. A candidata também apontou uma redução de 10% nos índices de mortalidade infantil no estado durante o atual governo.

Metas para maternidades e centros de neurodivergência

Durante a sabatina, Raquel Lyra aproveitou o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência para detalhar propostas voltadas à inclusão e à assistência pediátrica especializada. A candidata prometeu estender o modelo da Casa Azul, unidade voltada ao atendimento de crianças neurodivergentes e com Transtorno do Espectro Autista (TEA), para todos os municípios de Pernambuco.

O plano inclui investimentos de R$ 400 milhões por meio do programa PE Acessível, com a ampliação de salas multifuncionais em escolas estaduais, cofinanciamento para 50 organizações sociais e a realização de mutirões nas UPAs para agilizar laudos médicos necessários à concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Na área materno-infantil, a governadora defendeu a expansão do cofinanciamento estadual para maternidades municipais e citou a entrega de ambulâncias do programa Colo de Mãe para auxiliar no transporte de gestantes de médio e alto risco.

A candidata do PSD também relembrou a conclusão das obras do Hospital da Mulher de Caruaru e assumiu o compromisso de erguer quatro novos hospitais da mulher em diferentes regiões de Pernambuco, caso vença a disputa de outubro.

Raquel Lyra

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