Jô Cavalcanti adere à CPI do concurso e oposição fica a uma assinatura de investigar concurso de João Campos

Cynara Maíra | Publicado em 11/02/2026, às 07h22 - Atualizado às 07h42

Jô Cavalcanti assinou pedido de CPI para investtigar caso de concurso na gestão João Campos - Câmara do Recife
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A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) anunciou, na noite de terça-feira (10), a assinatura do requerimento para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara do Recife.

A comissão seria para investigar supostas irregularidades na nomeação de um candidato para o cargo de Procurador do Município na cota para pessoas com deficiência (PCDs).

Com a adesão da parlamentar, o pedido proposto pelo vereador Thiago Medina (PL) soma 12 assinaturas e necessita de apenas mais um apoio para a instalação automática.

O movimento de Jô Cavalcanti ocorre após a base governista rejeitar, em plenário, requerimentos que solicitavam informações e a convocação do Procurador-Geral do Município para esclarecer o assunto.

A vereadora argumentou que buscou caminhos institucionais menos extremos inicialmente. Jô afirma que haveria um bloqueio sistemático da base do prefeito João Campos (PSB) a pedidos de transparência, o que motivou a mudança de postura.

"Se o caminho mais simples da transparência é fechado, o Legislativo tem o dever de acionar instrumentos mais duros e legítimos. A CPI permite acesso a documentos e oitivas", afirmou Jô Cavalcanti.

Contexto Político

A assinatura da vereadora do PSOL representa a primeira adesão de um parlamentar fora do espectro da direita ou de dissidentes diretos da base governista.

Até o momento, o documento contava apenas com membros da Oposição e vereadores que romperam recentemente com a gestão, como o grupo Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV). Flávia formalizou o apoio também nesta terça-feira.

Jô Cavalcanti diferenciou sua posição atual do voto de abstenção dado no pedido de impeachment, votado na semana anterior. A parlamentar considera que o impeachment tinha caráter de julgamento político antecipado. Segundo ela, a CPI tem natureza investigativa técnica para apurar fatos antes de qualquer condenação.

O Caso Investigado

A polêmica envolve a nomeação de Lucas Vieira Silva, filho de um magistrado, para uma vaga de procurador.

O candidato figurava na 63ª posição da ampla concorrência. Ele apresentou um laudo de autismo tardiamente e assumiu a liderança da lista PCD. O ocandidato Marko Venício dos Santos Batista, classificado originalmente, recorreu ao pedido. 

A Prefeitura do Recife anulou a nomeação após a repercussão e a judicialização do caso. A gestão nomeou Marko Batista posteriormente. O prefeito João Campos defende que o episódio se tratou de uma questão administrativa resolvida pela Procuradoria e classifica a exploração do caso como "oportunismo eleitoral".

A Câmara Municipal já arquivou um pedido de impeachment sobre o mesmo tema no dia 3 de fevereiro. O placar foi de 25 votos a favor do arquivamento contra 9 pela admissibilidade.

A oposição busca agora na CPI um instrumento de fiscalização que independe da aprovação da maioria absoluta do plenário, exigindo apenas um terço das assinaturas da Casa.

João Campos Câmara do Recife CPI

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