Cynara Maíra | Publicado em 24/04/2026, às 07h40 - Atualizado às 09h02
Na noite de quinta-feira (23), a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) estiveram juntos na abertura do Festival do Jeans de Toritama.
Ao se encontrarem, a governadora e Gilson se cumprimentaram na entrada com um abraço e sorrisos. Veja a cena:
O gesto público ocorre meses após Gilson adotar um tom de "desradicalização" em relação ao Palácio do Campo das Princesas. Apesar do ex-ministro já ter elogiado a administração estadual em outros momentos, a posição tem se tornado mais flexível após a entrada em um partido governista.
Pouco antes de se filiar ao Podemos, Gilson chegou a afirmar que não teria motivos para falar mal da gestora.
Apesar de nunca ter sido da base da governadora, Gilson apoiou Raquel no segundo turno, contra Marília Arraes (Solidariedade). Na época, a escolha seguia a dicotomia nacional, já que Marília tinha o endosso de Lula (PT) e ficou com parte do PSB na disputa.
Gilson justifica a aproximação atual resgatando o histórico de entregas que realizou em Caruaru enquanto Raquel Lyra era prefeita e ele gerenciava a pasta do Turismo. Na época, o governo federal destinou recursos para a reforma da Estação Ferroviária e investimentos em educação no município, parcerias que o ex-ministro agora utiliza para fundamentar a convivência política.
Membro do Partido Liberal até o começo de 2026, Gilson também seguiu o alinhamento de proximidade inicial com a gestão, já que a legenda tinha cargos no Governo de Pernambuco.
A migração para o Podemos foi costurada com o ex-prefeito de Paudalho, Marcelo Gouveia. Gilson cita que Gouveia o assegurou que teria liberdade para atuar na oposição ao governo federal. O ex-ministro afirmou que o novo partido lhe concedeu "carta branca" para utilizar seu tempo de televisão em favor da família Bolsonaro, mesmo integrando formalmente a base aliada estadual, que também tem nomes alinhados com Lula.
A única crítica maior do político seria sobre o endosso de Raquel ao nome de Bolsonaro. Gilson queria que a gestora se posicionasse mais à direita, postura que também segue o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira.
Após a saída de Machado, Ferreira chamou Gilson de "desertor" e criticou a ida do político para uma legenda que teria quadros ligados a ministérios do governo Lula. Em resposta, Machado classificou o ambiente no PL como "tóxico" e afirmou que sua saída foi combinada diretamente com o senador Flávio Bolsonaro para garantir um palanque bolsonarista em Pernambuco sem os conflitos internos da antiga sigla.
Anderson alegou que justamente a aproximação da governadora com o presidente Lula seria o motivo para manter sua candidatura ao Senado independente da disputa pelo Governo de Pernambuco na eleição de 2026.
Gilson saiu do PL após impasses com Anderson sobre uma eventual candidatura ao Senado, ambos queriam a vaga do partido em Pernambuco. Em um partido buscando posição na Câmara, Gilson concorrerá ao cargo de deputado federal pelo Podemos.
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