Júnior Matuto leva bolsa térmica e porta de carro em plenária da Alepe; governistas reclamam de quebra de protocolo

Cynara Maíra | Publicado em 05/02/2026, às 11h07 - Atualizado às 11h54

Júnior Matuto levou porta de carro, bag de entrega e peça de motocicleta com adesivos de empresa do pai de Raquel Lyra - Jarbas Araujo/ALEPE
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O deputado estadual Júnior Matuto (PSB) protagonizou um episódio inusitado e polêmico na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) na quarta-feira (4).

O parlamentar subiu à tribuna levando uma porta de carro, uma bolsa térmica de entregas (bag) e um tanque de motocicleta, todos adesivados com a marca da Logo Caruaruense, empresa ligada à família da governadora Raquel Lyra (PSD).

A ação foi um protesto contra o que Matuto chamou de "dois pesos e duas medidas" na fiscalização de trânsito no estado.

O deputado criticou o início da cobrança do IPVA e do seguro obrigatório, classificando as blitzes como uma "caça às bruxas" contra trabalhadores que dependem de veículos, como motoristas de aplicativo e entregadores.

"Para o operador de iFood não ser parado na blitz, basta montar esse kit. Só basta ele botar isso aqui no tanque. Tá resolvida a parada", ironizou Matuto, exibindo os objetos adesivados.

O parlamentar fez referência ao caso da Logo Caruaruense, empresa do ex-governador João Lyra Neto, pai de Raquel Lyra.

Uma reportagem do Portal Metrópoles indicou que a transportadora operou por três anos sem realizar vistorias obrigatórias junto à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), fato que gerou denúncias e culminou no encerramento das atividades da companhia.

"Por que para o pobre, para o trabalhador, o governo persegue, multa e apreende veículo? E para a empresa do pai da atual governadora não se teve nenhum tipo de fiscalização durante três anos? É coincidência, displicência ou a mais pura conveniência?", questionou Matuto.

Reação Governista

Socorro Pimentel pediu questão de ordem

 

A performance do deputado gerou reações da base governista. A líder do governo, deputada Socorro Pimentel (União), solicitou uma questão de ordem e criticou a conduta da oposição, acusando os parlamentares de "burlar o regimento" e "quebrar o protocolo" da Casa.

"O que vem acontecendo nessa Casa? A oposição está extrapolando todos os limites do bom senso. É muito desespero. Eu achava, senhor presidente, que o senhor ia tomar uma atitude para que a gente hoje não fizesse o que vocês fizeram ontem", reclamou Socorro, dirigindo-se ao deputado Diogo Moraes (PSDB), que presidia a sessão.

A deputada também reclamou da ausência de reuniões nas comissões temáticas devido à falta de comparecimento de presidentes ligados à oposição, citando o caso da Comissão de Justiça e de Finanças. Alberto Feitosa está de licença após uma cirurgia de hérnia. 

O episódio ocorre um dia após uma sessão com manobras regimentais.

Na terça-feira (3), a oposição utilizou citações nominais para monopolizar o tempo de fala no Pequeno Expediente, impedindo discursos da base governista.

Na ocasião, deputados reclamaram de supostos repasses irregulares a um hospital ligado à vice-governadora Priscila Krause (PSD) e cobraram explicações sobre o monitoramento policial de um secretário do Recife.

alepe júnior matuto

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