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Jones Manoel critica Camilo Santana por redução da maioridade penal e vê risco para campanha de Lula

Jamildo Melo | Publicado em 16/10/2026, às 20h38

Para Jones Manoel, a iniciativa de Camilo Santana favorece uma disputa política que interessa à oposição - Jamildo.com
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O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL), segundo mais votado de Pernambuco nas eleições de 2026, criticou a atuação do ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana (PT-CE) na reta final da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao PodJá!, podcast do site Jamildo.com no YouTube, Jones afirmou que Camilo cometeu um erro político ao introduzir na discussão do Senado uma proposta de redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Na avaliação do parlamentar eleito, a iniciativa deslocou o debate público de uma conquista importante para a campanha de Lula: a aprovação, pelo Senado, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

Para Jones, os aliados do presidente deveriam concentrar seus discursos e esforços de comunicação nessa mudança trabalhista, considerada uma bandeira de forte apelo popular.

O deputado eleito entende que a campanha deveria explorar de maneira insistente e coordenada a votação no Senado, em vez de disputar com a oposição o protagonismo na pauta da segurança pública.

Jones Manoel vê interesses eleitorais de Camilo Santana

A crítica de Jones Manoel não ficou restrita à discussão sobre a maioridade penal.

Durante a entrevista, o deputado eleito também associou a movimentação de Camilo Santana a uma possível candidatura presidencial no futuro.

Na avaliação de Jones, o ex-ministro da Educação tem interesse em se apresentar como uma liderança capaz de assumir protagonismo nacional e disputar a sucessão de Lula.

O parlamentar afirmou que Camilo estaria tentando aparecer como uma espécie de salvador da pátria, caso o presidente consiga vencer o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).

Trata-se de uma interpretação política de Jones Manoel sobre as intenções do senador. Não há comprovação de que a proposta sobre maioridade penal tenha sido apresentada com esse objetivo.
Camilo, que também integra a coordenação da campanha de Lula, passou a ocupar uma posição central nas articulações políticas do segundo turno, depois de vencer no Ceará.

Como a redução da maioridade penal entrou na campanha

A discussão sobre a maioridade penal ganhou força depois que a oposição apresentou uma emenda à PEC da Segurança Pública.

A proposta, articulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, prevê a responsabilização penal a partir dos 16 anos, com possibilidade de redução para 14 anos em determinados crimes graves.

Em resposta, Camilo Santana articulou uma alternativa mais restrita, permitindo a redução da maioridade penal para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada na quinta-feira (15), a iniciativa da base governista buscava neutralizar a estratégia bolsonarista de constranger o PT na votação da PEC da Segurança Pública.

A proposta, porém, provocou divergências dentro do próprio partido, historicamente contrário à redução da maioridade penal.

O impasse também comprometeu o andamento da PEC da Segurança Pública. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), interrompeu a discussão diante da falta de acordo.

A controvérsia ajuda a explicar a crítica de Jones Manoel, feita no Jamildo.com: enquanto a oposição procurava levar a campanha para o terreno da segurança pública, o deputado eleito considera que Lula tinha uma oportunidade de concentrar o debate na pauta trabalhista.

Lula defendeu redução da maioridade penal no Jornal Nacional

A posição de Camilo Santana ganhou respaldo público do presidente Lula durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite de quinta-feira (15).

Questionado pela jornalista Renata Lo Prete, Lula declarou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.

O presidente, entretanto, defendeu que o assunto seja discutido separadamente da PEC da Segurança Pública.

A declaração representou uma mudança em relação à posição histórica do PT, que tradicionalmente se opõe à redução da idade de responsabilização criminal.

Lula argumentou que a PEC da Segurança Pública deveria ser aprovada primeiro, deixando a discussão sobre a maioridade penal para outra oportunidade.

Na mesma entrevista, o presidente também mencionou a aprovação do fim da escala 6x1 e destacou medidas voltadas aos microempreendedores individuais.

A manifestação de Lula acrescentou um elemento à divergência apontada por Jones Manoel: a discussão sobre maioridade penal deixou de ser apenas uma iniciativa de Camilo Santana e passou a contar com o apoio público do próprio candidato à reeleição.

Fim da escala 6x1 é aposta de Lula no segundo turno

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 no Senado, na quarta-feira (14), foi considerada uma vitória política do governo Lula na reta final da campanha presidencial.

A proposta prevê a substituição da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso por um modelo com duas folgas semanais remuneradas.

A mudança ainda depende de outras etapas legislativas para entrar em vigor.

Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a alteração poderá beneficiar aproximadamente 14,8 milhões de trabalhadores.

A aprovação no Senado também criou uma oportunidade para a campanha petista reforçar sua identificação com a agenda trabalhista, enquanto Flávio Bolsonaro procura ampliar o debate sobre criminalidade, segurança pública e rejeição ao atual governo.

É nesse contexto que Jones Manoel considera equivocada a iniciativa de Camilo Santana.

Para o deputado eleito, a disputa sobre maioridade penal pode reduzir a visibilidade de uma conquista legislativa que o governo tem condições de apresentar aos eleitores.

Crítica ocorre em momento de disputa apertada entre Lula e Flávio

A avaliação de Jones Manoel ocorre em um momento de equilíbrio na disputa presidencial.

Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14), Flávio Bolsonaro apareceu com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula.

Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado amplia a importância das estratégias de comunicação das duas campanhas, que procuram conquistar eleitores indecisos e reduzir seus índices de rejeição.

Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro tenta explorar a segurança pública e o sentimento de mudança, Lula busca destacar medidas econômicas e sociais, além de apresentar respostas às críticas sobre a atuação do governo.

A divergência levantada por Jones Manoel revela uma disputa sobre as prioridades da comunicação petista nesta reta final.

De um lado, está a tentativa de ampliar o diálogo com eleitores preocupados com a criminalidade. De outro, a defesa de concentrar esforços em propostas trabalhistas que já avançaram no Congresso.

Nesta sexta-feira (16), Camilo Santana defendeu que a redução da maioridade penal seja discutida em uma PEC separada, para não atrasar a aprovação da proposta de segurança pública.

A posição se aproxima da orientação apresentada por Lula no Jornal Nacional, embora não elimine as divergências políticas sobre a conveniência de introduzir o tema durante a campanha.

A crítica de Jones Manoel, portanto, vai além da posição sobre a maioridade penal: questiona quem define as prioridades da campanha de Lula e quais temas podem ter maior peso na decisão dos eleitores no segundo turno.

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