EXCLUSIVO: PT articula candidatura coletiva inédita no Litoral Sul para tentar vaga na Alepe em 2026

Cynara Maíra | Publicado em 31/01/2026, às 12h45 - Atualizado às 13h00

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Um grupo no Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco iniciou as articulações para lançar, pela primeira vez na região do Litoral Sul, uma candidatura coletiva à Assembleia Legislativa (Alepe) nas eleições de 2026.

A iniciativa, denominada Coletivo Trabalhadores, é articulada pelos presidentes municipais da sigla no Cabo de Santo Agostinho, Maricleiton Vieira, e em Ipojuca, Zé Luiz. Os nomes dos integrantes ainda não foram divulgados. 

O movimento deseja solucionar um paradoxo eleitoral histórico na região, já que o Litoral Sul seja um reduto fiel ao lulismo em pleitos majoritários, o partido enfrenta dificuldades crônicas para eleger deputados estaduais com base territorial nos municípios que abrigam o Complexo Industrial de Suape.

O projeto envolve, além das duas cidades-âncora, articulações em Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande. Juntos, esses municípios somam um colégio eleitoral superior a 370 mil votantes.

A estratégia do "voto casado"

A tese dos dirigentes é que o PT precisa capitalizar o legado dos governos Lula e Dilma na região,  com investimentos como a Refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul, para gerar voto proporcional.

Em 2022, por exemplo, o presidente Lula teve mais de 70% dos votos válidos em Ipojuca no primeiro turno.

No mesmo pleito, a senadora Teresa Leitão (PT) foi a candidata mais votada para o Senado no município. No entanto, essa transferência de votos não ocorreu para a Alepe, o deputado estadual mais votado na cidade foi Romero Sales Filho (União Brasil), de um campo político oposto.

"O Litoral Sul precisa ocupar o espaço político que lhe é devido. Defender o legado dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma é também garantir que os investimentos estruturantes feitos aqui se revertam em direitos", argumenta Maricleiton Vieira, presidente do PT Cabo.

O modelo coletivo 

Ao optar pelo formato de "mandato coletivo", o PT do Litoral Sul aposta em um modelo de representação que ganhou força em Pernambuco a partir de 2018, com a eleição das Juntas (PSOL), e se expandiu em 2020 e 2022, geralmente associado a pautas identitárias e partidos à esquerda do PT.

Em 2022, Romero Albuquerque (União Brasil) seguiu o modelo coletivo em um mandato com seu irmão Luís Romero, também da causa animal. 

Juridicamente, no entanto, a candidatura coletiva opera em uma espécie de "vácuo legal".

Para a Justiça Eleitoral, o registro é individual (apenas um CPF e um nome de urna oficial, que pode vir acompanhado da designação "coletivo"). Isso exige um acordo político interno para gestão de gabinete e tomada de decisões, já que a "caneta" oficial permanece na mão de apenas um titular.

Zé Luiz, presidente do PT Ipojuca, declara que a união entre as duas cidades vizinhas é inédita.

"Pela primeira vez, duas cidades estratégicas para a economia de Pernambuco se unem em torno de um projeto político comum. Precisamos de representantes que conheçam a realidade local e estejam legitimados para fiscalizar a riqueza gerada por Suape", afirma.

Base do PT para Alepe

Além do coletivo, outras figuras planejam ampliar a base do PT na Alepe. As especulações no partido incluem: 

Além deles, também tentarão a reeleição João Paulo e Doriel Barros. Rosa Amorim sairá para Câmara dos Deputados. 

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