Cynara Maíra | Publicado em 03/02/2026, às 08h05 - Atualizado às 08h56
A posse do desembargador Francisco Bandeira de Mello na presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), nesta segunda-feira (2), promoveu o primeiro encontro público entre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD) desde a eclosão das tensões envolvendo a Polícia Civil e a Prefeitura do Recife.
Os dois gestores, prováveis adversários na disputa pelo Governo do Estado em 2026, dividiram a mesa de honra durante a solenidade no Palácio da Justiça.
João Campos não discursou durante o evento. O prefeito ouviu a fala da governadora, que citou problemas herdados de gestões anteriores, uma crítica velada às administrações socialistas.
Ao final do discurso, Raquel Lyra foi aplaudida pela plateia, mas não pelo prefeito. O reencontro limitou-se a um cumprimento protocolar quando a gestora retornou à mesa diretora.
Além dos protagonistas da disputa estadual, a cerimônia reuniu autoridades como o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB), o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (PSD), e a vice-governadora Priscila Krause (PSD).
O caso do monitoramento do secretário da PCR chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após solicitação do PSB, Gilmar Mendes pediu que a Polícia Federal investigasse a atuação da Polícia Civil de Pernambuco.
Em sua fala, Raquel Lyra enfatizou a necessidade de "harmonia entre os Poderes" e defendeu o diálogo institucional. A declaração ocorre dias após João Campos acusar o governo estadual de utilizar a Polícia Civil para monitorar ilegalmente secretários municipais, episódio que ele comparou aos "tempos de chumbo" da ditadura.
"O que o povo espera das nossas instituições é justiça, eficiência e compromisso com o interesse público. Que todas as instituições possam trabalhar unidas com o mesmo propósito de melhorar a vida das pessoas", afirmou a governadora.
A solenidade oficializou a posse da nova Mesa Diretora para o biênio 2026/2028. Francisco Bandeira de Mello assumiu a presidência com o compromisso de conciliar celeridade e qualidade nas decisões judiciais.
O desembargador destacou que o tribunal recebeu quase 577 mil novos processos apenas no ano passado e tem um acervo de mais de 1,5 milhão de ações.
"Se não respeitarmos esse tempo útil, teremos estatística, mas não teremos justiça. Por outro lado, se focarmos apenas na celeridade, podemos chegar depressa, porém ao lugar errado", ponderou o novo presidente.
Também tomaram posse os desembargadores Alberto Nogueira Virgínio (1º Vice-Presidente), Fausto de Castro Campos (2º Vice-Presidente) e Alexandre Guedes Alcoforado Assunção (Corregedor-Geral).
O ex-presidente Ricardo Paes Barreto, que encerrou seu mandato, destacou a transparência de sua gestão e a aproximação do Judiciário com a sociedade. "Agora chega a hora de passarmos a presidência ao querido amigo Francisco Bandeira de Mello com a consciência leve", disse.
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