Maioria da 2ª turma do STF vota por afastamento do diretor-geral da PF; Gilmar Mendes pede vista

Cynara Maíra | Publicado em 08/09/2026, às 10h50 - Atualizado às 11h01

- Tom Costa/MJSP
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (8) para manter o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão inicial ocorreu monocraticamente pelo ministro André Mendonça, a 2ª turma avalia a manutenção da posição. 

A sessão extraordinária começou às 10h, parando às 10h05 por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Apesar da suspensão formal do processo, o presidente da turma, ministro Luiz Fux, e o ministro Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam a posição do relator, o que garantiu a maioria na turma de cinco integrantes. O ministro Dias Toffoli não votou sobre o diretor-geral da PF.

Denúncia de espionagem e ordem para inquéritos na Corregedoria

No despacho que originou o julgamento sobre o chefe da PF, André Mendonça declarou que a inteligência da Polícia Federal executou espionagem ilegal contra ele durante mais de um mês.

"Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", escreveu o magistrado no voto enviado aos colegas.

Mendonça apontou que os relatórios incluíram coleta dirigida contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, além de avaliações sobre sentenças judiciais e rotinas de policiais da própria corporação.

Diante do quadro, o ministro determinou que a Corregedoria-Geral da PF instaure apurações criminais e disciplinares para apurar quem produziu os documentos. O relator também proibiu a feitura e o compartilhamento de novos relatórios de inteligência voltados a fiscalizar as atividades constitucionais de juízes, advogados públicos e delegados.

A ordem de afastamento atendeu em parte a uma petição do partido Novo. A legenda partidária requereu a prisão preventiva de Andrei Rodrigues após a perícia no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apontar mensagens com menções ao diretor da corporação. Mendonça rejeitou o pedido de prisão, optando pela suspensão funcional dos dirigentes.

O material obtido na Operação Compliance Zero indicava mensagens de Vorcaro na tentativa de adiar ações policiais em novembro de 2025, citando diálogos com Andrei e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O episódio aumentou as tensões na Corte depois que o ministro Alexandre de Moraes utilizou análises sem identificação formal da PF para acusar Mendonça de irregularidades na condução dos processos que envolvem o Banco Master e apurações sobre o INSS.

Histórico de Andrei Rodrigues na PF

Delegado federal há cerca de duas décadas, Andrei Rodrigues assumiu o comando da Polícia Federal em janeiro de 2023, após anúncio feito pelo governo federal no final de 2022. Formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas, ele atuou em delegacias de combate a entorpecentes em Manaus, no Aeroporto Internacional de Brasília e na divisão de crimes fazendários em Porto Alegre.

Na atuação institucional, Rodrigues coordenou a equipe de segurança da então candidata Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2010 e exerceu a mesma responsabilidade na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

O delegado também chefiou operações de segurança pública durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

STF andré mendonça